O SAMBA ECOOU MEMÓRIAS E PORVIR

RODA DE SAMBA DO QUINTAL DO CÉU -  EDITAL BERÇO DE BAMBAS DA SECEC/RJ

Maguila, Miguel e Bimbinho - O GRUPO QUINTAL DO CÉU

Na tarde de 14 de setembro de 2025, no Ponto de Cultura Quilombo da Serra, a festa adentrou a noite, marcada pela batida firme do surdo e pelo coro que se ergueu em uníssono, o Grupo Quintal do Céu transformou o espaço em território sagrado da cultura popular. A roda de samba, mais que espetáculo, foi celebração coletiva: música, poesia e resistência se entrelaçaram diante de um público que não apenas assistia, mas participava, corpo e alma, da festa.


Milton Manhães e Anderson Silva - Verdadeiro encontro de gerações

Entre versos improvisados, composições autorais e clássicos revisitados, o grupo reafirmou o samba como linguagem viva, capaz de narrar histórias de ontem e de hoje. O ambiente pulsava — cada palma, cada sorriso, cada dança era testemunho de que o samba continua sendo ponte entre gerações.

FELICIDADE. . .                E MUITAS OUTRAS EMOÇÕES


O ponto alto veio com a presença de Milton Manhães, figura emblemática que trouxe à roda não apenas sua voz, mas também a memória de décadas dedicadas à música. Sua participação foi recebida como ato simbólico: um elo entre mestres e aprendizes, tradição e renovação.

MILTON MANHÃES

Mas não foram apenas os mestres que deram o tom do evento. As intérpretes intrépidas, mulheres negras, especialmente convidadas para a ocasião e presentes na roda — Fátima Gaspar e Simone Lyns, além de outras vozes e passos como da matriarca do Quilombo da Serra: Nazareth Anacleto, bem como sua filha: Norma Candido, também se destacaram respectivamente na interpretação e na dança — tiveram papel central, conduzindo cantos, improvisos e energias que atravessaram o espaço. 

FÁTIMA GASPAR





Suas vozes firmes e emocionadas lembraram que o samba nasceu também da força feminina, guardiã das tradições e protagonista na construção da identidade cultural brasileira. Cada entoada foi resistência, cada gesto reafirmou que o samba é território de igualdade e de memória ancestral.



O que se viu e ouviu ali foi mais que uma apresentação. Foi a reafirmação de que o samba, nascido nos quintais e becos, segue vivo, reinventando-se sem perder sua raiz. O Quintal do Céu mostrou que o futuro da cultura popular se constrói na roda — circular, democrática, infinita.




A tradicional FEIJOADA DO QUILOMBO
O edital Berço de Bambas, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, destinou mais de R$ 1 milhão para apoiar 30 rodas de samba em diferentes municípios fluminenses. O investimento não se limitou ao palco: garantiu cachês dignos para músicos e técnicos, além de fomentar a cadeia produtiva em torno dos eventos - desde fornecedores de refeições, bebidas, produtos gráficos, jornalísticos, até ambulantes e pequenos comerciantes locais.


Jorge Maravilha - Cinegrafista e Cláudia Coelho - Jornalista











Nos bastidores, o impacto financeiro foi sentido de forma direta nas comunidades. Cada roda de samba atraiu público diverso, movimentando bares, restaurantes e serviços de transporte público convencional oupor aplicativos.



Em localidades periféricas, o efeito multiplicador foi ainda mais evidente: a circulação de recursos fortaleceu economias locais e deu visibilidade a espaços culturais que, muitas vezes, sobrevivem com recursos escassos. 




Nesse cenário, o Grupo Quintal do Céu se destacou ao conquistar o 1º lugar no Grupo 3 (Demais municípios do Estado), entre dezenas de concorrentes fora da capital e região metropolitana. A boa classificação não apenas reforçou a relevância artística do grupo, como também ampliou o alcance de sua roda de samba, irradiando benefícios para o entorno comunitário e consolidando o Centro Sociocultural Quilombo da Serra, por ele fundado, como referência cultural e social. O Berço de Bambas, portanto, não apenas celebrou a tradição do samba, mas também se consolidou como política pública capaz de gerar renda e revitalizar territórios.


Essa engrenagem cultural e econômica mostra que investir em arte é também investir em desenvolvimento social. O samba, além de patrimônio imaterial, tornou-se motor de inclusão e oportunidade, reafirmando que cultura e economia caminham juntas quando o Estado reconhece e valoriza a potência das manifestações populares.





Maguila, Milton Manhães, Miguel, Bimbinho e Evandro Freire



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