Quem foi JOHN Winston LENNON? - Capítulo I - Um encontro fatal

John Lennon autografando disco para Mark Chapman, seu assassino - Divulgação
No último mês de dezembro de 2020, completou-se exatos 40 anos em que um dos maiores astros do Roch´n Roll mundial foi assassinado. Na entrada do edifício Dakota em Nova Iorque nos EUA, quando voltava de seus compromissos, John Lennon atende ao grito de um fã de nome Mark David Chapman que, alguns minutos antes, havia lhe pedido para autografar o álbum “Double Fantasy”, lançado um mês antes. John se vira para atender o suposto fã, porém, este dispara quatro tiros em direção do astro. O alvo de Mark Chapman é atingido por três das quatro detonações e uma dessas rouba a vida de John Lennon rompendo sua artéria, era 8 de dezembro de 1980. Os disparos de Mark Chapman não apenas usurpavam a vida de um ser humano, mas encerrava a carreira do mais importante integrante da maior e mais revolucionária banda de Rock de todos os tempos. Mark Chapman havia planejado sua investida minuciosamente por meses e tinha ciência das consequências de tais atos. Dos quatro tiros disparados, um atingiu as janelas do edifício Dakota chamando atenção do porteiro que, numa atitude corajosa, investe contra o louco fã conseguindo desarmá-lo.


Autografo dado por Lennon ao disco de Chapman horas antes do assassinato 
Divulgação
As investigações e perícias do caso chegaram à conclusão de que a alegação de Chapman que havia sido motivado pelas declarações de John Lennon dizendo que “os Beatles eram mais populares que Jesus”, considerado uma blasfêmia pelo algoz do cantor, não condiziam com a verdade e com o motivo de seu crime. Ainda em seu depoimento, Chapman alegou que condenava a imaterialidade e a paz propagada por John Lennon, enquanto o astro faturava milhões de dólares, acumulava patrimônios e enriquecia a cada dia mais. Mas, Chapman, apresentava controvérsias em seus vários depoimentos, controvérsias estas que desfilavam entre crenças religiosas, fama adquirida com a cobertura do crime praticado e até argumentos de loucura.  

As investigações concluíram também que muito antes das declarações de John Lennon, Chapman já preparava seu crime. As balas usadas para o intento foram modificadas pelo assassino, estas tinham a ponta oca. Desta maneira, tais artefatos possuem propriedades de se expandir quando atingem o corpo humano, causando ferimentos letais, muito mais letais do que um projétil comum. Mark assinou sua ficha de cadastro para hospedar-se num hotel em Nova York como John Lennon.


Depoimentos e alegações de Mark David Chapman


Fotografia carcerária tirada em 1998 com
Mark Chapman na cadeia - Divulgação
Primeiramente Mark alegou “ouvi vozes antes de cometer o crime”. Apesar desta alegação, o assassino, não foi diagnosticado com transtornos mentais. Aliás, seus exames apresentaram negativa quanto a ser um perturbado mental. Dizia-se fã incondicional dos Beatles e tinha John Lennon como seu ídolo e após começar a praticar sua religião mais seriamente, sentiu que tudo mudaria. Denominava-se um “cristão renovado” e consequentemente passou a odiar as letras das músicas de John Lennon, principalmente “God” que tem trechos em que o cantor dizia não acreditar em muitas coisas, como por exemplo, “Deus é um conceito, Pelo qual nós medimos, Nossa dor. Eu vou dizer novamente. Deus é um conceito, Pelo qual nós medimos, Nossa dor” e “Eu não acredito em Bíblia” ou “Eu não acredito em Jesus”, além de declarar que “o sonho acabou”, referindo-se aos Beatles.


