O Que Te Faz Brilhar - Conto baseado na canção do One Direction What Makes You Beautiful de 2011 - de Clayton Zocarato
O Que Te Faz Brilhar
Conto baseado na canção do One Direction What Makes
You Beautiful de 2011.
Eric sempre achou que a cidade tinha um ritmo
próprio, e que os anos 2011 e 2013 pareciam acelerar cada esquina. Lorraine,
com seus cabelos que mudavam de cor como as tendências das redes sociais,
parecia dançar nesse ritmo sem esforço, enquanto ele tropeçava nas próprias
dúvidas.
A adolescência deles tinha cheiro de concreto,
café barato e playlists compartilhadas; cada descoberta do mundo era também
descoberta de si mesmo.
Eles se conheceram na biblioteca do
colégio, entre livros de economia, gibis de super-heróis e cadernos rabiscados
de poesia. Lorraine olhava por cima das lentes de seus óculos de aro grosso, e
Eric, sem coragem de falar, fingia buscar algo que nem precisava.
Quando finalmente trocaram uma palavra, foi
com a naturalidade que só sentimentos puros têm: simples, sem pressa, mas capaz
de transformar a rotina em pequenas explosões de riso. Ele nunca pensou que uma
menina pudesse iluminar tanto um corredor cinza.
— “Ei, você já leu este aqui?”
perguntou Eric, mostrando um livro de histórias curtas que Lorraine tinha
comentado semanas antes. Ela sorriu, inclinando-se para ver a capa.
— “Ah, você se lembra? Que fofo. Eu
gosto de pessoas que lembram de pequenas coisas.”
Era uma dessas pequenas coisas que
mostrava a intensidade de sua conexão: a atenção aos detalhes. No fundo, Eric
sentiu que cada gesto dela, cada sorriso, era uma luz que não se apagava.
Os anos 2010 estavam mudando tudo.
Redes sociais surgiam como novas praças, novas formas de comunicar emoções e
construir identidade. Eric observava Lorraine postando fotos, sorrindo para a
câmera, suas legendas sempre leves, quase poéticas. Cada “like” era um
lembrete de que o mundo poderia vê-la da maneira que ele via — linda, vibrante,
única. Mas o que ele guardava para si era mais profundo: Lorraine tinha a capacidade de ser
autêntica sem se preocupar com expectativas externas, e isso era exatamente o
que a tornava irresistível.
Em uma tarde de sábado, enquanto
caminhavam pelo parque que agora parecia pequeno diante da expansão da cidade,
Eric finalmente reuniu coragem.
— “Você sabe… você é linda do jeito
que ninguém mais é.” Ele falou sem jeito, olhando para os fios de cabelo dela
que o vento bagunçava.
Lorraine sorriu, aquele sorriso que
brilhava mesmo nos dias nublados, e respondeu:
— “Não é sobre ser bonita, Eric. É sobre
sentir que posso ser eu mesma. Acho que isso é que faz tudo valer a pena.”
Ele concordou, sentindo que o mundo
inteiro se encaixava em sua palma quando ela estendia a mão.
A transformação social dos anos 2010
estava em todo lugar: mobilizações nas ruas, debates sobre igualdade, liberdade
para ser quem se era e a sensação de que a juventude podia finalmente respirar.
Para Eric e Lorraine, essas mudanças
se refletiam nas pequenas coisas: na maneira como discutiam sobre música,
cinema e política; na coragem de se amar publicamente sem medo do julgamento;
na ousadia de planejar sonhos que antes pareciam distantes.
Cada mensagem de texto trocada, cada
selfie divertida, cada riso compartilhado era também resistência, era afirmação
de que poderiam existir e se expressar plenamente.
O namoro deles não era perfeito —
nenhum romance adolescente é — mas era sincero, intenso e marcado pelo
encantamento das primeiras descobertas.
Eric se lembrava das noites em que
esperava Lorraine terminar o trabalho voluntário em um abrigo da comunidade, e
os dois iam para a ponte da cidade, sentavam juntos, observando as luzes
refletirem na água.
— “Você sabe que me deixa sem palavras, né?” ele
dizia.
Ela apenas sorria e recostava a
cabeça em seu ombro, permitindo que o silêncio entre eles falasse mais do que
qualquer frase.
A cidade parecia conspirar a favor
deles. Com os novos aplicativos e plataformas digitais, podiam planejar
encontros sem que os pais descobrissem, criar playlists colaborativas que
capturavam o clima de cada semana e compartilhar sonhos sem filtros, como se
fossem donos do mundo.
Mas nem tudo era tecnologia; Eric
adorava quando Lorraine o puxava para dançar em algum corredor vazio do
colégio, ou quando inventavam jogos bobos que os faziam rir até a barriga doer.
