Encontro com o Quilombo da Serra amplia projeto e fortalece diálogo com as culturas africana e indígena
Encontro com o Quilombo da Serra amplia projeto e fortalece diálogo com as culturas africana e indígena
Um dos importantes desdobramentos do projeto “Pele que Conta, Alma que Canta” aconteceu a partir do encontro com a comunidade do Quilombo da Serra, em Teresópolis. A atividade possibilitou que a proposta original se ampliasse e estabelecesse um diálogo ainda mais profundo com a ancestralidade e com as manifestações culturais de matriz africana.
A aproximação com o Centro Sociocultural Quilombo da Serra permitiu incorporar à apresentação uma oficina de Jongo, ministrada por uma das professoras e dançarinas da própria instituição. A atividade proporcionou ao público não apenas o contato com a dança, mas uma experiência de reconhecimento do Jongo como expressão de memória, resistência, identidade, musicalidade e transmissão de saberes entre gerações.
A inclusão da oficina aconteceu de maneira orgânica dentro da proposta de “Pele que Conta, Alma que Canta”, que já trabalha com narrativas relacionadas à ancestralidade e contempla, em seu repertório, histórias de temática indígena e africana. Dessa forma, a experiência no Quilombo da Serra possibilitou aproximar a palavra narrada de uma manifestação cultural viva, presente no território e compartilhada por pessoas que atuam diretamente na preservação e transmissão desses saberes.
Esse encontro também representou um importante avanço na relação entre o projeto e a comunidade. Mais do que levar uma atividade pronta para determinado espaço, a experiência demonstrou a importância de construir ações em conjunto com os territórios, permitindo que seus agentes culturais também assumam protagonismo e contribuam com seus conhecimentos, práticas e referências.
A parceria fortaleceu os vínculos entre o projeto e o Centro Sociocultural Quilombo da Serra, abrindo possibilidades para novas ações conjuntas e ampliando o alcance cultural e educativo da iniciativa.
O desdobramento evidencia, ainda, uma característica fundamental de “Pele que Conta, Alma que Canta”: sua capacidade de se transformar a partir dos encontros realizados durante sua circulação. Cada território deixa de ser apenas o local de uma apresentação e passa a contribuir para a própria construção do projeto.
No Quilombo da Serra, história, dança, música, memória e ancestralidade se encontraram, estabelecendo pontes entre as narrativas indígenas e africanas presentes no repertório e as manifestações culturais preservadas pela comunidade.
Assim, a atividade ultrapassou a contação de histórias e se transformou em uma experiência de troca cultural, pertencimento e valorização dos saberes tradicionais, reforçando o compromisso do projeto com a diversidade cultural e com o reconhecimento das comunidades como produtoras e guardiãs de conhecimento.
Esse é um dos resultados mais significativos de “Pele que Conta, Alma que Canta”: as histórias chegam aos territórios, mas também retornam deles transformadas e enriquecidas por novos encontros, vozes, ritmos, memórias e saberes.
A ficha técnica do projeto “Pele que Conta, Alma que Canta” reúne profissionais com diferentes experiências no campo da cultura, da literatura e das artes. Marlene Macedo, idealizadora e proponente do projeto, atua como produtora cultural, contadora de histórias e oficineira; Cláudia Coelho é escritora, contadora de histórias, editora e produtora cultural, contribuindo também para a concepção e articulação das ações; Sandra Dias atua como artesã e oficineira, desenvolvendo atividades artísticas e criativas junto ao público; Gustavo Lucena integra a equipe na produção e no suporte às atividades culturais; e Álan Magalhães, músico e compositor, é responsável pela dimensão musical das apresentações, criando uma importante interação entre histórias, canções e público. A diversidade de experiências da equipe contribui para o caráter multidisciplinar do projeto, no qual literatura, oralidade, música, arte e cultura popular se encontram em cada apresentação.
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