Pensamentos acelerados: quando a mente corre e a vida não avança. - Por Renata Gaia
Vivemos a era da aceleração mental. Pensar rápido virou virtude.
Estar ocupado virou status. Ter a mente cheia virou sinal de produtividade. Mas
a pergunta que precisa ser feita é simples e profunda: pensamentos acelerados
são bons ou ruins? E, principalmente, servem para quê?
Muitas pessoas vivem a sensação constante de estarem trabalhando
muito, fazendo muitas coisas, se movimentando o tempo todo — mas sem conseguir
concluir quase nada. O resultado não é produtividade, é exaustão mental. Não é
avanço, é dispersão. Não é construção, é cansaço psicológico.
O pensamento
acelerado não gera foco.
Ele gera
distração.
E distração gera
falta de atenção.
A falta de
atenção nos faz perder o essencial: Presença, Clareza, Prioridade, Direção,
Propósito.
Quando a mente
acelera, surgem padrões previsíveis: pessimismo, sensação de incapacidade,
excesso de autocrítica, comparação constante com a vida dos outros, queda da
autoestima e uma busca infinita por novidades e estímulos externos.
O indivíduo entra em ciclos de desânimo profundo, intercalados por
picos de euforia artificial — mas perde algo fundamental: o entusiasmo
verdadeiro, que nasce da alma e não da agitação mental.
Pensamentos acelerados também alimentam a repetição de padrões. A
mente não se abre ao novo, apenas reproduz comportamentos antigos, expectativas
ilusórias e frustrações recorrentes. Cria-se um estado de ansiedade constante,
que facilmente evolui para angústia e tristeza profunda.
Do ponto de vista neurocientífico, esse estado consome uma
quantidade absurda de energia. O cérebro já utiliza naturalmente cerca de 25%
da energia do corpo. A aceleração mental contínua leva a um desgaste que o
organismo humano não foi biologicamente programado para sustentar.
Além disso, cresce um fenômeno cada vez mais estudado: a cronopatia
— a doença da pressa, do tempo acelerado, da distração permanente e da
incapacidade de atenção profunda.
A atenção
precisa ter um dono, e esse dono é VOCE!
A falta de foco não vem da ausência de capacidade. Vem do excesso
de estímulos mal administrados: redes sociais, informações inúteis,
comparações, hiperconectividade, consumo visual constante e ausência de
silêncio interno.
A vida precisa
de movimento, sim.
Mas de um
movimento ordenado, com disciplina e proposito!
Pensamento acelerado não leva ao propósito, leva ao adoecimento emocional.
É preciso resgatar o essencial: presença, laços afetivos, vínculos
familiares, relações reais, silêncio, direção interna, atenção consciente e
organização da própria vida.
A pergunta que fica é simples:
Quem é o dono da sua atenção?
Porque o tempo é agora.
E a vida não espera uma mente desorganizada para acontecer.
Renata Gaia
Instagram. Vivagaiadeluz.
| Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo - Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia |





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