Álbum 'God" - Divulgação 
Num de seus depoimentos Chapman declara: "Escutava essa música (“God”) e ficava bravo com ele por dizer que não acreditava em Deus... E que não acreditava nos Beatles isso foi outra coisa que me enfureceu, mesmo o disco tendo sido lançado pelo menos 10 anos antes. Queria gritar bem alto 'Quem ele pensa que é para dizer essas coisas sobre Deus, o paraíso e os Beatles?' Dizer que não acredita em Jesus e coisas assim. Naquele ponto, minha mente estava passando por uma escuridão de raiva e ira." Seguiu seus depoimentos contando que após a divulgação da canção” Imagine” em 1971, sua irá atingira níveis elevados de ódio, revolta e desprezo. “Ele nos diz para imaginarmos que não existem posses ou bens materiais e lá estava ele, com milhões de dólares, iates, fazendas e mansões, rindo de pessoas como eu, que acreditaram em suas mentiras, compraram os discos dele e alicerçaram boa parte de suas vidas com as músicas dele”.


John e Yoko saindo
do edifício Dakota - Divulgação
Embora alegasse motivos religiosos, Mark Chapman admite em seus depoimentos que John Lennon era um alvo fácil e de grande projeção por isso foi escolhido por ele. Diz textualmente que poderia tentar outros alvos como o apresentador de TV Johnny Carson ou Elizabeth Taylor, porém, na audiência de 2010 deixa claro que tinha a intensão de obter fama com seu ato criminoso quando declara “... Senti que matando John Lennon me tornaria alguém...”, mas, “... em vez disso tornei-me um assassino, e os assassinos não são alguém..."




Álbum Imagine - 1971

Em 2014, o algoz do astro do rock revela que sua missão é falar sobre Jesus e diz que não mais era “...o homem que buscava fama através da morte do ex-Beatles”. Ele acreditava ter sido perdoado por Deus e está “... ansioso para passar os dias – dentro ou fora da prisão – pregando o evangelho às pessoas...”.

Em declaração ao PortalG1 em 2016, Yoko Ono declara que após os 26 anos passados, ela ainda não podia ou não tinha capacidade de perdoar o assassino de John Lennon e completa sua declaração “...Como viúva de alguém que foi morto por um ato de violência, não sei se estou pronta para perdoar àquele que puxou o gatilho... Tenho certeza que todas as vítimas de crimes violentos sentem-se como eu...”.  



Em setembro de 2020, Mark Chapman manifesta seu arrependimento declarando: “Eu sabia que era errado. Uma palavra, apenas glória. É isso. Ele era famoso, extremamente famoso. Por isso estava no topo da lista. Quero acrescentar e enfatizar que foi um ato extremamente egoísta. Sinto muito pela dor que causei a ela (referindo-se a Yoko Ono), eu penso nisso o tempo todo”. Mark David Chapman foi condenado a prisão perpétua em 1981. De 2000 até 2020, seus advogados, por várias vezes impetraram pedidos de liberdade condicional, porém, todos foram negados veementemente pela Corte de Nova York.

Independente de qualquer alegação ou suposto motivo, o fato é que ninguém tem o direito de julgar, condenar ou interromper a vida de quem quer que seja. Não importando que a vítima seja um ateu aos olhos de quem o julga. Cada um acredita no que quiser, desde que sua crença não promova revolta, preconceitos ou qualquer outros atos desumanos, cruéis e violentos. 

O próximo capítulo abordará o homem John Lennon e sua vida nos bastidores da fama. Vocês surpreenderão com os relatos de sua governanta Doroty, com os depoimentos de Juliam e Sean Lennon e muito mais. 

Não percam o próximo  episódio: "Quem foi JOHN Winston LENNON...  Em família."


Fontes:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/acusacoes-de-agressao-e-infelidadeo-lado-b-de-john-lennon.phtml

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/aniversario-morte-john-lennon-mark-chapman.phtml

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/palavras-finais-de-john-lennon-segundo-yoko-ono.phtml

https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-sobre-o-assassinato-de-john-lennon-balas-de-ponta-oca-foto-iconica-e-mais/




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