O Menino Prodígio

Intitulada "HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO", inauguramos hoje esta coluna para trazer aos  nossos leitores exemplos perseverança e superação de vida.

Vamos lá...

Nascido em 25 de Março de 1966, aquele pequeno ser não poderia prever que um câncer raro chamado retino blastoma o deixaria cego antes de completar o primeiro ano de vida. Porém, a vida seguiu e aos três anos de idade ganhou de presente uma guitarra. Visto que já era profundamente apaixonado por música. Adaptou a guitarra a sua deficiência que mais tarde passaria a ser conhecido como “lap-top”. Onde ele a tocava de uma maneira que envolvia todos os dedos, apoiando a guitarra numa plataforma especial ou nas pernas. Também tocava o instrumento, elevando-o sobre a cabeça para tirar notas com os dentes, agitando o público. Com seis anos de idade já dominava o canto e já o chamavam de grande guitarrista. Na adolescência apresentava-se em bares e clubes, e aprendia, nas horas vagas, ouvindo outros guitarristas. Antes de se fixar no Blues tocou de tudo um pouco, como Jazz, Country, Reggae, Heavy Metal, R&B, Rock e enfim Blues. Em uma escola especial para cegos tocou guitarra e trompete, e organizou um grupo chamado Blues Directions. Em 1985 lançou um vídeo independente chamado Adrianna. No mesmo ano um amigo e lendário guitarrista chamado Albert Collins "convenceu-o" a subir ao palco com ele e ninguém menos que Stevie Ray Vaughan por algumas semanas. O pequeno jovem, loiro e cego, impressionou Stevie Ray Vaughan, que passou a ser um grande amigo do menino prodígio. Em 1985, Tom deixou sua carreira de engenheiro urbano e Joe sua promissora carreira dentro dos estúdios e se juntaram ao menino prodígio, então com 19 anos, formando uma banda. Em 1986 ao tocar em um festival em Vancouver com B.B.King, deixou o mestre e sua "Lucille" boquiabertos. Fizeram tour pelo Canadá por dois anos, lançando uma espécie de "demo", antes de se filiarem a Arista Records & BMG Music Canadá Inc. O primeiro álbum lançado pela banda foi “See The Light, atraindo devotados fãs do blues, com notoriedade para as músicas “Angels Eyes” (belíssima canção) e “Confidence Man”. Nessa mesma época a banda participara de um filme que lhe deu uma boa ascensão internacional: “Road House” (com Patrick Swayze), onde tocava com sua guitarra em um bar. Em 1990 saiu o segundo álbum intitulado “Hell to Pay”, trazendo George Harrison (ex-beatle) tocando na faixa cover "While My Guitar Gently Weeps" e também Mark Knopfler (Dire Straits) tocando em “I Think I Love You Too Much”. O álbum “Hell To Pay” foi considerado por muitos fãs da banda, como sendo o melhor álbum do grupo. Logo depois a banda lança seu terceiro álbum chamado “Fell This” mostrando ótimas músicas, ótimas letras e excelentes solos do líder da banda. Infelizmente, apesar da excelente qualidade do álbum, a banda não conseguiu o retorno esperado. Mas, o menino prodígio não se abateu. Lançou-se então o quarto álbum “Cover To Cover”. Canções de Jimi Hendrix e John Lennon figurava neste álbum" e a participação de Joe Popper (Blues Traveler) tocando harmônica em “Communication Breakdown”. A banda entra em recesso por um período aproximado de cinco anos e só no ano 2000 lança o álbum “Get me Some”. Embora não fosse um álbum característico ao estilo da banda, foi muito bem recebido pelos fãs que o aguardavam ansiosamente. Um pouco de Pop, um pouco de Rock e um pouco de Blues, fora gravado pela banda neste álbum. O álbum teve várias músicas que se destacaram, tais como: Macon Georgia Blues, Runaway Heart , Feel Better e The Damage Is Done. Aos 34 anos o então menino já havia alcançado o estrelato, porém as palavras que o definia ainda persistiam. “Incrível e maravilhoso”, eram as palavras usadas sempre que uma conversa abordava a carreira daquele homem. Sua técnica era única e apuradíssima composta por sua presença de palco, sua ótima voz, suas letras e um grande carisma, o destacava de todos. A banda ganhou Award do Canadian Entertainer of The Year, Music Award por melhor grupo em vídeo e ainda foi indicada por duas vezes ao Grammy, entre tantos outros prêmios.

Infelizmente, o câncer que o havia perseguido por tantos anos e que o deixara cego, decidiu encerra sua existência neste nosso mundo. Assim em 02 de Março de 2008, aos 42 anos de idade, na cidade de Toronto no Canadá, um sarcoma calava sua voz, o solo de sua guitarra e sua trajetória arrebatando-lhe a vida, a sua exemplar existência...

Quem era este menino prodígio que deixara esposa e filhos e perpetuara seu legado apesar do câncer? Seu nome era Norman Jeffrey Healey. Mundialmente conhecido por Jeff Healey, o líder e criador da Jeff Healey Band.

 Jeff Healey (1966/2008)

Bom... Porque resolvi escrever sobre Jeff Healey?

São vários os motivos, principalmente o proposto por esta coluna,ou seja,o de superação, mas citarei alguns outros:

  • Por nunca desistir de suas metas ou sonhos, mesmo ameaçado a cada segundo de seus 42 anos de vida por um câncer.
  • Por se tornar um exemplo para muitos como ele ou para outros que nunca experimentaram uma doença destruidora como o câncer.
  • Por nunca deixar abater-se e de sempre sorrir.
  • Por transformar seus infortúnios em dádivas e não em dívidas emocionais.
  • E por mostrar ao mundo que não há infortúnio maior do que aquele que se abate sobre o ser que se entrega vencido, sem tentar mudar, dirigir e refazer sua vida.

Assim foi Norman Jeffrey Healey.

Exemplo de aceitação e perseverança.

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Pesquisa e Texto





Pesquisa e Texto
Renato Galvão
Escritor e Artista Plástico



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