Constelação de Órion - Epílogo: A explosão de Betelgeuse

Representação artística da estrela e sua nebulosa
Foto - Divulgação
Descrição Classificatória

Betelgeuse é uma estrela Alpha Orionis de brilho variável sendo a 10ª ou 12ª estrela das mais brilhantes que podem ser admiradas a olho nu pelos humanos que habitam a Terra. Segunda em brilho localizada na Constelação de Órion e apesar de designada por Bayer como alpha, não é mais brilhante que a estrela Rígel, uma Beta Orionis, no comprimento de ondas visíveis. Mas, ostenta o maior comprimento de onda infravermelho em nosso céu.

A nossa bela estrela brilhante, integrante do mais belo quadrilátero dos nossos céus com as Três Marias ao centro, é uma Super gigante vermelha. Estrelas deste tipo, são massivas que deixaram para trás a sequencia principal e entraram nas últimas etapas de evolução. Consomem o próprio combustível muito rapidamente e tem vida durável por alguns milhões de anos. Estrelas como Betelgeuse classificadas como de classe O da sequência principal, já consumiram todo o hidrogênio de seus núcleos, o que resulta em contração do núcleo pela força da gravidade. Para amenizar ou balancear tais núcleos que se tornaram mais quentes e densos, camadas externas da estrela expandem-se e esfriam-se. Conquanto o estado evolutivo exato de tais estrelas seja desconhecido, o que se tem é a probabilidade que a estrela Betelgeuse esteja, nos dias atuais, derretendo hélio, gerando assim, carbono e oxigênio em seu núcleo, com uma camada de fusão de hidrogênio ao redor do mesmo núcleo. Betelgeuse é uma estrela massiva o suficiente para iniciar a fusão de componentes mais pesados, enfrentando etapas de fusão de carbono, neônio, oxigênio e silício, até que seu núcleo se transforme em ferro e, certamente, um colapso acontecerá, gerando o que os astrônomos chamam de supernova de tipo
II.


 

Betelgeuse - Créditos Babak Tafreshi  Nat Geo Image Collection - Foto - Divulgação


Acontecimentos recentes

Close de Betelgeuse - Foto - Divulgação
Acredita-se que em 100.000 anos Betelgeuse explodirá como uma supernova quando seu núcleo entrar em colapso. Por outro lado, o escurecimento repentino da estrela observado no final de 2019, mais precisamente no mês de outubro, chamou a atenção de seus observadores, pois não era necessariamente um sinal de uma supernova iminente. Como uma estrela variável e semi irregular pulsante, Betelgeuse apresenta vários ciclos de aumento e diminuição do seu brilho, causado pelas alterações de seu tamanho e temperatura. Richard Wasatonic, Edward Guinan e Thomas Calderwood, astrônomos da Universidade Villanova, notarem o escurecimento de Beltegeuse em 2019. Eles teorizam que tal escurecimento observado na estrela pode ser uma coincidência de um ciclo de luz normal mínimo de 5,9 anos, tendo como fatores de condução um período de 425 dias mais profundo do que o normal. Os astrônomos acreditam que pode haver outras causas possíveis, entre estas, uma erupção de gás ou poeira ou ainda flutuações no brilho da superfície de Betelgeuse.


Escurecimento de Betelgeuse - Foto Divulgação
Fonte: Miguel Montargès - Observatório Europeu do Sul
Seguiu-se observando a estrela e em janeiro de 2020, a segunda estrela mais brilhante na Constelação de Órion, diminuiu aproximadamente seu fator de 2,5 de sua magnitude de 0,5 a 1,5, observando-se magnitude mais fraca em fevereiro, um mínimo recorde de +1.64. Naquele momento Betelgeuse tornara-se “menos brilhosa e mais fria” observados nos últimos 25 anos de estudos da mesma, calculando-se a diminuição de raio.



Chamou também a atenção dos observadores em meados de fevereiro de 2020 que a forma aparente da estrela havia mudado com sua luminosidade diminuída cerca de 36% do seu brilho normal, mudança perceptível até mesmo a olho nu. Logo depois, seu brilho caiu para 40% de um total de 100% usual. Em 14 de fevereiro do mesmo ano, a média de temperatura da superfície da estrela foi registrado na casa dos 3.325° C. Chegou-se à conclusão que a temperatura da superfície da estrela está 50-100°C mais frio do que em 2004, segundo cálculos feitos pela equipe de astrônomos. Porém, no finalzinho de fevereiro, Betelgeuse voltou a brilha mais forte novamente.



