UM ARQUIPÉLAGO DE OUTRO MUNDO - CAPÍTULO FINAL

 

Chegamos ao final de nossa reportagem, mas ainda temos informações...

 

Tentativa de  transformar Socotorá em base militar.

Vitória e fracassos da coroa portuguesa no arquipélago.

Comentário sobre Socotorá por São Francisco Xavier e outros

Socotorá nos dias hoje.

Fotos atuais.

 

Ciente das informações passadas pelos seus navegadores (vide capítulo II), a coroa portuguesa, traçou uma estratégia para, supostamente, socorro os cristãos, maioria entre os habitantes das ilhas, livrando-os da servidão imposta por Fartaque, rei muçulmano no Iémen. Mas, acontece que Socotorá era um ponto estratégico que caiu no colo do rei. A localização de Socotorá era excelente para o controle do Mar Vermelho, pois ficava à mão esquerda entrando para o estreito junto ao Cabo Guardafui. E quem ali nas ilhas do arquipélago se estabelecesse (militarmente) através de colônias, teria o controle da região nas mãos. Imediatamente a coroa incumbiu Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque (um navegador militar) de construir uma fortaleza. Para isso embarcou nos navios estruturas de madeira pré-fabricadas em Lisboa. Em 1507, comandado por Tristão da Cunha tomou-se a Fortaleza de Coco defendida por míseros 120 homens e Coje Abrahem filho do rei de Caxem, uma cidade localizada a poucos quilômetros do Cabo Fartaque.

Reconstruíram a fortificação conquistada dando-lhe o nome de São Miguel, assumindo o comando da mesma D. Afonso de Noronha. Converteram a mesquita local em uma igreja, consagrando-a a Nossa Senhora da Vitória e Frei Antônio do Loureiro passou a ser o guardião do mosteiro franciscano de São Tomé. Orgulharam-se de ali estar o primeiro mosteiro construído fora dos muros de Portugal e o primeiro fundado no recém criado Estado Português da Índia.

Mas nem tudo foi como o planejado...

Um solo estéril e consequentemente infértil, o isolamento num território dentro da casa do inimigo, condenou militares e religiosos a fome e as doenças. Estes ficaram à mercê do censo muçulmano, sendo socorridos somente após Albuquerque dominar Ormuz em 1507. Com os acontecimentos adversos a empreitada lusitana, a ocupação das ilhas para obter-se o controle geral das rotas marítimas, foi tomando outro rumo e este rumo apontava o horizonte do fracasso. O primeiro passo em direção ao fracasso foi o abandono total da Fortaleza de Angediva em 1506. Em 1511 foi a vez de abandonar o Forte de Socotorá e logo em seguida em 1512, o Forte de Quíloa.

Diogo Fernandes de Beja, antes de transportar sua guarnição, duzentas mulheres, cristãos natos das ilhas, toda artilharia e demais apetrechos, demoliu até os alicerces as fortificações em Socotorá. Após a partida dos portugueses, o controle da ilha foi parar nas mãos dos sultões de Mahra.

A história nos conta que mesmo após os fracassos lusitanos, estes permaneceram utilizando as ilhas como ponto de aguada. Aqui surge uma dúvida: Se a história nos informa que no arquipélago não havia água potável, utilizar o local para abastecimento do referido líquido, seria inútil. Me parece que o intuito era outro. Provavelmente o de se manter

Controlando a região. Tanto assim, que representantes portugueses na pessoa de um ou dois missionários permaneceram nas ilhas. Então entra na história (São) Francisco Xavier realizando o trabalho de catequização de alguns cristãos moradores das ilhas. Este trabalho foi realizado quando Francisco Xavier passou pelo arquipélago em destino para Índia em 1542. Na época, Francisco descreve a ilha como sendo uma “terra desamparada e pobre” não germinando “nem trigo, nem arroz, nem milho, nem vinha, nem fruta...” acrescentando que a terra do solo de Socotorá era “...muito estéril e seca...”.

Depois dessa “pancada” dada por (São) Francisco Xavier em Socotorá, descrevendo o seu solo, mais adiante, entre 1540 e 1541, um nobre português registra suas impressões sobre Socotorá, o descreve como sendo “... em todo o circuito da ilha não há porto nem outra alguma estância onde possa algum navio invernar seguramente...”. Se assim o era, qual o motivo da coroa portuguesa em se manter presente no local se não por ambições militares e de manter controle de rota que levava a caminhos vantajosos? A resposta certamente nós sabemos e temos certeza que não era por razões de ajuda aos cristãos da ilha ou por religiosidade. Muitos navios encontraram seu fim em águas próximas a Socotorá e a história conta que o mais famoso foi o galeão Santo Antônio em 1601.

Apesar de todas as dificuldades, os navios lusitanos aportavam em Socotorá, principalmente para extrair e levar a “seiva de dragão” e o aloé, pois nas ilhas não havia ou não há riquezas que não fossem ou que não são produzidas pela fauna e flora de Socotorá.

No século XX Socotorá passou a ser um protetorado inglês (1886), naturalmente por sua posição estratégica e o poder de controlar o ir e vir do estreito de Áden. Porém, em 1967, a soberania de Socotorá passou às mãos do Iêmen, logo após sua independência registrada no mesmo ano.

Nos dias de hoje Socotorá vive do turismo basicamente e, talvez seja este um problema real. Como foi informado nos capítulos anteriores, Socotorá corre mais riscos de extinção de sua flora e fauna do que qualquer outro lugar em nosso impiedoso mundo...


AS MARAVILHAS DE SOCOTORÁ



 



 


  


 















Grato pela atenção de todos.

Espero que tenham se informado, gostado e se divertido.

Até a próxima...



Pesquisas e Texto:


Renato Galvão 

Artista Plástico, escritor

e "double" de Colunista

 

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