RuraLetras nasce na zona rural de Teresópolis unindo literatura, arte, música e saberes do campo



RuraLetras nasce na zona rural de Teresópolis unindo literatura, arte, música e saberes do campo

Primeira Feira Literária da Região Rural realizou sua estreia em Mottas e seguiu para Santa Rita, reunindo escritores, artistas, estudantes e comunidade em uma programação gratuita que aproximou livros, contação de histórias, música, artesanato, agricultura familiar e educação ambiental

A região rural de Teresópolis ganhou, em outubro de 2023, uma feira literária para chamar de sua.



A RuraLetras – 1ª Feira Literária da Região Rural nasceu com a proposta de descentralizar o acesso à literatura e às manifestações artísticas, criando espaços de encontro entre escritores, artistas, estudantes, professores, produtores rurais, artesãos e moradores das comunidades do interior do município.

Realizada pelo Jornal e Editora Alecrim, a primeira edição foi contemplada pelo edital Literatura Resiste, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ).

A estreia aconteceu nos dias 20 e 21 de outubro de 2023, na Praça de Mottas, no Terceiro Distrito de Teresópolis. Na semana seguinte, nos dias 27 e 28 de outubro, a programação chegou à sede Santa Rita do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis.

Durante os quatro dias, literatura, música, contação de histórias, oficinas de arte, rodas de conversa, poesia, artesanato, agricultura familiar e educação ambiental dividiram o mesmo espaço.

A iniciativa tornou-se também uma forma de reconhecer algo que muitas vezes permanece distante dos grandes centros culturais: a região rural não é apenas receptora de cultura. Ela também produz cultura, histórias, memória, conhecimento e identidade.

Mottas recebe a primeira RuraLetras

Foi em Mottas que essa história começou.

Na sexta-feira, 20 de outubro de 2023, a localidade recebeu a abertura da primeira edição da feira, reunindo personalidades e artistas ligados ao cenário cultural teresopolitano e aproximando a programação literária da população do Terceiro Distrito.

A escolha da região estava diretamente relacionada à proposta da RuraLetras: levar livros e atividades culturais para além do centro urbano e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para que os saberes e produtores das próprias comunidades rurais também ganhassem visibilidade.

Por isso, os livros dividiram espaço com o artesanato local e a agricultura familiar.

Autores e editoras puderam apresentar suas publicações, enquanto artesãos e produtores da região também encontraram espaço para expor seus trabalhos.

O resultado foi uma feira na qual diferentes formas de conhecimento puderam conviver.



Crianças encontram histórias, música e arte

A formação de leitores ocupou lugar central na programação.

Logo pela manhã, o Samburá de Histórias realizou atividades de contação de histórias e oficinas de arte, tendo à frente a escritora e contadora de histórias Cláudia Coelho, acompanhada pelas arte-educadoras Sandra Dias e Marlene Macedo e pelo músico Álan Magalhães.

As histórias ganharam acompanhamento musical e continuaram depois da narrativa por meio das oficinas artísticas.

Dessa maneira, as crianças puderam ouvir, imaginar, cantar, conversar e produzir.

Uma segunda atividade de contação e oficinas estava prevista para o início da tarde, novamente com o Samburá de Histórias, Cláudia Coelho e autoras presentes na feira.

A proposta ajudava a transformar o livro em uma experiência viva.

Mais do que colocar crianças diante de exemplares nas bancas, a RuraLetras procurou criar caminhos para despertar a curiosidade pela palavra, pelas histórias e pela criação artística.

Literatura para quem vive longe do centro

A realização da RuraLetras partiu também da percepção de que boa parte dos grandes eventos culturais costuma se concentrar nas regiões centrais.

Para quem vive em comunidades rurais, participar de uma feira, lançamento ou encontro com escritores frequentemente significa enfrentar deslocamentos maiores.

A RuraLetras fez o caminho contrário.

A feira foi até essas comunidades.

