NELL MORATO: Talento, garra e superação

 

 

Nell Morato é gaúcha, formada em Contabilidade. Autora do romance, ENSAIOS PARA A LUA DE MEL, poesias registradas no livro FRAGMENTOS DE UM DESEJO e da Coletânea UM PASSEIO ENTRE CONTOS E CRÔNICAS e muito mais. É ativista literária, atua como editora responsável pela área de marketing, na LEIA LIVROS EDITORA, revisão de textos e administra o importante site ALMANAQUE LITERÁRIO.

Mas, deixemos Nell Morato contar sua própria história...

 




O início e a “volta por cima”. 

No ano de 2012, quando entrei num programa para parar de fumar, o meu cérebro jamais poderia imaginar uma volta ao passado, e com toda a bagagem e experiência adquirida no decorrer dos anos.  Difícil entender?  Eu continuo me surpreendendo com as transformações.  O médico disse que o meu cérebro oxigenou.  Arejou, limpou, voltou a ser jovem, com a mesma determinação que era uma característica da minha vontade. Apaguei as lembranças dos últimos anos de fumante.  Guardei em uma cápsula e abri o velho baú de madeira entalhada, repleto de recordações, planos, projetos e uma vivência feliz e colorida.

E no velho baú eu reencontrei um amor eterno.  Tão verdadeiro que jamais será esquecido, viverá para sempre e eternamente. O reencontro me fez recordar de momentos encantadores, e por dias e dias eu acordava, pensava, dormia, sonhava com uma torrente de pensamentos desordenados.  Até o dia em que acordei pensando em escrever um livro.  Não um livro qualquer, a história de um amor verdadeiro e único.

E durante os dias que se seguiram, eu fui sonhando e escrevendo. Escrevendo e sonhando mentalmente, e a história foi sendo esculpida dentro de mim. E agora?  Faço o quê?  Nunca em minha vida conseguira escrever os meus pensamentos ou materializar em letras o que acontecia na minha mente. E a dúvida me perseguiu por alguns dias.  E ao término de uma reunião de ex-fumantes, comentei com a coordenadora, uma pessoa incrível que me incentivou a escrever o livro, dizendo que ela seria a primeira pessoa a ler.   Entregou-me uma pequena mensagem num cartão, que dizia: “Acredite um pouco mais na força de sua própria intuição. Muitas vezes deixamos de realizar algo de bom ou que nos favoreça simplesmente porque achamos tudo muito difícil e por isso nem começamos”.  Após a leitura, a decisão foi tomada e eu escreveria o livro. Por três dias, abria o notebook e ficava olhando para a tela.  Criei os personagens e nomeei o elenco.  Pesquisei muito para compor os cenários, onde poderia ambientar o romance, e em todos os pequenos detalhes que envolvem a vida das pessoas, e que deveriam constar na história.  Mas não conseguia iniciar o texto.

Após um sonho, ao acordar no quarto dia, eu decidi começar a escrever.  E depois de toda a minha indecisão, as palavras fluíam naturalmente. Como se eu estivesse habituada a escrever todos os dias. Fiquei transcrevendo meus pensamentos, por mais ou menos dois meses. Não lembro quantas páginas do Word, mas meu filho disse:  não basta, um livro que se preze precisa ter no mínimo 200 páginas. E agora?  Retornei ao baú de recordações. E depois de uma noite bem dormida, acompanhada de belos sonhos, eu acordei sabendo o que precisava fazer para concluir o meu livro. Então, eu dormia, sonhava, acordava e escrevia.  Enquanto trabalhava, eu pensava no livro. Na rua, na condução, eu pensava no livro.  O livro ocupava minha mente 24 horas/dia. E enfim, ficou pronto... E no baú de recordações eu encontrei o título “Ensaios para a lua de mel”.

Até aqui, o meu pensamento era escrever esse livro. Não pretendia escrever outros, ou melhor, sequer havia pensado na possibilidade de me tornar escritora e também não conhecia o mercado literário... Era fevereiro de 2013.

 

ENSAIOS PARA A LUA DE MEL

Um homem e uma mulher com 50 anos de idade. Um inesperado encontro em Londres mudou suas vidas para sempre. Repentinamente eles foram invadidos por um amor arrebatador, que levou para longe a prudência, a timidez e o medo.

Já estava determinado no Universo? Eles já se conheciam sem nunca terem se visto? E o sexo? Em sua primeira experiência sexual, depois do surpreendente encontro, entre um botão aberto e um beijo, descobriram que se pertenciam para sempre. Sam não sabia se aguentaria todas as surpresas daquela mulher deslumbrante. Teria que se preparar para ela, todos os dias apagar um incêndio no corpo sedutor. Laura estava encantada e não conseguia controlar sua sexualidade.  Só pensava em sexo com ele, revelando-se altamente criativa. Em meio a fantasias de personagens de conto de fadas, encurralados em alguma parede em seus aposentos, uma mulher e um homem estarão se amando explicitamente e com todos os detalhes revelados.

