A regra invisível do jogo da vida! - por Renata Gaia

 

Como neuropsicanalista, ao longo de muitos anos de escuta, estudo e observação da experiência humana, uma pergunta sempre retorna com força: por que tantas pessoas não conseguem perceber que a vida funciona como um jogo? Todo jogo tem regras. O futebol tem suas regras. O vôlei tem outras. O pôquer, os videogames, os jogos de tabuleiro — todos possuem códigos claros para avançar de fase, evoluir, vencer desafios e concluir ciclos. Mas e a vida? Será que ela também não teria suas próprias regras?

Se em qualquer jogo existe um objetivo, qual seria o objetivo da vida humana? Crescer? Evoluir? Fechar ciclos para abrir outros? Desenvolver consciência? Aprender a viver melhor consigo mesmo e com o outro? Existe algo em comum entre todas as trajetórias humanas?

Talvez a grande regra do jogo da vida seja mais simples — e mais profunda — do que imaginamos: aprender a dar e aprender a partilhar.

Vivemos em uma cultura estruturada na competição. Competir é dividir. E toda divisão gera perda. Quando eu separo, fragmento, comparo e disputo, eu crio escassez. Já o partilhar é uma divisão que multiplica. É o ato de dar que gera crescimento, expansão, abundância e evolução. A partilha não empobrece — ela fortalece.

Existe um compromisso silencioso entre nós e a vida. E esse compromisso passa por sair da reatividade, da contrariedade, do ego, do “eu primeiro”, da lógica da disputa, e entrar na proatividade consciente: aprender a compartilhar, cooperar, construir, contribuir, crescer e multiplicar.

Isso exige uma mudança profunda de postura interna.

É preciso começar pelas perguntas certas:
Quem é o seu maior inimigo — está fora ou está dentro?
O que realmente te impede de agir?
Por que você procrastina seus sonhos, seus projetos, suas mudanças?
Por que seus relacionamentos se repetem?
Por que os mesmos padrões se reproduzem na sua vida?
O problema está sempre no outro ou na repetição automática dos seus próprios comportamentos?

Muitas pessoas vivem presas à “síndrome do de repente aconteceu” ou do “tomara que aconteça”. Esperam que a vida mude por acaso, por sorte, por intervenção externa, por milagre ou por circunstância. Mas não existe colheita sem plantio. Não existe árvore sem semente. Não existe transformação sem ação. Não existe fase nova sem decisão nova.

Passar de fase exige responsabilidade.

A regra do jogo da vida não é competir.
Não é vencer o outro.
Não é provar valor.
Não é acumular por medo.
Não é sobreviver em estado de defesa.

A regra do jogo é aprender a partilhar.
É sair do estado de competição.
É aprender a doar em uma lógica saudável de troca, sem interesse, sem barganha emocional, sem expectativa de retorno.
É abandonar a passividade do “tomara que aconteça” e assumir a postura ativa do “eu faço acontecer”.

A vida não muda sozinha.
A realidade não se transforma por desejo.
O jogo não muda de fase por acaso.

Muda quando você muda.
Muda quando você decide.
Muda quando você age.
Muda quando você assume responsabilidade.

A hora não é depois.
A hora não é amanhã.
A hora não é “quando der”.
A hora é agora.

Levanta.
Dá a volta por cima.
Sacode a poeira.
Assume a responsabilidade pela própria história.
E segue para a próxima fase do jogo.


Porque a regra já está posta.
E ela é simples:
quem aprende a partilhar, evolui.
quem escolhe competir, estagna.
quem assume a vida, cresce.
quem espera, repete.

A fase seguinte começa sempre com uma decisão interna.

Renata Gaia

Instagram. Vivagaiadeluz.

Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 

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