Abertura oficial da RuraLetras II celebra a cultura e o protagonismo da zona rural de Teresópolis

 


Abertura oficial da RuraLetras II celebra a cultura e o protagonismo da zona rural de Teresópolis

 

Cerimônia na Praça de Bonsucesso reuniu estudantes, professores, escritores, artistas e representantes do poder público para marcar o início de quatro dias de literatura, música, histórias e encontros culturais

 

A Praça de Bonsucesso, no Terceiro Distrito de Teresópolis, tornou-se testemunha viva de um encontro marcado pela literatura, pela música e, sobretudo, pela valorização da cultura produzida e compartilhada nos territórios rurais. A abertura oficial da RuraLetras II – Literatura, Saberes e Sonhos nas Trilhas do Interior reuniu estudantes da rede municipal, professores, escritores, artistas, produtores culturais, convidados e representantes do poder público para dar início a quatro dias de programação gratuita.

Desde os primeiros momentos da cerimônia, ficou evidente um dos principais propósitos da feira: aproximar a população da literatura e das diferentes manifestações artísticas, fortalecendo o acesso democrático à cultura e o sentimento de pertencimento das comunidades rurais.

Realizada pelo Jornal e Editora Alecrim, em parceria com o coletivo Samburá de Histórias e a Bampa Produções Socioculturais, a RuraLetras II foi idealizada por Cláudia Coelho, Gustavo Lucena e Álan Magalhães, que compartilharam com o público não apenas a alegria de ver a feira novamente realizada, mas também um pouco das motivações que deram origem ao projeto.



Cláudia Coelho é escritora e produtora cultural; Gustavo Lucena é escritor e editor do Jornal e Editora Alecrim; e Álan Magalhães é músico, escritor e produtor cultural. Juntos, os três idealizadores trabalharam na construção de uma feira pensada para aproximar artistas, escritores e diferentes expressões culturais das comunidades do interior do município.

A cerimônia de abertura também contou com a presença do secretário municipal de Cultura, Wanderley Peres, e de Gabriel Salabert, presidente da Casa da Leitura e do Conhecimento, ligada à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

 

Cultura precisa circular

 

Ao falar ao público, o secretário municipal de Cultura, Wanderley Peres, destacou o papel do poder público no apoio àqueles que realizam ações culturais e ressaltou a importância da circulação da cultura pelo município.

“É obrigação da Secretaria de Cultura facilitar aqueles que fazem cultura no município”, afirmou.

O secretário também chamou atenção para um aspecto fundamental na realização de eventos como a RuraLetras: a participação da comunidade. Em sua fala, lembrou o trabalho dos professores e toda a logística necessária para organizar as turmas e levar os estudantes até a feira.

“Fazer cultura é muito difícil, e ver as pessoas saindo de casa, os professores organizando suas turmas para trazerem a esse evento... há toda uma logística, e isso merece ser lembrado”, destacou.




Para muitos estudantes, a primeira feira literária

Um dos momentos mais significativos da abertura aconteceu durante a fala de Gabriel Salabert. Ao perguntar quantas crianças já haviam participado de uma feira literária, ele descobriu que, para muitos dos estudantes presentes, aquela era a primeira experiência.

“A primeira vez em uma feira literária. Isso chega a me arrepiar. Olha que coisa linda”, declarou.

Gabriel destacou que uma feira literária vai muito além dos livros e permite que o público descubra as diversas formas pelas quais a cultura se manifesta.

“A cultura pode vir do livro, a cultura pode vir do teatro, a cultura pode vir da música”, afirmou, lembrando que a programação reuniria shows, contações de histórias, lançamentos de livros e muitas outras atividades.

Em sua fala, o presidente da Casa da Leitura e do Conhecimento também destacou a importância das políticas públicas para que iniciativas como a RuraLetras possam acontecer e reconheceu o trabalho dos três idealizadores.

 

“Esses três acreditaram nesse espaço aqui de Bonsucesso. Para vocês, é um presente que vocês estão ganhando”, disse ao público.

 

Gabriel também manifestou o desejo de continuidade da feira:

 “Que a gente consiga ter a terceira, a quarta, a quinta, a sexta RuraLetras”.




 

Aproximar quem produz arte de quem ainda precisa conhecê-la

 

O escritor e editor do Jornal e Editora Alecrim, Gustavo Lucena, falou sobre a alegria de proporcionar maior acesso à literatura e às artes na região rural de Teresópolis.