O romance de Sam e Laura Walker é encantador e com todo o glamour de Hollywood. O sexo? Bem... Enquanto esperam pelo casamento, divertem-se ensaiando para a lua de mel. 

Seguimos... 

Lembro-me da empolgação ao concluir meu livro, Ensaios para a lua de mel, da possibilidade de publicação e, logo em seguida, a realidade adiando tudo. A decisão pela autopublicação e a invasão das redes sociais, com o único objetivo de divulgar o livro.

Pensando agora, eu não sabia que algo diferente poderia acontecer. Tudo foi minuciosamente planejado. Eu tinha o controle e pretendia divulgar meu livro e conhecer leitores. Sequer poderia imaginar o que existia no Facebook ou no Twitter. Grupos de ajuda e compartilhamento; escritores dos mais variados gêneros; editoras grandes, médias e pequenas; poetas e poesias. O universo literário digital.

Cada dia me envolvia mais e mais com o mundo, no qual não pretendia viver. O objetivo era o livro, porque eu seria autora de um só livro. E depois... voltaria para meu mundo real. Não apreciava poesia e conheci um poeta que é pura poesia. Que respira, que exala poesia em todas as suas palavras. E eu? Deixei-me levar, como se hipnotizada estivesse, pela beleza das palavras e da descoberta de ser poesia e de viver poesia. De poder aliviar a dor ou libertar uma pobre alma aprisionada. Nos primeiros anos nas redes sociais, escrevi em blogs e sites como colaboradora, desnudando a minha alma. Tudo escrito com a emoção que alimenta a minha vida.  Muitas dessas crônicas estão inseridas na compilação, textos escritos em 2014, 2015 e 2016.

Conheci pessoas, escritores, ignorantes, e alguns que não valiam uma curtida sequer no Facebook. Aprendi a viver nas redes sociais, onde falta o olho no olho e eu era inexperiente, sentia-me como a “Chapeuzinho Vermelho”, enganada pelo Lobo Mau. Faz parte do aprendizado. Nós caímos, levantamos e seguimos em frente, com alguns arranhões, é verdade, e também mais experientes e dispostos a explorar uma terra maior.

Quem sou eu? Nada. Ainda nada sou, repetia incansavelmente, para não esquecer que o caminho é forrado de pedras. Às vezes, de pequenas pedras brancas, lisas e de fácil caminhada, em outro ponto voltam as pedras ásperas e pontiagudas e é o momento de descansar, repensar o trajeto e ver se vale a pena seguir naquele caminho ou procurar uma passagem secreta.

Participei de algumas coletâneas em Lisboa, assim como concursos.  É muito pouco, não representa quase nada. Mesmo com a mente repleta de textos e mais três livros (engavetados), sequer posso pensar em me programar para escrever, dedicar-me inteiramente. Ser agarrada pelos personagens e viver entre eles e com eles por um longo tempo. Tem algo muito maior que me envolve, que ocupa minha atenção. Depois de seis anos, posso dizer que criar conteúdo na internet tem reconhecimento.

Houve um período em que lutei em guerras que não eram minhas. Duelei com falsos inimigos e a angústia foi crescendo no meu peito. E o falso algoz me mostrou a verdade, a verdade no reflexo do espelho.  Comecei a ver que a minha vida estava distorcida, disforme, não era nada daquilo que eu queria para mim. Estava sufocando.

Eu, uma romântica rebelde, com o pensamento totalmente diferente do grupo em que estava inserida... E a ruptura seria inevitável... e aconteceu.  Estava fora do contexto e, eu precisava de liberdade. Com assuntos ou debates polêmicos é que se pode determinar a qual grupo pertencemos, ou a nenhum. 

Uma indescritível sensação de liberdade tomou conta de mim, eu estava de volta ao caminho, do qual nunca deveria ter me desviado.  Quando eu mergulhei inteira na poesia e passei a sentir o cheiro do mar ao olhar uma imagem, a ver a beleza na teia das aranhas, ou a bater de “cara” nos postes da via pública, com os olhos voltados para o belo cenário do céu azul, eu compreendi que estava de volta em mim.  E então, juntei as poesias em Fragmentos de um desejo. Pura emoção...



FRAGMENTOS DE UM DESEJO: São escritos do coração, da alma, do sentimento que tenho dentro de mim. Poesias que falam de amor, de desejo, de saudade, de amor não correspondido, de solidão. De um amor que vivi e de outros que nunca existiram. Do amor que habita minha essência, que vira poesia para não sufocar o poeta.