 

Escurecimento de Betelgeuse - Foto Reprodução


Um verdadeiro alvoroço tomou conta do meio científico e na mídia, acreditando-se que o evento observado em Betelgeuse era um presságio para uma grande explosão iminente da estrela. Mas, do nada, o evento de escurecimento parou. Realizaram então, um estudo examinando a luz ultravioleta emitida por Betelgeuse durante o evento de escurecimento. Valendo-se do telescópio Hubble, cientistas observavam a estrela quando o evento de escurecimento aconteceu. Os pesquisadores descobriram uma massa de material brilhante e quente deslocando-se para fora do hemisfério sul de Betelgeuse cerca de 320.000 k/h, sendo ejetado para o espaço. Então, concluíram que o referido material pode ter sido o causador do resfriamento à medida que se movia pelo espaço, formando uma densa nuvem de poeira que ofuscou parcialmente o brilho de Betelgeuse.


Nebulosa em torno de Betelgeuse
Foto Divulgação

E o que temos de concreto na possível explosão da estrela Betelgeuse?

Bom. Podemos afirmar que temos estudos, suposições e teorias. Esta estrela ainda viverá pelos próximos 100 mil anos. Betelgeuse tem cerca de 8,5 milhões de anos e a aproximados 1 milhão de anos, deixou de ser jovem para se transformar numa estrela madura. Naqueles tempos, era extremamente quente de brilho branco-azulado, maior do que a massa de nosso Sol 10 a 25 vezes. Sabemos que estrelas com massa equivalente à Betelgeuse “vivem” intensamente, porém, são detentoras de uma vida relativamente muito curta. Estudos informam que Betelgeuse esfriou-se tornando-se uma super gigante vermelha cerca de 40 mil anos atrás.




Proporções de Betelgeuse - Foto Divulgação
Em 1836, John Herschel, um astrônomo inglês, observando a estrela, notou a brilho variável de Betelgeuse, ele foi o primeiro a iniciar estudos e divulgar tal instabilidade da estrela. Dali em diante, cientistas se voltaram para o caso e passaram a observar e estudar a estrela, desejosos por assistirem o momento em que ela explodiria transformando-se em uma supernova. O que temos de concreto é que só a daqui 100 mil anos isto acontecerá e quando acontecer, será um belo espetáculo, pois ela mostrará aos seus da Terra um brilho forte como o de Rígel, a mais brilhante da Constelação de Órion, a sétima mais brilhante que admiramos a olho nu. Antes, porém, Beltegeuse mostrará um brilho reduzido em escalas para menos, informando sobre seu processo de colapso iminente, explodindo definitivamente. Devido ao que deverá acontecer daqui a 100 mil anos, o escurecimento observado em 2019/2020, causou espanto a comunidade científica e todo o alarde registrado pela mídia. Mas, em defesa dos astrônomos, essa preocupação não é infundada, pois a estrela apresentou uma redução em seu brilho cerca de 25% de setembro de 2019 a janeiro de 2020, deveras preocupante.

Apesar das teorias e estudos, permanece o mistério das possíveis causas da redução do brilho ou escurecimento acontecido em Betelgeuse. Uns acreditam que a causa é um possível resfriamento acontecido na superfície da estrela. Outros apontam para uma gigantesca nuvem de gás e poeira que fora ejetada da estrela em direção a Terra e apanhada pelas lentes do Hubble, pois se baseiam nas características que têm as super gigantes vermelhas de expelirem imensas quantidades de materiais antes de explodirem e se tornarem supernovas e... sabemos que Betelgeuse está cercada por nuvens de poeira e gás.

Créditos: National Geographic - Foto Divulgação
Nossos cientistas não estão errados com suas teorias sobre o acontecido em Betelgeuse e divulgado de acordo com suas observações e estudos. Porém, pode se dizer, que ainda não há uma explicação definitiva para o caso. Há que se observar, analisar e estudar até que se tenha a resolução ou explicação para este mistério imposto pela super gigante vermelha Beltegeuse.


Enquanto isso, seguimos admirando o brilho de Betelgeuse, a estrela que forma o famoso quadrilátero da Constelação de Órion que cerca as estrelas Mintaka, Alnitak e Alnilam, as nossas belas Três Marias.  

 

 

 Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Betelgeuse

https://canaltech.com.br/espaco/nada-de-supernova-o-brilho-da-estrela-betelgeuse-voltou-ao-normal-entenda-161107/

https://www.youtube.com/watch?v=OxIX3IHUAGM&feature=emb_title

https://www.galeriadometeorito.com/2020/02/ela-voltou-estrela-betelgeuse-esta.html

https://olhardigital.com.br/2020/08/18/ciencia-e-espaco/estrela-gigante-betelgeuse-reduz-seu-brilho-novamente/

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/154670-betelgeuse-reducao-brilho-estrela-ganha-explicacao.htm

 



 

 

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