Essa característica foi destacada também pela imprensa local na cobertura da época: democratizar o acesso ao livro e às artes e permitir que a população que vive distante do centro pudesse participar gratuitamente das atividades estavam entre os principais objetivos da iniciativa.

A participação das escolas das localidades foi fundamental nesse processo, aproximando estudantes, professores e funcionários da programação e fortalecendo a relação entre educação e cultura.



Livros para permanecer depois da feira

A RuraLetras também nasceu com uma preocupação importante: fazer com que a presença da literatura nas comunidades não terminasse quando as tendas fossem desmontadas.

Por isso, uma das propostas foi incentivar a formação de bibliotecas comunitárias em Mottas e Santa Rita.

Durante o evento, foram realizadas ações de arrecadação de livros para doação e formação desses acervos.

Entre as publicações apresentadas na feira estavam títulos ligados à produção da Editora Alecrim, como as coletâneas “Poemas para Teresa”, “Letra & Música” e “Palavra em Ação II”.

A iniciativa reforçou um dos pilares da RuraLetras: estimular a circulação do livro para além do período de realização do evento.

Rodas de conversa aproximaram diferentes conhecimentos

A programação abriu espaço ainda para debates e encontros entre escritores, professores e convidados.

Entre os temas esteve a agricultura familiar, assunto especialmente significativo para uma feira realizada dentro dos territórios rurais.

Uma das rodas abordou o tema “Agricultura Familiar – Como crescer em família com união e sem conflitos”, com participação dos professores José Renato de Miranda e Alfredo Laufer e mediação do escritor e editor Gustavo Lucena.

Outras rodas reuniram professores, escritores e personalidades convidadas, criando espaços de diálogo entre literatura, educação e questões presentes no cotidiano das comunidades.

Também houve apresentação das autoras da coletânea “Poemas para Teresa”, lançamentos de livros e encontros entre escritores e leitores.

RODA DE CONVERSA - CLÁO JORDÃO SEC. DE CULTURA, ILNA GALLO, GUSTAVO LUCENA. A ROQUE, MATHEUS MOURA E ÁLAN MAGALHÃES

Microfone aberto para a poesia

A palavra também ganhou liberdade durante os saraus.

Parte da programação reservou espaço para poesia, apresentações espontâneas e microfone aberto, permitindo que autores, convidados e participantes compartilhassem suas produções.

A proposta reforçou o caráter comunitário da RuraLetras.

Em vez de estabelecer uma divisão rígida entre quem estava no palco e quem estava na plateia, a feira abriu possibilidades para que diferentes vozes participassem.

Era uma feira para encontrar escritores, mas também para descobrir escritores.

Para ouvir histórias, mas também para perceber quantas histórias existem nas próprias comunidades rurais.

Mandacaru Carioca leva música à feira

A literatura dividiu espaço com outra importante linguagem artística: a música.

Entre os destaques da programação esteve o Mandacaru Carioca, com Álan Magalhães no vocal e violão, Alcir Passos no baixo, Bombril na percussão e Oziel Moreira nos teclados.

A programação contou ainda com momentos de voz e violão relacionados aos músicos e autores da coletânea “Letra & Música”.

Essa integração ajudou a construir a identidade multidisciplinar da RuraLetras: uma feira literária na qual a palavra podia aparecer impressa em um livro, declamada em um poema, contada para uma criança ou transformada em canção.

Artesanato, agricultura familiar e sustentabilidade

A identidade rural também esteve presente nas atividades paralelas.

Enquanto aconteciam as apresentações, o público podia circular pelos espaços destinados aos livros, ao artesanato produzido na região e à agricultura familiar.




A educação ambiental também integrou a proposta.

Oficinas com materiais recicláveis e ações de conscientização aproximaram cultura e sustentabilidade, dialogando diretamente com as características dos territórios onde a feira estava sendo realizada.