  

“Não adianta querer o mundo

se você não está preparado para ele.”

Nell Morato


  Transcrevo aqui um comentário do amigo poeta, Diego Brum, que costumava ler a minha alma:

“Ser escritor é uma maneira de viver a vida, é uma forma única de descobrirmos a essência das coisas e das pessoas, às vezes percebemos que através da escrita, projetamos o nosso reflexo nos outros, e projetamos em nós aquilo que as pessoas possuem de belo. A tua alma é bela, mas bela de uma forma única, e através da escrita, tu demonstras a tua própria essência, a tua própria forma de sentir a tua própria vida fluindo através do tempo, e é isso que conquista as pessoas, a maneira como tu és, nunca deixando de ser autentica, e é essa autenticidade que tu empregas na tua alma, que faz tu seres a Nell que todos nós admiramos, um grande abraço, e sigas com o coração nos caminhos dos teus sonhos...”

A maneira como eu estava vivendo não me fazia feliz, pelo contrário, nem escrever eu conseguia... estava secando, como uma planta ao sol no verão. Voltei ao meu caminho e reformulei tudo. Diminui a atividade na internet, porque “escrever é o meu ofício". A maioria dos textos da compilação foram escritos em 2014, quando eu ainda podia dispor de muito tempo livre. 

Sou uma escritora apaixonada pelo amor.  Independente das adversidades eu acredito no amor verdadeiro. Como escrevo em meus textos, porque eu não falo do amor de outras pessoas, falo do amor que tenho dentro de mim, da mesma forma que da amizade e do respeito. Sou apaixonada pela vida simples, pela primavera vestida de margaridas.

 Nell Morato vem nos presenteando com várias obras literárias, a saber:

 

 UM PASSEIO ENTRE CONTOS E CRÔNICAS

A autora faz um passeio entre contos e crônicas escritos desde 2014. Textos inéditos e outros divulgados nas redes sociais e agora reunidos na compilação. Contos que participaram de concursos literários, crônicas do cotidiano e frases, que representam o seu pensamento, sobre amor, amizade, preconceito e tantos outros sentimentos.

 

 

 


"A emoção com que escrevemos um texto ou poesia pode ser sentida por quem lê.  Às vezes é tão forte, tão intensa a paixão, que nos transportamos para dentro do texto, e o que brota de nossa alma se mostra tão arrebatador que não desejamos mais voltar."


  


 

A Distopia.

Em 1868, o filósofo John Stuart Mill, num discurso no Parlamento popularizou o termo “distopia” para indicar o oposto da utopia. “O que é demasiadamente bom para ser tentado é utópico, o demasiado mau é distópico.” A distopia, uma forma de utopia negativa. O pessimismo dá o tom das narrativas, que mostram um mundo sombrio e pessimista, um futuro no qual ninguém gostaria de viver. Tanto a utopia quanto a distopia seriam reações ao presente.

 “O caos é uma completa desordem, como se o planeta fosse virado do avesso. No futuro de uma sociedade distópica, o caos é intolerável e as bestas reinam absolutas, provocando privações, desespero e perdas...”. esta é “... Uma obra literária que descreve sociedades hipócritas e totalitárias. Excelentes textos narrados no futuro, em 2077 e além.”

 





Neste ambiente literário, Nell Morato foi convidada a compor e se integrar aos convidados do idealizador da obra e escritor Luiz Amato. 2077 foi publicado pela Leia Livros Editora em sua 1ª Edição com 284 páginas em 2020.

“...Não achei que pudesse escrever distopia ou qualquer outra coisa que não se relacionasse com romance...” 


Importante:

Nell Morato também escreve textos sobre o cenário literário. Estes textos você poderá ler na Revista Divulga Escritor, onde a Autora é colaboradora ou no blog Escritaria no site da Leia Livros Editora.

     

 

A Literatura me dá a liberdade de ser eu mesma e, percorrer caminhos desconhecidos na minha própria essência. Vivo e sinto tudo com emoção porque: “a vida é um espetáculo e sempre vou querer estar no palco”.


 

Nell Morato: Talento, garra e superação

 

 

 

 Contatos:

http://www.almanaqueliterario.com/

http://www.leia-livros.com/

https://www.leia-livros/blog (Escritaria)

https://www.facebook.com/nell.morato

https://flalfestival.com/

nell.morato@gmail.com

 

 Fonte e Fotos: Nell Morato 



 

 

 

 

Comentários

  1. Muito bom conhecer gente assim. Maravilha.

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    1. Obrigado. Não deixe de visitar o site www.almanaqueliterario.com
      tem muito conteúdo de qualidade. Feliz Natal!

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