Literatura, histórias e encontros: RuraLetras II aproxima autores e pequenos leitores na zona rural de Teresópolis
Literatura,
histórias e encontros: RuraLetras II aproxima autores e pequenos leitores na
zona rural de Teresópolis
Contações de histórias e apresentações
de escritores transformaram a Praça de Bonsucesso em espaço de descoberta,
imaginação e valorização da literatura durante a feira
Durante os dias da RuraLetras
II – Literatura, Saberes e Sonhos nas Trilhas do Interior, a Praça de
Bonsucesso, no Terceiro Distrito de Teresópolis, tornou-se um grande ponto de
encontro entre quem escreve, quem conta e quem começa a descobrir o universo
dos livros. Entre os destaques da programação estiveram as contações de
histórias e as apresentações de autores, proporcionando às crianças a
oportunidade de conhecer escritores, ouvir suas narrativas e conversar
diretamente com quem transforma ideias em livros.
Em um dos momentos da
programação, a escritora e produtora cultural Cláudia Coelho, uma das
idealizadoras da RuraLetras, apresentou ao público sua obra “Potiara”,
conduzindo as crianças por uma história marcada pelo contato com a natureza,
pelo cuidado com os animais e pela descoberta.
A narrativa acompanha
Potiara em uma aldeia cercada pela riqueza da fauna e da flora. Peixes,
pássaros, macacos, sapos e borboletas fazem parte desse universo até que
misteriosas pegadas encontradas na floresta despertam a curiosidade da
personagem.
A busca conduz Potiara ao
encontro de uma onça com a pata machucada. A partir daí, a história aborda
valores como cuidado, empatia, respeito aos animais e relação harmoniosa com a
natureza, aproximando a literatura de temas que podem continuar sendo trabalhados
pelas crianças dentro e fora da escola.
A contação ganhou ainda
elementos de interação e música, transformando a apresentação do livro em uma
experiência compartilhada com o público.
Dos
livros para a conversa com seus autores
A proposta, entretanto,
não se limitou à apresentação de uma única obra. Depois da história de Potiara,
outros escritores presentes foram convidados a falar sobre seus trabalhos,
fortalecendo um dos principais objetivos da RuraLetras: aproximar autores e
leitores.
Em vez de o escritor
permanecer como um nome distante impresso na capa de um livro, as crianças
puderam conhecer pessoas que escrevem, ouvir sobre a criação de suas obras e
perceber que as histórias podem nascer de experiências, sonhos, observações e
acontecimentos muito próximos de sua própria realidade.
A programação também
reconheceu a participação de Márcia Soraggi, que havia compartilhado sua
história com o público em outro momento das atividades, reforçando a
diversidade de escritores e narrativas presentes na feira.
Entre as autoras
apresentadas esteve ainda Patrícia da Silva Clemente, que falou sobre
seu livro “Mãos Talentosas”, obra inspirada nos talentos e na
criatividade das crianças. A participação possibilitou conversar justamente
sobre as habilidades que cada criança pode descobrir e desenvolver.
Crianças
deixam de ser apenas espectadoras
A interação foi uma das
características marcantes das atividades literárias realizadas durante a feira.
Perguntas sobre sonhos,
criatividade e o mundo ao redor foram utilizadas para estimular a participação
das crianças. Questões ambientais, como o descarte inadequado de resíduos,
também apareceram nas conversas, demonstrando como a literatura pode abrir caminhos
para abordar cidadania e responsabilidade com o lugar onde se vive.
Assim, as crianças não
permaneceram apenas ouvindo.
Responderam, imaginaram,
participaram e foram convidadas a relacionar as histórias com suas próprias
experiências.
Essa aproximação é
especialmente importante em uma feira realizada na zona rural. Ao colocar
escritores diante dos estudantes e permitir o diálogo direto, a RuraLetras
contribui para mostrar que escrever livros e produzir cultura não são
atividades pertencentes somente a pessoas distantes ou aos grandes centros.
O escritor pode estar ali,
diante delas.
Pode morar na mesma
cidade.
Pode viver em uma
comunidade próxima.
E a próxima história
também pode nascer de uma ideia de uma daquelas crianças.
Diferenças também contam histórias
Outro momento da atividade
trouxe para a programação uma narrativa apresentada por Lucimar Felisberto,
envolvendo a história de Maira e uma abordagem sobre as diferenças, a
individualidade e a criatividade por meio da arte e da cerâmica.
A diversidade de temas
apresentados ao longo das atividades mostrou justamente a amplitude de
possibilidades proporcionadas pela literatura infantil. Meio ambiente, sonhos,
talentos, diferenças, respeito, natureza, criatividade e pertencimento podem
chegar às crianças por meio das histórias e provocar conversas que continuam
mesmo depois que a contação termina.
Uma feira onde escritores e leitores se
encontram
As contações de histórias
e apresentações de autores sintetizam uma das propostas centrais da RuraLetras
II: criar oportunidades reais de encontro.
A feira não apresenta apenas livros
expostos em estandes. Ela coloca autores e leitores frente a frente.
Quem escreve pode contar
como uma história nasceu. Quem lê pode perguntar, conversar, descobrir e
imaginar. E quem ainda não se reconhece como leitor pode encontrar justamente
ali o livro, a história ou o personagem capaz de despertar essa aproximação.
Durante os dias de
realização da RuraLetras II, esse movimento ganhou um significado ainda maior
pela presença de estudantes e professores na Praça de Bonsucesso. Para muitas
crianças, a feira representou uma oportunidade de vivenciar de perto um ambiente
literário, conhecer escritores e participar ativamente das atividades.
Realizada pelo Jornal e
Editora Alecrim, em parceria com o Coletivo Samburá de Histórias e a
BAMPA Produções Socioculturais, a RuraLetras II reuniu literatura,
música, cultura popular, contação de histórias, autores e diferentes
manifestações artísticas em uma programação gratuita voltada à comunidade.
Mais do que levar livros
para uma praça, a feira mostrou que a formação de leitores também acontece pelo
encontro: quando uma criança ouve uma história, conhece quem a escreveu, faz
uma pergunta, conta seu próprio sonho e percebe que sua voz também pode fazer
parte daquele universo.
E, durante a RuraLetras
II, a Praça de Bonsucesso teve muitas histórias para contar.







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