A RuraLetras contou com apoio de iniciativas e instituições ligadas à Cultura, ao Meio Ambiente e à comunidade, incluindo o projeto “Cuidai do Lixo Nosso de Cada Dia”, desenvolvido pela Associação dos Produtores e Artesãos de Mottas e Adjacências.

De Mottas para Santa Rita

Depois da estreia em Mottas, a RuraLetras seguiu para outra região rural de Teresópolis.

Nos dias 27 e 28 de outubro, a sede Santa Rita do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis recebeu a segunda etapa.

A mudança de território fazia parte da essência do projeto.

A intenção não era criar uma feira concentrada em um único ponto, mas promover circulação e ampliar o acesso da população rural às atividades.

A própria Prefeitura de Teresópolis destacou, na época, a realização da feira no Parque, com exposição e venda de livros, oficinas de artesanato com materiais reciclados, artesanato, agricultura familiar, música e contação de histórias.

Uma semente plantada no interior

A primeira edição terminou, mas a RuraLetras deixou plantada uma semente.

Registros posteriores sobre a trajetória do projeto apontam que cerca de mil pessoas participaram da edição inaugural, considerando as atividades realizadas em Mottas e Santa Rita.

Mais importante que o número, entretanto, foi o caminho iniciado.

Crianças tiveram contato com escritores e contadores de histórias. Livros circularam. Autores apresentaram seus trabalhos. Artesãos e produtores rurais ocuparam a mesma feira que músicos e poetas. Escolas participaram. Histórias foram contadas e outras começaram a ser descobertas.

Ao escolher a região rural como protagonista, a RuraLetras ajudou a mostrar que a descentralização cultural não significa simplesmente transportar um evento do centro para o interior.

Significa reconhecer o território, dialogar com quem vive nele e criar condições para que sua própria cultura também seja vista, ouvida e valorizada.

Foi assim, entre livros, histórias, música, artesanato, agricultura e encontros, que a RuraLetras começou sua trajetória em Teresópolis.


FICHA TÉCNICA — RURALETRAS 2023

Evento: RuraLetras – 1ª Feira Literária da Região Rural

Realização: Jornal e Editora Alecrim

Locais: Praça de Mottas – 3º Distrito de Teresópolis | Sede Santa Rita do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis

Datas: 20 e 21 de outubro de 2023 – Mottas | 27 e 28 de outubro de 2023 – Santa Rita

Projeto contemplado: Edital Literatura Resiste – Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ)

Produção, literatura e atividades culturais

Cláudia Coelho — Escritora, contadora de histórias, produção/organização e atividades literárias

Gustavo Lucena — Escritor, editor, organização e mediação de rodas de conversa

Álan Magalhães — Músico, atividades culturais e musicais






Samburá de Histórias

Cláudia Coelho — Contação de histórias

Sandra Dias — Arte-educadora e oficinas de arte

Marlene Macedo — Arte-educadora e oficinas de arte

Álan Magalhães — Música e acompanhamento das contações




Registro audiovisual

Fotografia: Carol Abrantes

Vídeo: Daniel Firme e Theodorico Magalhães

Roda de conversa – Agricultura Familiar

José Renato de Miranda — Convidado

Alfredo Laufer — Convidado

Gustavo Lucena — Mediação

Mandacaru Carioca

Álan Magalhães — Voz e violão

Alcir Passos — Baixo

Bombril — Percussão

Oziel Moreira — Teclados

Apoios e articulação

A primeira edição contou com apoio de instituições e iniciativas locais ligadas à cultura, educação e meio ambiente, entre elas a Secretaria Municipal de Cultura, ações de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Escola Municipal Sizenando Adolpho Tayt-Sohn e o projeto “Cuidai do Lixo Nosso de Cada Dia”, da Associação dos Produtores e Artesãos de Mottas e Adjacências.


ALBUM DE FOTOS

   ANDRÉ MAGALHÃES - BRAVOS DA TERRA


  A ROQUE - SLAM 4 CANTOS


   MATHEUS MOURA - SLAM 4 CANTOS

    MANDACARU CARIOCA



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