O Amor Mora ao Lado da Igreja - por Clayton Zocarato
No interior paulista, onde as ruas de paralelepípedo ainda guardavam o cheiro de chuva e as torres das igrejas marcavam as horas da cidade, Augusto acreditava que o amor era uma coisa perigosa. Não por ser pecado exatamente — embora tivesse ouvido isso muitas vezes nos encontros de jovens —, mas porque amar alguém parecia abrir um lugar vulnerável demais dentro do peito. Ele tinha dezessete anos e participava do grupo de jovens da paróquia Santa Cecília, em uma cidade pequena cercada por canaviais e silêncio. Aos sábados, os encontros aconteciam no salão ao lado da igreja, com cadeiras de plástico, violão desafinado e cartazes antigos de retiros espirituais pregados nas paredes. Ali, entr...