“Estou muito feliz de a gente estar conseguindo proporcionar esse acesso à literatura, esse acesso às artes, na região rural da cidade que a gente tanto ama, que é Teresópolis”, afirmou.

Gustavo ressaltou ainda que o objetivo não é partir da ideia de que não existe arte no interior, mas aproximar a comunidade daqueles que produzem cultura na própria região.

A reflexão dialogou diretamente com uma das principais propostas da RuraLetras: reconhecer que os territórios rurais não são espaços vazios de produção cultural. Ao contrário, são lugares de histórias, saberes, artistas, escritores e criadores que também precisam ser vistos e valorizados.




“Vocês também podem realizar”



Em uma fala especialmente dirigida aos estudantes, Álan Magalhães destacou a importância das políticas públicas de cultura e lembrou que a realização da RuraLetras II foi possível graças ao investimento público por meio de edital.

“Sem o edital, sem o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, não teria como a gente fazer isso aqui, porque, para fazer uma festa como essa, precisa de dinheiro”, explicou.

Álan ressaltou que os recursos destinados à cultura são resultado de políticas públicas e de todo um processo que permite que projetos saiam do papel e cheguem à população.

 

Mas foi ao conversar diretamente com as crianças e jovens que sua fala ganhou um tom especialmente inspirador.

“Se tiverem vontade de realizar alguma coisa, como uma festa como essa que nós estamos realizando, vocês também podem realizar”, disse.

O músico e escritor lembrou que os idealizadores da feira são pessoas comuns que imaginaram um projeto, acreditaram na ideia e trabalharam para transformá-la em realidade.

“Eu não me sinto maior, melhor ou diferente em nada de vocês. Eu só estou aqui em cima e vocês aí embaixo, mas poderia perfeitamente ser o contrário”, afirmou.

E completou:

 “Se vocês acreditarem e botarem a mão na massa, vocês conseguem”.

 

Ao lembrar que a primeira edição da RuraLetras aconteceu em 2023 e que a segunda edição chegou em 2026, Álan manifestou o desejo de que a feira passe a integrar de forma permanente o calendário cultural da cidade, com novas edições a cada ano.

 


A cultura também mora no interior

 

Em sua fala, a escritora e produtora cultural Cláudia Coelho explicou aos estudantes um pouco da história do Jornal e Editora Alecrim e da motivação que acompanha o trabalho desenvolvido pelo grupo.

“É um grupo de artistas que queria divulgar outros artistas”, resumiu.

Cláudia explicou que divulgar é, antes de tudo, mostrar às pessoas que esses artistas existem. E fez questão de destacar escritores e criadores da própria região rural.

“Quem disse que o interior também não tem cultura, na literatura, na pintura, no desenho? Tem. E é isso que a gente quer mostrar para o mundão todo”, afirmou.

A escritora também incentivou os estudantes a reconhecerem o próprio potencial criativo.

“Vocês, que são estudantes, têm um monte de ideias na cabeça. Aproveitem para colocar em prática”, disse.

Ao contar a trajetória do projeto, Cláudia lembrou que o trabalho começou com o jornal, cresceu, transformou-se também em revista e hoje conta com uma editora, mantendo como propósito a divulgação e o compartilhamento da cultura.

“Vamos dividir, vamos compartilhar, vamos distribuir para todo mundo que a gente puder alcançar, ter acesso e também conhecer o que vocês têm para mostrar para a gente”, afirmou.

Sua fala sintetizou um dos principais sentidos da RuraLetras: criar uma ponte de mão dupla. Levar escritores e artistas até as comunidades, mas também descobrir e reconhecer os talentos que já existem nesses territórios.

 


Uma feira construída por muitas mãos

 

A abertura também foi marcada por agradecimentos à grande rede de pessoas e instituições que colaboraram para a realização do evento.

Cláudia agradeceu especialmente à equipe da Kombiteca Samburá de Histórias, citando Marlene Macedo e Sandra Dias, além de Luana e Richard, que contribuíram com a produção, autores, artesãos, parceiros, apoiadores e todos aqueles que ajudaram de diferentes maneiras.

“Para fazer uma festa desse tamanho, a gente precisa de união e de ajuda. Não dá para três pessoinhas conseguirem fazer um monte de coisa”, afirmou.

