Lea - por Clayton Zocarato
Lea Houve um tempo em que o mundo ainda caminhava na velocidade das bicicletas, quando as tardes pareciam maiores que os calendários e os relógios respeitavam o silêncio dos apaixonados. Era a década de oitenta, um país que reaprendia lentamente a respirar liberdade depois de anos de sombras, enquanto as ruas voltavam a encher-se de vozes, bandeiras e esperanças. Entre uma passeata pelas Diretas Já e uma partida de futebol improvisada na rua, havia uma juventude que desconhecia a pressa dos séculos futuros. Os telefones moravam em orelhões coloridos, as cartas carregavam perfumes, as fotografias precisavam esperar dias para revelar a felicidade, e o amor ainda não cabia dentro de uma tela; cabia apenas dentro dos olhos. ...

