A vida perdeu o valor ou fomos nós que nos perdemos dela? - por Renata Gaia

 

Por que será que a vida anda tão sem graça?

Vivemos tempos em que a violência se banaliza: gente matando gente, mentiras sendo trocadas com naturalidade, corrupção escancarada e guerras cada vez mais alimentadas. A sensação é de que algo está desmoronando. Como se a luz estivesse se apagando, lentamente, diante dos nossos olhos.

Mas será que a vida perdeu a graça — ou foram os valores que desapareceram dela?

Os relacionamentos, que antes deveriam ser espaços de encontro, tornaram-se campos de disputa. A família, muitas vezes, funciona como uma empresa: cada um com sua função, sua obrigação, sua agenda. Levar os filhos à escola, às atividades, cumprir tarefas. Tudo funciona — mas pouco se vive.



Até mesmo a intimidade foi esvaziada. A relação sexual, que poderia ser expressão de conexão, virou obrigação ou, pior, um prazer solitário, egoísta e desconectado da verdade do encontro com o outro.

E, no meio disso tudo, estamos nós.

Seres humanos que, ao invés de conscientes, tornaram-se reativos. Escravos de impulsos, de comparações, de disputas invisíveis. Todos competindo — com ninguém e com todos ao mesmo tempo. Uma competição sem sentido, alimentada por ilusões, muitas delas reforçadas diariamente pelas redes sociais.

Que vida vazia é essa que estamos construindo?

Talvez este seja, de fato, o grande desafio da nossa era: confrontar o vazio para redescobrir o todo. Questionar o automatismo para recuperar a presença. Silenciar o ruído do ego para permitir que a voz da alma volte a existir.

Mas será que é tão difícil assim superar a reatividade?

Será que é impossível sair desse ciclo de pequenas disputas, dessa necessidade constante de provar valor, como se houvesse alguém melhor do que outro?

Somos todos finitos. Passageiros de uma mesma jornada chamada vida. E, se é assim, por que não escolher ser companheiros de viagem, em vez de adversários?



Talvez o que esteja faltando não seja mais informação, mais tecnologia ou mais conquistas externas.

Talvez esteja faltando algo muito mais simples — e, ao mesmo tempo, muito mais desafiador: consciência, presença, verdade, humanidade. E humildade.

A pergunta que fica é: até quando vamos continuar vivendo dessa forma?

Renata Gaia

Youtube: Renata Gaia

          Instagram:  @vivagaiadeluz



Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 



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