Saúde Mental, Burnout e Liderança: O Que Estamos Produzindo Como Sociedade? - com Renata Gaia
Saúde Mental, Burnout e Liderança: O Que Estamos
Produzindo Como Sociedade?
O que está
acontecendo com o planeta? O que está acontecendo com as pessoas?
Por que um aumento tão expressivo dos casos de burnout — a síndrome do
esgotamento profissional — especialmente a partir de 2024? E, diante desse
cenário, o que estamos projetando para 2025?
Essas são perguntas
amplas, mas urgentes. E elas precisam ser feitas não apenas no campo
individual, mas principalmente no ambiente corporativo, onde as altas
pressões, metas agressivas e a cultura da hiperconectividade se tornaram
normalizadas.
Vivemos em um modelo
de trabalho em que estar sempre disponível virou regra. A conectividade
permanente, embora traga ganhos tecnológicos, cobra um preço alto quando não é
gerenciada com consciência. E aqui surge uma questão central: quem está, de
fato, gerenciando a vida de quem trabalha? A pessoa ou o sistema?
Quando a rotina é
dominada por prazos ininterruptos, cobranças constantes e sensação de nunca ser
suficiente, o impacto não é apenas produtivo — é humano. Onde fica a qualidade
de vida? Para onde estamos conduzindo a saúde mental das equipes? Para o estresse
crônico? Para o adoecimento silencioso?
O burnout não surge
do nada. Ele se constrói. Pode estar relacionado às metas excessivamente
agressivas, às mudanças estruturais pós-pandemia, à busca incessante por
reconhecimento, status ou validação técnica. Mas, acima de tudo, ele revela um
afastamento profundo da própria essência humana.
Trabalhou-se menos
no passado? Talvez não. Mas certamente vivia-se com mais limites claros entre
trabalho e existência. Hoje, o que caracteriza o burnout é a exaustão física
e mental, a sensação constante de esgotamento, o distanciamento de si mesmo
e daquilo que dá sentido à vida.
Burnout não é apenas
cansaço. Não é só estresse. É a perda da autonomia sobre a própria vida. É
deixar de escolher conscientemente que vida se quer viver. É permitir que o
medo, a pressão e a sobrevivência substituam a experiência real de existir.
Como especialista em
comportamento humano, neurocientista e psicanalista, atendo diariamente pessoas
altamente capacitadas, líderes e profissionais que chegaram ao limite. E o que
se repete em todos os relatos é um vazio de sentido.
Estamos
sobrevivendo, correndo, produzindo — muitas vezes sem saber para quê.
Talvez seja hora de
despertar. Despertar para a compreensão de que a vida humana vai muito além da
matéria, dos resultados e dos indicadores de performance. Quando isso não é
respeitado, o corpo adoece, a mente colapsa e o sistema inteiro perde.
A pergunta que fica, especialmente para líderes e empresas, é: que tipo
de cultura você está sustentando — uma que gera vida ou uma que normaliza o
adoecimento em nome dos resultados?
nstagram. Vivagaiadeluz.
| Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo - Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia |





Comentários
Postar um comentário