A beleza desses momentos não estava na
estética, mas na autenticidade compartilhada.
Certa vez, enquanto caminhavam pelo
centro, viram uma manifestação pela igualdade de direitos. Lorraine puxou Eric
pelo braço:
— “Olha, é por isso que eu amo esta
geração. Nós podemos falar, protestar, mudar as coisas.”
Eric segurou sua mão com firmeza.
— “É, Lorraine… e é bom saber que vamos crescer
juntos neste mundo que está aprendendo a ouvir.”
O ápice do romance veio durante o
festival de verão da cidade. A multidão dançava ao som de músicas que traduzia
o espírito da década: liberdade, esperança e intensidade juvenil.
Eric segurou a mão de Lorraine,
girou-a entre os ombros e, em meio ao som alto e às luzes piscantes, sussurrou:
— “É isso que me deixa feliz… você sendo
exatamente quem você é.”
Ela sorriu, com os olhos brilhando,
e respondeu:
— “E você me ensina a acreditar que
posso ser assim sem medo.”
Ali, entre milhares de pessoas,
encontraram um mundo que não os julgava, onde a música, a juventude e a
autenticidade eram lei.
O tempo passou, mas os anos 2010
deixaram marcas profundas. Eric e Lorraine aprenderam que o amor jovem não
precisa ser perfeito, precisa ser verdadeiro. Aprenderam
que a cidade muda, que a sociedade evolui e que, apesar das crises, da pressão
e das expectativas externas, é possível encontrar alguém que faz tudo brilhar. Lorraine continuava a colorir os
cabelos de forma imprevisível, Eric ainda tropeçava nas próprias palavras, mas
juntos criavam uma constância inesperada em meio ao turbilhão da vida
adolescente.
Aqueles tempos, ensinaram a eles não
foi apenas sobre música, tecnologia ou política: foi sobre coragem, expressão e
amor autêntico.
O que tornava Lorraine realmente
linda não era a aparência, nem a aprovação alheia, mas a luz que emanava dela,
a mesma luz que Eric via desde a primeira vez que a encontrou entre livros e
corredores silenciosos.
Ela era, e sempre seria, um
palimpsesto de memórias, sonhos e possibilidades — e Eric queria, dia após dia,
descobrir cada camada.
Porque, afinal, o que torna alguém
verdadeiramente belo é justamente a autenticidade que ninguém mais pode copiar.
O verão chegou com mais intensidade
naquele ano. A cidade parecia vibrar com cores, sons e risos, e a música de One Direction que Lorraine sempre
colocava no celular invadia cada espaço.
Eric tinha um hábito: quando ela começava a
cantarolar, mesmo de forma despretensiosa, ele se lembrava do primeiro dia em
que a viu.
Havia algo naquela melodia leve,
juvenil, que capturava exatamente o que ele sentia por ela: uma beleza que não
precisava de elogios para se mostrar, uma força que se manifestava apenas sendo
ela mesma.
Eles sentaram-se à beira da ponte,
como tantas vezes, mas dessa vez Lorraine colocou os fones nos dois ouvidos de
Eric.
A batida contagiante encheu o ar, e
ele percebeu que a música falava de maneiras que ele jamais conseguiria
traduzir em palavras.
— “Olha, é como se eles tivessem
escrito sobre você”, disse ela, rindo com aquele jeito que sempre fazia seu
coração acelerar.
Eric corou, mas sorriu. De repente,
a letra parecia falar do que eles viviam: o jeito despretensioso de se amar, a
intensidade juvenil, o encanto de simplesmente existir sem se desculpar por
isso.
Nas semanas seguintes, a canção
tornou-se trilha sonora dos momentos mais simples e mais especiais: andando de
bicicleta pelo parque, discutindo planos de verão, rindo de coincidências
bobas, e até nas tardes chuvosas em que se escondiam em latas de refrigerantes
baratos, improvisando histórias para o futuro.
Era como se a música transformasse
cada gesto cotidiano em algo extraordinário. Eric notou que o que realmente os
conectava não era apenas a paixão, mas o sentimento de serem compreendidos e
aceitos plenamente.
As redes sociais, tão centrais na
vida dos jovens daquela década, passaram a registrar esses momentos. Lorraine
postava fotos de ambos, sempre com legendas leves e mensagens de esperança, e
Eric, que antes se sentia tímido em mostrar afeto, começou a perceber que não
havia problema em deixar o mundo ver sua felicidade.
A transformação social daquele
período — a busca por autenticidade, a celebração da juventude e das diferenças
— não acontecia apenas em protestos ou hashtags; acontecia ali, no simples ato
de serem fiéis a si mesmos.
