JEAN LAFITTE, O CORSÁRIO - UMA HISTÓRIA DE INTRIGA, CRIMES E HEROISMO

 

Jean Lafitte era um pirata, corsário e contrabandista francês que viveu no século XIX e seu nascimento ou morte a história e registros são confusos. Uns apontam seu nascimento em 25 de setembro de 1790 na cidade francesa de Biarritz e sua morte em Yucatán em 1826. Há também registro de que tenha nascido em 1780 em Bordeaux na França. Porém, o próprio Jean Lafitte, juntamente com seu irmão Pierre, declaravam-se nascidos em Bayonne ou em Saint-Malo ou Brest. Historiadores acreditam que agiam assim para confundir e ludibriar as leis norte-americanas, cujo o destino de criminosos capturados era a forca. Também há registros na história que o pirata seria um judeu nascido no território francês de San Domingo, atual Haiti.

O que se sabe ou foi escrito em um dos registros de sua confusa história, é que no final do século XVIII, próximo ao delta do Rio Mississippi, que era na época de propriedade da França, os Lafitte transferiram-se, aparentemente, mãe viúva e dois filhos, Jean e Pierre, de San Domingo para Nova Orleans na Louisiana em 1780. Quatro anos depois, sua mãe casa-se com Pedro Aubry, um mercador em New Orleans. Nessa época Pierre, seu irmão mais velho, decide ficar em Louisiana, enquanto Jean Lafitte ficaria morando com a mãe e o padrasto.

Lafitte, ainda jovem, rebelde, inquieto e muito influenciado por Pierre, decide explorar o território sul de Nova Orleans e o Golfo do México com o suporte de Pierre que operava em San Domingo, abastecendo Lafitte para que este distribuísse o contrabando no continente. Em 1805 as proporções de ganho com o contrabando cresceram tanto que Pierre mandou construir um armazém para estocar suas mercadorias.

Porém, os Lafitte, tiveram que procurar outras regiões ou portos para desembarcarem suas mercadorias, após os EUA comprar o território da Louisiana em 1804 da França, passando aplicar a Lei de Embargo promulgada em 1807 que impedia o desembarque de navios originários de portos estrangeiros.

Jean Lafitte escolheu uma ilha em Barataria, um ponto estratégico que ficava na rota entre as ilhas de Grand Terre dentro do território da Louisiana e longe da base naval dos EUA, assim os navios com o contrabando navegariam tranquilo sem serem importunados pela marinha norte-americana. Cada vez mais ricos, os irmãos decidem aplicar os frutos dos roubos e Pierre dirigiu-se à Nova Orleans afim de aplicar tais lucros. Mas, as operações de contrabando e pirataria de Jean Lafitte, chamam a atenção do então governador e este nomeia um oficial para combater a entrada de mercadorias ilegais nos portos da Louisiana. Em março de 1813, os Lafitte foram denunciados perante as cortes e tribunais do Estado.

Jean Lafitte, instalado na baía Barataria no sul da Louisiana, passou a atacar e saquear os navios norte-americanos que passavam por lá. Na ilha Grand Terre, reuniu suas preciosas cargas roubadas dos americanos e no meio de tantas preciosidades, o mais precioso eram os escravos que os EUA traziam em seus navios. Daí passou a promover leilões luxuosos no intuito de arrecadar pólvora e canhões para o seu já grande arsenal. Historiadores dizem que mais de mil homens pertenciam a equipe do pirata Jean Lafitte, entre estes escravos fugitivos e negros livres. Há quem informe que o número de corsários que seguiam Lafitte chegou a três mil homens. O cara era poderoso mesmo...

Bom. Para encurtar a história, os americanos por inúmeras vezes tentaram capturar Jean Lafitte e seu bando, porém isso só rendeu baixas para os americanos, embora Lafitte tivesse sido preso algumas vezes, mas logo em seguida conseguia fugir.

Em 1812 os ingleses declaram guerra aos americanos e em 1814, Lafitte é contactado pelos ingleses e estes lhe fazem uma proposta e algumas ameaças. Que proposta seria esta: Os britânicos tinham um plano para atacar Nova Orleans e toma-la dos EUA devido ao embargo americano aos navios ingleses e franceses, entre outras questões. Mesmo sendo a segunda maior força militar no mundo da época, a primeira era a França, os ingleses sabiam que se trouxessem Lafitte e seus homens para sua causa, a vitória seria certa. Mesmo porque e apesar de seu poderio militar, a adesão do corsário e seus homens que eles temiam se transformaria nas chamadas “cartas na manga”. Assim, foi oferecido ao Rei dos Corsários lotes de terras para ele e seu bando e perdão total de seus crimes, caso ele tornasse sua, a causa dos ingleses. Além das terras e do perdão, os ingleses também ofereceram ao pirata uma quantia equivalente, nos dias de hoje, em torno de 2 milhões de dólares e a liberdade do seu irmão Pierre Lafitte que estava preso na Inglaterra a caminho da forca. Mas, a proposta tinha um outro lado. Caso Jean Lafitte recusasse, os britânicos ameaçaram destruir seus navios, seu quartel-general e suas operações piratas numa perseguição implacável.

