Burnout e Workaholismo: quando o excesso de trabalho deixa de ser virtude e se torna adoecimento. por Renata Gaia

 

Burnout e Workaholismo: quando o excesso de trabalho deixa de ser virtude e se torna adoecimento

O burnout e o workaholismo compartilham uma identidade silenciosa: a normalização do estresse crônico como sinal de competência profissional. Em uma sociedade que ainda associa valor pessoal à produtividade extrema, trabalhar demais deixou de ser visto como alerta e passou a ser celebrado como virtude. A escravidão formal foi abolida há séculos, mas novos modelos de aprisionamento se instalaram de forma sutil. Jornadas extensas, privação de sono, hiperconectividade e a necessidade constante de provar valor criaram um cenário em que o esgotamento emocional e físico se tornou quase inevitável.

O burnout, reconhecido como síndrome de esgotamento profissional, manifesta-se por meio de exaustão intensa, desmotivação, sensação de fracasso, irritabilidade, distúrbios do sono, dificuldades de concentração e perda de prazer. O bem-estar dá lugar ao mal-estar constante, muitas vezes alimentado por ambientes de trabalho marcados por pressões excessivas e relações tóxicas.

Entretanto, uma pergunta precisa ser feita com honestidade: por que continuamos aceitando esse modelo?
Em muitos casos, o workaholismo é confundido com excelência, comprometimento e sucesso. A cultura do “sempre disponível” reforça a ideia de que descansar é sinal de fraqueza, quando, na realidade, é condição básica para a saúde humana.


O corpo humano não foi projetado para viver em alerta permanente. A privação de sono, o excesso de estímulos tecnológicos e a ausência de pausas comprometem processos biológicos essenciais, como a produção de substâncias responsáveis pelo equilíbrio emocional e pelo bem-estar. Ignorar o funcionamento do sistema nervoso, privilegiando apenas o estado de tensão constante, é um caminho direto para o adoecimento.

Virar esse jogo exige consciência e responsabilidade individual, sem ignorar a necessidade de transformações coletivas e organizacionais. Ser um excelente profissional não deveria significar deixar de ser um excelente ser humano — consigo mesmo e com aqueles que convivem ao redor.

Talvez seja hora de rever prioridades, modelos de sucesso e narrativas que colocam o ego e a performance acima da vida. O burnout precisa sair de moda. O workaholismo também.

E aí?
            O ano virou. A virada aconteceu. Você seguirá repetindo um modelo que adoece ou terá coragem de mudar, de virar a chave e escolher viver?
Que o ser humano volte a ocupar o centro, para que a vida — finita, breve e preciosa — possa ser vivida com mais presença, saúde e sentido.

Renata Gaia Renata Gaia | Psicanalista. VENHA PARA GAIA DE LUZ, VENHA FAZER SEU ENEAGRAMA COM UMA DAS MAIORES  ESPECIALISTA EM ENEAGRAMA SAGRADO, E TAMBEM ENTENDA DENTRO DO ENEAGRAMA 

Instagram. @vivagaiadeluz.

Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 

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