Certa noite, o colégio organizou uma
festa popular entre estudantes e ex estudantes, e Eric e Lorraine estavam entre
os primeiros a chegar. As luzes piscavam, a música pulsava e a energia do grupo
juvenil refletia exatamente o que eles vinham sentindo nos últimos meses:
liberdade, intensidade e esperança.
Quando a canção do “One Direction”
começou, Lorraine puxou Eric para dançar. Ele hesitou por um segundo, mas
depois deixou-se levar, sorrindo enquanto girava com ela pelo salão.
— “Você brilha mais do que qualquer
luz daqui”, disse ele, quase sem fôlego. Lorraine
respondeu com um sorriso cúmplice:
— “E você me faz sentir que posso
ser tudo que eu quiser.”
As semanas seguintes foram marcadas
por descobertas ainda mais profundas. Eles
conversavam sobre o futuro, sobre os sonhos que os tempos futuros prometiam,
sobre como poderiam participar das transformações sociais sem perder sua
essência.
A música de “One Direction” servia
como um lembrete constante de que a autenticidade era a força mais poderosa que
possuíam.
Cada refrão, cada batida, parecia
dizer que a beleza verdadeira não dependia de padrões ou aprovação externa — e
Eric percebeu que Lorraine carregava essa lição em cada gesto, cada riso e cada
olhar.
Houve dias em que a realidade
tentava invadi-los: discussões familiares, pressões da escola, expectativas
externas sobre quem deveriam ser. Mas eles aprenderam a se apoiar mutuamente.
Durante uma tarde chuvosa, sentados
sob a marquise de um café antigo, Eric disse:
— “Às vezes sinto que o mundo quer
que a gente se encaixe em algum molde, mas não dá… com você eu sinto que posso
existir sem medo.”
Lorraine segurou sua mão, e juntos
ficaram em silêncio, ouvindo a chuva bater no chão e lembrando das letras da
música que tanto amavam.
Era como se cada nota dissesse: “a beleza
verdadeira é ser você, mesmo quando ninguém mais entende.”
O tempo passou, e os anos de
juventude continuaram a moldá-los.
A música de “One Direction” se
tornou memória afetiva, lembrança de uma época em que cada olhar, cada toque e
cada sorriso tinham a intensidade de quem acredita no impossível. Eric e
Lorraine cresceram juntos, mas mantiveram a simplicidade e a autenticidade que
a adolescência lhes ensinou.
A canção era mais do que som; era símbolo de
uma juventude que se recusava a se esconder, que celebrava cada camada de sua
própria existência como um vasto campo comportamental de experiências, emoções
e sonhos.
No fim, o que tornou Lorraine
realmente brilhante não foi apenas o sorriso ou a cor do cabelo, mas a coragem
de ser ela mesma, e Eric descobriu que o que fazia seu coração bater mais forte
era perceber essa luz em cada pequeno gesto.
Entre a música, a cidade e os anos 2010, eles
aprenderam que o amor juvenil verdadeiro não é apenas sobre romance — é sobre
se reconhecer no outro, se apoiar nas mudanças do mundo e se permitir existir
plenamente.
E, no fundo, cada batida da música
que os acompanhou dizia aquilo que Eric sempre quis expressar: “você é linda
porque simplesmente é você”.
E assim, entre canções, passeios,
risos e descobertas, Eric e Lorraine continuaram a escrever sua própria
história, aquela que ninguém mais poderia copiar, lembrando todos os dias que a
verdadeira beleza está na autenticidade, na coragem e no amor que se transforma
junto com o mundo.
Possui graduação em Licenciatura em História pelo Centro Universitário Central Paulista (2005) - Unicep - São Carlos - SP, graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (2016) - Ceuclar - Campus de São José do Rio Preto – SP, Técnico em Comércio Exterior pelas Faculdades Eficaz, e atualmente cursa Serviços Jurídicos e Notoriais na Unimar. Escrevo regularmente para o site www.recantodasletras.com.br usando o pseudônimo ZACCAZ, mesclando poesia surrealista, com haikais e aldravias..Formado Especialista em Medina y Arte com ênfase em Gilles Deleuze e Equizoanálise onde é também pesquisador do Centro de Medicina y Arte de Rosário – Argentina, sendo o primeiro brasileiro a atuas nesse centro de pesquisa. Especialista em Ensino pela Ufscar, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Fundepe – Unesp, Especialista em História da África pela Faculdade de Minas Gerais.
· Email: claytonalexandrezocarato@yahoo.com.br
· Instagram: Clayton.Zocarato
· Facebook: https://www.facebook.com/clayton.zocarato/
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