Ignorância, consciência e a verdade nos relacionamentos

 

O conhecimento nos traz informações. As informações nos livram da ignorância. Mas a consciência nasce apenas quando fazemos uma escolha: permanecer na ignorância ou dar um salto consciente para enxergar a realidade como ela é.

Essa escolha, dentro dos relacionamentos, é decisiva. Relacionar-se é responsabilidade. Muitas vezes, exige sair de uma área aparentemente cômoda para entrar em um desconforto útil — aquele que nos conduz a um novo nível de maturidade emocional e de vida.

Façamos uma analogia. Imagine uma pessoa que nunca viu uma árvore. Ao cavar ao redor dela, encontra raízes profundas e conclui que aquela árvore enorme só existe por causa daquelas raízes. Essa é a única realidade que ela conhece. O que essa pessoa não sabe é que tudo começou com uma pequena semente, que precisou apodrecer no solo para então germinar. O desconhecimento gera conclusões limitadas — e essas conclusões, muitas vezes, nos aprisionam.



O mesmo acontece nos relacionamentos superficiais. Julgamos, escolhemos e permanecemos em vínculos a partir do que vemos na superfície, sem conhecer a origem, o processo e a essência.

Outro exemplo: alguém observa o nascimento de um bezerro e de um bebê humano. O bezerro nasce e, em poucos minutos, já se levanta, anda e busca alimento. O bebê humano, ao contrário, nasce completamente dependente. Se essa pessoa nunca tivesse visto nenhum dos dois antes, poderia concluir que o bezerro é mais capaz, mais inteligente, mais preparado para a vida. Essa conclusão seria fruto apenas da ignorância — baseada em uma observação limitada no tempo.

Quantas vezes escolhemos com quem nos relacionamos amorosamente da mesma forma? A partir da aparência, da performance inicial, do que parece mais forte ou mais seguro? O resultado, muitas vezes, são relações baseadas em dependência emocional, mantidas por medo, carência ou ilusão, e não por presença e verdade.

Quantas das nossas certezas são, na realidade, enganos sustentados pela recusa de enxergar o que a vida insiste em mostrar — especialmente por meio dos ciclos que se repetem?



Observe atentamente: quais ciclos se repetem na sua vida afetiva? O que você está evitando ver? O que você insiste em mentir para si mesmo, alimentando resistências internas que o impedem de ir além da raiz da sua dificuldade?

Voltando à metáfora da árvore: talvez, hoje, no seu relacionamento, você esteja enxergando apenas as raízes aparentes, mas não a semente que deu origem a tudo. Sem consciência da origem, não há transformação verdadeira.

A integridade gera presença.

A presença sustenta a verdade.

E a verdade deveria ser a base de todo relacionamento consciente.

Ou será que, pela superficialidade e pela ignorância, estamos construindo relações de aparência, quando, no fundo, desejamos relações com presença?

Quem é você dentro desse relacionamento?

Onde ele precisa crescer?

Como você se reconhece hoje: como alguém que se engana ou como um adulto emocional que faz escolhas conscientes?



Talvez seja hora de trocar a pergunta.

Será que chamamos de amor aquilo que, na verdade, é dependência?

Repito:

Quem é você?

O que você quer?

E onde deseja chegar dentro de um relacionamento?

Essas perguntas, quando respondidas com verdade, mudam toda a história.

 Instagram. Vivagaiadeluz.

Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 

Comentários

Postagens mais visitadas