A idealizadora também destacou a importância dos professores e da participação das escolas.

“Quem somos nós sem os tios e as tias? A gente não chega a lugar nenhum. Tem que valorizar os professores”, disse, arrancando a participação do público.

A presença dos estudantes, aliás, foi apontada como parte essencial do próprio sucesso do evento. Como destacou Cláudia, o público também ajuda a construir uma feira quando comparece, participa e ocupa os espaços culturais.

 

Literatura, saberes e sonhos nas trilhas do interior

 

A RuraLetras II contou com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Teresópolis e patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio do edital Literatura do Rio ao RJ, voltado ao apoio financeiro a feiras literárias e projetos de formação no estado.

A programação reuniu literatura, música, contação de histórias, lançamentos de livros, apresentações culturais e artistas de diferentes municípios, além de valorizar intensamente a produção local.

Durante a abertura, foram anunciadas atrações musicais e culturais como Maurício Gielman, Álan Magalhães, Félix do Forró, Mandacaru Carioca, Bravos da Terra, Samba e Tradição e o Jongo da Serra dos Órgãos, além da participação de escritores, contadores de histórias e convidados de diferentes regiões.

Mas, além da extensa programação, a cerimônia revelou algo ainda maior.

A RuraLetras nasceu do reconhecimento de que o acesso à cultura não deve depender da distância entre uma comunidade e o centro da cidade. Nasceu também da certeza de que a zona rural não é apenas um lugar para onde a cultura precisa ser levada: é um território onde a cultura já existe, é produzida, preservada e compartilhada.

Ao reunir crianças, professores, escritores, músicos, artistas, produtores e representantes do poder público na Praça de Bonsucesso, a abertura da RuraLetras II mostrou que uma feira literária pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.

Pode ser o primeiro encontro de uma criança com um escritor.

Pode ser a descoberta de que alguém que mora ali perto também escreveu um livro.

Pode ser o momento em que um estudante percebe que suas ideias também têm valor.

E pode ser a prova de que, quando políticas públicas, produtores culturais, artistas, parceiros e comunidade trabalham juntos, a cultura encontra caminhos para chegar mais longe.

Até mesmo pelas trilhas do interior.








RuraLetras II agradece aos parceiros e apoiadores que ajudaram a transformar o projeto em realidade

A realização de um evento cultural gratuito, com quatro dias de programação e a participação de escritores, músicos, artistas, estudantes, professores e comunidade, é resultado de muito trabalho coletivo. Por isso, a RuraLetras II faz um agradecimento especial a todos os parceiros, apoiadores, instituições e empresas que acreditaram na proposta e contribuíram para que a feira pudesse acontecer.

Cada apoio teve importância fundamental. Algumas empresas colaboraram diretamente com recursos, enquanto outras contribuíram com serviços, estruturas, alimentação, transporte, brindes, divulgação e diferentes formas de suporte. Em um evento desta dimensão, cada parceria representa uma parte importante da construção e permite que a programação chegue gratuitamente ao público.

Nosso agradecimento especial a

                                                    Sandro & Vania Festas & Eventos


                                                                     Dona Santa Atelier



                                                             Complexo Desportivo Marra



                                                                      Bom Recanto Sítio, 


                                                                          PH Barber



                                                                      Mistura de Artes,


                                                    Sabor da Roça – Sítio Martuchelli, 



                                                            ITDA Cell Assistência Técnica,



                                                                        Fofoca Utilidades, 



                                                               


                                                                 Micati Odontologia,


                                               JG Pinheiro Material Agrícola e Construção, 


                                                                            Gigalink,  



Nino’s Bar




                                                                  Fisk Teresópolis-RJ,


                                                   Victor Serviços de Máquinas Agrícolas

                                                                             Beira Rio, 



Bistrô Beer, 





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A RuraLetras II contou ainda com o importante apoio institucional da Prefeitura Municipal de Teresópolis, da Secretaria Municipal de Cultura, da Casa de Cultura Adolpho Bloch, da Secretaria Municipal de Educação e das áreas de Esporte e Lazer, Governo e Coordenação e Turismo, que contribuíram para a realização e o fortalecimento da iniciativa no município.



Nosso agradecimento se estende também à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, cujo investimento, por meio das políticas públicas de incentivo à cultura, tornou possível ampliar a dimensão do projeto e oferecer gratuitamente uma programação diversa à população.

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