A geração distraída: a responsabilidade dos adultos diante das telas e da formação emocional das crianças! - por Renata Gaia

 

Nunca tivemos tanto acesso à informação. Nunca foi tão fácil aprender, descobrir, conectar. Mas, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos visto uma geração tão distraída.

As telas entraram silenciosamente na rotina das famílias. Vieram como ferramenta, entretenimento, praticidade. Mas será que já paramos para refletir sobre o que, de fato, estamos permitindo que nossas crianças recebam?

Será que elas estão emocionalmente preparadas para lidar com o volume e com a velocidade das informações que chegam através dos celulares, dos vídeos, das redes sociais, dos chamados “filminhos inocentes”?

Ou estamos oferecendo a elas conteúdos para os quais ainda não possuem maturidade emocional, mental e espiritual para processar?

Essa é uma pergunta urgente.

Estamos formando uma geração que, muitas vezes, encontra mais facilidade em deslizar uma tela do que em abrir um livro. Uma geração para a qual o silêncio incomoda, a espera angustia e a presença real parece cada vez menos necessária.



Ler um livro, hoje, para muitos, parece algo antiquado — quase medieval.

Mas quais frutos desejamos colher da infância de hoje?

O que estamos plantando agora será, inevitavelmente, a base do adolescente de amanhã e do adulto que virá logo depois.

Não há como ignorar os efeitos do excesso.

Excesso de tela.

Excesso de distração.

Excesso de pressa.

Excesso de estímulo imediato.

Tudo isso, somado a informações que muitas crianças ainda sequer conseguem compreender plenamente, pode gerar distúrbios inimagináveis no campo mental, síndromes emocionais profundas e desequilíbrios importantes no campo espiritual.

A responsabilidade dos pais — ou de qualquer adulto responsável pela formação de uma criança — vai muito além de garantir segurança física.

É preciso perguntar:

Como está o campo mental do meu filho?

Como está o campo emocional?

Como está o campo espiritual?

E mais:

Quais são os efeitos que a soma de tudo isso está produzindo no corpo físico, nas escolhas futuras e na identidade que está sendo construída?

Estamos diante de cérebros ainda em formação.

As sinapses neurais estão sendo criadas.

As referências internas estão sendo estabelecidas.

A forma como essas crianças interpretarão o mundo está sendo moldada agora.

Que tipo de mundo estamos entregando a elas?

Precisamos nos posicionar.

Precisamos colocar um ponto final na passividade diante dessa geração distraída.

E, em seu lugar, oferecer algo mais valioso:

Informações com conteúdo.

Educação baseada em valores.

Aprendizado sobre superação.

Respeito à diversidade.

Fortalecimento emocional para enfrentar o medo do abandono.

Liberdade para não precisar ser aquilo que o outro espera.

Coragem para dizer não às drogas, aos vícios, à promiscuidade, à necessidade constante de aprovação.

Precisamos ensinar nossas crianças a serem livres de verdade.

Livres para pensar.

Livres para sentir.

Livres para escolher.

Talvez esteja na hora de devolver à infância aquilo que a humanidade sempre teve de mais precioso: a presença.

O encontro olho no olho.

A conversa sem interrupções.

A roda ao redor da fogueira.

O amigo presente.

O amigo verdadeiro.

Talvez esteja na hora de estimular novamente a leitura, a contemplação, a escuta, o tempo.

Mas, para isso, primeiro precisamos despertar o adulto emocional que existe dentro de nós.

Porque só adultos emocionalmente conscientes conseguem formar crianças com valores, equilíbrio e sentido de vida.



O futuro das nossas crianças não está apenas nas escolas, nas tecnologias ou nas oportunidades que terão.

Está, sobretudo, naquilo que estamos permitindo que entre em suas mentes, em seus corações e em suas almas.

Ainda há tempo de escolher melhor.

Ainda há tempo de educar para a saúde emocional, espiritual e física.

Ainda há tempo de trocar distração por presença.

E talvez esse seja um dos maiores atos de amor e responsabilidade que podemos oferecer às próximas gerações.

Renata Gaia

Youtube: Renata Gaia

          Instagram:  @vivagaiadeluz



Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 



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Comentários

  1. Ficou ótima!!! Minha opinião é que precisa ter mais investimento tanto por parte do governo quanto por parte das empresas, todos ajudando, para que a leitura chegue para quem não tem acesso, e forme hábitos

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