UM ARQUIPÉLAGO DE OUTRO MUNDO – SEGUNDO CAPÍTULO

 

Neste capítulo você conhecerá mais da história do ARQUIPÉLAGO DE OUTRO MUNDO.

Documentos encontrados na Antiguidade com informações sobre as ilhas.

Visita e colonização dos portugueses,

e até a evangelização dos poucos habitantes por um certo apóstolo de Jesus.

 

O Arquipélago de Socotorá é citado como “dioskouridou” num manuscrito intitulado “O périplo do mar Eritreu” no século I redigido por um anônimo. Aparentemente esta denominação teria sido dada ao arquipélago em homenagem ou em simples alusão a um autor greco-romana chamado Dioscórides. Porém, nos dias de hoje, arqueólogos e antropólogos afirmam que o nome Socotorá é uma toponímia (do grego τόπος, "lugar", e ὄνομα, "nome", "nome de lugar") originário da língua grega procedente do sâncrito “dvipa sukhadhara” significando “ILHA DA FELICIDADE”. Um nome perfeito para Socotorá.

Há informações de que algumas das ilhas de Socotorá fora habitada por cristãos e que estes seriam maioria entre os poucos habitantes. Tais notícias nos chegam através de outro  documento datado século X, onde o geógrafo árabe Almaçudi fez comentários a respeito do assunto. Mas, parece que não levaram muita fé no cara, pois até o ano 1500 ninguém tinha essa informação. Aliás ninguém sabia no início da era dos navegadores da existência de Socotorá. 

Banhado por um oceano cheio de surpresas perigosas, com ausência de água potável em suas ilhas e contando com um clima árido ou semiárido tropical; o Arquipélago de Socotorá não era visto como uma espécie de "oásis" para quem  navegava no sentido do Mar Vermelho, África, Índia entre outros. Mesmos que tais navegadores não tivessem conhecimento do arquipélago e suas condições adversas e climáticas. Muitos navegadores ancoravam seus navios para realizarem aguadas (abastecimento de água potável). Como nas ilhas não havia água, muitos deles devem ter ficado frustrados, porém, consolados pelas belas paisagens do arquipélago. Mas, o tempo seguiu. Em 1503 aportou no arquipélago o navegador português Vicente Sodré para fazer sua aguada, crente que ia encher seus barris. Quando Vicente Sodré alardou e começou a gabar-se de ter sido o primeiro a chegar em Socotorá e portanto, seu descobridor, apareceu uma segunda voz reivindicando tal façanha. Essa voz pertencia ao navegador Diogo Fernandes. Ai instalou-se uma polêmica. Pois bem...

Quem foi Vicente Sodré (1465/1503)?

Era um exímio navegador com estatuto militar, fora o primeiro capitão-mor do mar da Índia, chefe de esquadra, servindo o império português no início do século XVI. Fez contatos comercias e diplomáticos na Índia colocando Portugal evidente até o Golfo Pérsico. Ele fora fundamental para as campanhas portuguesas que se estenderia até a China e Japão. Com seu sobrinho Vasco da Gama, fez duas viagens até a Índia para consolidação comercial e diplomática, entre outras conquistas e honrarias. Mas, apesar do seu currículo não conseguiu tirar a pedra do sapato colocada por Diogo Fernandes. 

E quem foi Diogo Fernandes Pereira ou Piteira ou de Setúbal?

Os registros históricos apontam Diogo Fernandes como o primeiro capitão europeu a visitar o Arquipélago de Socotorá em1503 (1X0 Para Diogo). É atribuído também a ele as glórias por ter descoberto o Arquipélago Mascarenes (ilhas Reunião, Maurício e Rodrigues) em 1507. Há referências de ter sido ele o primeiro a navegar ao leste de Madagascar em rota externa para as índias Orientais. O fato é que, apesar da história apontar Diogo Fernandes como um marinheiro português de origem obscura e não o considerar um navegador, também o aponta como o primeiro a chegar em Socotorá e apreciar suas belezas, inclusive passando um inverno nas ilhas. A história não cita Vicente Sodré nesta façanha marítima. Martelo batido. 2x0 para Diogo.

O fim de Vicente Sodré foi um naufrágio nas Ilhas de Cúria Múria, atual Omã. Em 1998 foi encontrado o navio Esmeralda e de 2013 a 2015, arqueólogos trouxeram à tona apetrechos, artilharia e tudo que o Esmeraldo havia levado para o fundo com o Capitão Vicente Sodré e sua tripulação em 1503. Já Diogo Fernandes a história apenas aponta seu nascimento em Setúbal/Portugal no século XV, suas façanha e glórias e seu desaparecimento no século XVI. Mas sem informar onde e o porque.  

Resolvido a polêmica, Manoel I de Portugal foi informado pelos navegadores Damião de Góis, João de Barros e Antônio de Saldanha que as ilhas que formavam o arquipélago eram boas para construção de portos. O último acrescenta em seu relato que, haviam cristãos nas ilhas, prováveis descendentes dos habitantes que o apóstolo Tomé havia evangelizado no passado quando seu navio, a caminho da Índia, naufragou no local. Desta forma o documento do geógrafo árabe Almaçudi do século X informando sobre a existência de cristãos nas ilhas, provou sua veracidade. Antes tarde do que nunca...


No próximo capítulo informarei a vocês sobre as providencias tomadas por Manoel I, rei de Portugal para transformar o arquipélago em base militar no intuito de controlar a entrada e saída para o Mar vermelho e região, usando o pretexto de socorrer os cristãos em Socotorá... Não percam!


Prováveis tipos de embarcações que aportaram em Socotorá


            
 


Um pouco mais das maravilhas de Socotorá





 

Pesquisas e Textos:

Renato Galvão 

Artistas Plástico, escritor, poeta

e "Double" de Colunista













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