O MAR DE ARAL, O MAR QUE O "OURO BRANCO" SECOU.

Mar de Aral (Mar de Ilhas em português), apesar do nome, era o quarto maior lago do mundo. Um lago de água salgada que ficava localizado na Ásia Central. Com extensão de 68000 km², superfície de volume d'água de 1100 Km², profundidade aproximada de 80 metros e comprimento de 430 Km, banhando mais 1500 ilhas e os países  Cazaquistão ao norte e o Uzbequistão ao sul. Seu volume d'água era provido por dois principais rios da região: Syr Darya e Amu Darya. 

Em 1918, os soviéticos resolveram desviar grande partes das águas dos rios que alimentavam o Mar de Aral, para irrigar suas plantações de algodão. O desvio das águas dos rios Syr darya e Amu darya, não foi por questões de sobrevivência ou para o cultivo de alimentos como foi divulgado por anos nos meios de comunicação para tentar esconder ou justificar uma das maiores catástrofes ambientais provocadas pelo homem. O intuito era e sempre foi por questão financeiras e poder aquisitivo de uma nação que acabara de sair da 1ª Guerra Mundial. Naquela época o algodão era supervalorizado chegando a ser chamado "ouro branco". Sem os rios para abastecer o mar (de Aral), não só seu tamanho original foi diminuindo com o passar dos anos, como também, registrou-se o aumento de sua salinização, matando espécies marinhas e destruindo em definitivo sua biodiversidade. 

O Mar de Aral era um dos componentes que compunha a chamada Bacia Endorreica da Ásia Central, cujo suas águas alimentam os lagos da região ocidental asiática como o Mar Cáspio e o Mar Morto. Tendo como principais afluente os já citados rios Amu Darya e Syr Darya. Amu Darya é o rio de maior extensão da Ásia com sua nascente localizada nos montes Pamir no território do Tajiquistão. Percorria uns 2.500 km antes de desaguar no então fértil Mar de Aral. Já o rio Syr Darya nasce do encontro de outros dois rios ( Rios Naryn e Kara Daryan) e percorre 2200 km antes de desaguar no sofrido Mar de Aral. Assim acontecia até 1918. Esses rios, além de abastecer o Mar de Aral com seus volume d'água, também contribuíam e abasteciam com os recursos naturais, que elegeram o Mar de Aral como um indispensável reduto biológico em plena região desértica da Ásia Central, um verdadeiro oásis. 

Se os afluentes que abasteciam o Mar de Aral o haviam transformado num oásis. Por outro lado, por não ter saída para o mar, eles depositavam uma quantidade sais trazidos por suas águas e com o passar dos milênios, transformaram as águas do Mar de Aral salgadas. Mas, até então, era tudo regido pela natureza. Ai apareceu o homem que, já havia desviado o curso dos rios para irrigar suas plantações, instalando indústrias ao longo destes mesmos rios. Com a agricultura agressiva  extensiva e a industrialização ao longo dos rios, o Mar de Aral passou a receber de seus afluentes pesticidas, agrotóxicos e efluentes despejados por agricultores e indústrias nas águas dos rios, principalmente, após o término da 1ª Guerra Mundial. O resultado dessa agressão a natureza, ao passar do tempo, devido a concentração de poluentes e aumento da salinidade, reduziu a população de peixes e outras espécies de animais marinhos que  habitavam as águas do Aral, caracterizando assim, a grande perda da biodiversidade.

Cidades e População:

Com o elevado nível de poluição e a consequente desertificação do Mar de Aral, grande parte das cidades foram abandonadas e aqueles que nelas estavam procuraram outros caminhos ou cidades para morar, longe do que foi um dia um mar que provia trabalho e alimento. Aos que insistiram em ficar nas comunidades ribeirinhas, sofrem com sérias doenças, inclusive taxas elevadas de ocorrências de vários tipos de câncer. Essas taxas e doenças são consequências do elevado índice de metais pesados e substâncias tóxicas oriundas da areia do que um dia foi o fundo do Mar de Aral. Além disso, com a redução drástica do mar, que hoje conta com menos de 10% da antiga superfície que chegou a ter 1100 km² de volume d'água, o clima na região transformou-se em mais seco, invernos mais frios e verões mais quentes. Ventos extremamente quentes, nuvens e tempestades de areia, açoitam o que restou do Mar de Aral.

Providências?

Bom, em 1987 a redução do nível  de água recebida dos afluentes pelo Mar de Aral se tornou tão grande que bancos de areia surgiram dividindo-o em Mar de Aral do Sul e Mar de Aral do Norte. Embora o maior pico na redução de água tenha sido registrado em 1987, outros registros no período de 1960 a 2007  apontam redução com níveis elevados nos volumes d'água recebidos pelo Mar de Aral.

Visando amenizar os problemas causados na região de Aral, os governos locais se reuniram para traçar uma estratégia que devolva o Mar de Aral seu antigo nível de água fornecido pelos seus afluentes, segundo eles, melhorando os meios de irrigação mau executado e que, certamente, eles não admitem. Pasmem! Nada foi resolvido nesta reunião, pois o uso das águas do rio Amu Darya é utilizado em níveis altíssimo pelo Uzbequistão na indústria de algodão.

Em fim, em prol do "Ouro Branco" mata-se uma, outrora, fértil região.

 

Fontes: InfoEscola, bbcnews, National Geographic Portugal e Wikipédia

Fotos: Internet free 

Pesquisa e Texto: Renato Galvão




 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Destaque do mês

ZACHARIA SITCHIN - Escritor, Historiador e Pesquisador

Há escritores que por sua incessante busca da verdade e por não aceitar as “verdades” que nos impõem, transformam-se em grandes pesquisadore...

Preferidas do Público