Jean Lafitte era malandro. Não era à toa que havia praticado tantos crimes e escapado várias vezes das autoridades. Aí ele mandou essa para os ingleses: “Preciso de duas semanas para ajeitar as coisas e meus homens vão lutar por sua causa”. Inocente os ingleses, né? Confiaram no bandido. Lafitte sabia que se os ingleses vencessem a guerra e que os territórios da Louisiana, principalmente Nova Orleans, se tornassem território britânico, sua vida de pirata estaria extremamente ameaçada. Ludibriar e escapar da fraca força militar dos americanos na época era fácil, mas medir forças com os ingleses, seria suicídio.   

Jean Lafitte escreve uma carta aos parlamentares americanos contando os planos ingleses, mas não menciona a proposta feita pelos ingleses a ele, porém, tais parlamentares não levaram fé e desconsideraram sua correspondência. Lafitte, então, muda de alvo e escreve uma carta chorosa ao governado da Louisiana dedurando os ingleses e acrescentando que queria mudar de vida e ser um cidadão ordeiro. O governador manda seus oficiais cessarem as perseguições contra o pirata e que estes lutassem e defendessem as causas americanas ao lado do pirata. Muito contra gosto, já que detestavam piratas, especialmente Jean Lafitte, tais oficiais executaram as ordens do governador. O resultado deste acordo transformou em derrota a investida inglesa e grande baixa em seu exército e marinha. Os corsários de Jean Lafitte deram uma tremenda surra nos ingleses.

Depois disso Lafitte ficou senhor do pedaço e fez o que quis no território da Louisiana. Conseguiu tirar seu irmão mais velho Pierre Lafitte das mãos dos ingleses e seguindo com suas investidas fora da lei. Ele fora fundamental para a vitória americana sobre os ingleses. Logicamente, os americanos sem Lafitte não conseguiriam medir forças com os ingleses, dado as condições militares na época entre as duas nações. Sem Lafitte e seus piratas, os americanos teriam perdido a guerra e consequentemente seus territórios.

E qual foi o fim de Jean Lafitte? Mais uma vez os historiadores não concordam na narração da história deste personagem e muito menos no destino e fim deste incrível bucaneiro.

Ao que tudo indica, Jean Lafitte tomou destino da Ilha Galveston no México com aproximadamente 600 dos seus mil ou três mil homens e parece que entre esses estava também seu irmão Pierre Lafitte. Nesta ilha, estabeleceram-se trocando o nome da mesma para Campeche em 1816. Organizou-se e voltou a praticar a pirataria, roubando mercadorias dos navios atacados e contrabandeando para os Estados Unidos, onde havia virado herói. Hoje há uma cidade com o nome dele, um parque histórico, um pequeno lugarejo com seu sobrenome, ruas e dezenas de estabelecimentos em casas ou prédios que foram utilizados pelo pirata e seus comandados, principalmente o casarão onde Jean Lafitte transformou em quartel general.  

                

Parque Histórico Nacional e a Reserva de Jean Lafitte em Nova Orleans 

Cidade Jean Lafitte

Quartel General de Jean Lafitte na Louisiana  

Há várias versões sobre o fim ou destino do corsário. Dizem que após conseguir sair vivo das ameaças de despejos dos americanos e até de um furacão que arrasou o território, abandonou Campeche ou Galveston em 1821. Alguns afirmam que morreu nos mares numas de suas investidas ou batalhas. Outros dão conta de seu fim causado por uma doença. Ainda há versão de que foi capturado pelos espanhóis ou até mesmo encontrado a morte pelas mãos de seus próprios escudeiros.

É difícil saber qual realmente foi o seu fim ou paradeiro depois de Galveston. Aliás, com uma história confusa com vários registros supostos, seria mesmo difícil acreditar em quem está certo ou compôs corretamente a história deste pirata.

Na década de 40, surgiu informações publicadas numa revista ou jornal que, mais uma vez, supostamente, era de sua propriedade (?), dando conta que Jean Lafitte havia morrido em Illinois (EUA) com prováveis 70 anos em 1854 ou 1855.

Antes, porém, trocou de nome (como se isso pudesse esconder um pirata que virou herói nacional e foi fundamental para a conquista norte americana sobre os ingleses), casou-se e teve filhos. Ainda há uma incógnita. A história diz que ele escondeu um tesouro em solo da Louisiana antes de morrer. 

Sobre a vida deste homem há muitos mistérios e também filmes (rs), a saber: The Buccaneer (Lafitte, o Corsário (Brasil) – 1938 e O Corsário sem Pátria de 1958 com um super elenco (Yul Brynner no papel de Lafitte, Charlton Heston interpretando o general Andrew Jackson, Inger Stevens, no papel de Annette Claiborne, a filha do Governador Willian Claiborne interpretado por E. G Marshal, Lorner Greene como Mercier. A direção foi de Anthony Quinn, todos sob a supervisão geral de Cecil B. DeMille, o cineasta). Provavelmente existam outros filmes contando os episódios da confusa história de Jean Lafitte.

Herói na Louisiana, herói nacional dos EUA. Porém, o caminho que o levou a se tornar herói de uma das maiores nações de nosso mundo foi a intriga, pirataria, contrabando, vidas e outros tantos crimes.

 Jean Lafitte, pirata, corsário e contrabandista.

 



Fonte e fotos: Internet

 

Pesquisa e texto: 

Renato Galvão - Artista Plástico, escritor e "dublê de Colunista"

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