Cristiane Rolim Flórido: quando a coragem transforma dor em palavras

 


Cristiane Rolim Flórido: quando a coragem transforma dor em palavras

Autora de As Filhas de Tamar, escritora transforma a própria história de superação da violência doméstica em uma mensagem de fé, esperança e recomeço

Há livros que nascem da imaginação. Outros começam a ser escritos muito antes de chegarem ao papel, nas experiências, nas dores, nos silêncios e nas escolhas de quem um dia decide contar a própria história.

As Filhas de Tamar, de Cristiane Rolim Flórido, pertence a essa segunda categoria.

A relação de Cristiane com a escrita começou ainda na juventude. Quando mais nova, ela tinha o hábito de escrever em diários, registrando pensamentos e sentimentos como quem estabelecia uma conversa íntima com Deus. Em algum momento, nasceu em seu coração a certeza de que um dia teria um livro.

O sonho, no entanto, ganhou um significado ainda mais profundo depois que a autora vivenciou a violência doméstica.

Foi então que ela decidiu: quando escrevesse sua história, o livro se chamaria As Filhas de Tamar.

A obra nasceu da experiência pessoal da autora e de sua decisão de transformar a dor em testemunho. Mais do que narrar acontecimentos difíceis, Cristiane escolheu fazer de sua trajetória uma forma de alcançar outras mulheres.

A autobiografia foi lançada em 25 de outubro de 2023, no hall do Palácio Barriga Verde, sede da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis. O lançamento representou um marco em uma caminhada que começou com poucos recursos financeiros, muitas dificuldades e uma enorme vontade de seguir adiante.

Uma história que encontra outras histórias

Em As Filhas de Tamar, os leitores encontram muito da própria Cristiane: sua história, sua fé e sua capacidade de superação.

A autora fala sobre momentos de fraqueza e sobre os obstáculos encontrados ao longo do caminho, mas também sobre a força que encontra em Deus para continuar.

“Mesmo que as pessoas não acreditem em mim, eu acredito em mim e sei que tenho um Deus que acredita em mim.”

Essa certeza atravessa sua trajetória e ajuda a compreender o propósito de sua escrita. Para Cristiane, contar sua história não significa permanecer presa ao passado, mas mostrar que é possível atravessar períodos difíceis e reconstruir a própria vida.

O livro é dedicado às muitas mulheres que, de alguma forma, enfrentaram ou ainda enfrentam relacionamentos abusivos. Mulheres que, como tantas “Anas”, “Marias” e “Cristianes”, podem encontrar nas páginas de outra mulher a coragem para reconhecer a própria história.

Mulheres não precisam viver de migalhas

Entre as principais mensagens defendidas pela autora está a importância de as mulheres reconhecerem o próprio valor.

Cristiane fala sobre família, amor, comunhão e fé, mas também é enfática ao afirmar que nenhuma mulher precisa aceitar uma vida feita de migalhas.

Para ela, as mulheres merecem ser honradas e amadas. Antes de tudo, porém, precisam aprender a se amar, reconhecer suas capacidades e compreender que também podem construir seus próprios caminhos.

Sua escrita nasce, assim, do encontro entre experiência pessoal e propósito. Ao narrar o que viveu, Cristiane não pretende apenas contar uma história individual. Ela deseja conversar com outras mulheres e mostrar que a dor não precisa representar o fim de uma trajetória.

Um livro construído com trabalho e persistência

A publicação de As Filhas de Tamar também carrega outra história de superação: a luta para tornar o próprio livro realidade.

Cristiane conta que começou o projeto com apenas 200 reais.

Para conseguir pagar o investimento necessário à publicação, enfrentou jornadas de trabalho de 12 horas e chegou a acordar de madrugada para trabalhar. Houve momentos em que acreditou que não conseguiria quitar os custos do livro.

Mas continuou.

“Fui com a cara e com a coragem.”

A frase simples resume uma parte importante de sua trajetória como autora independente. Sem uma renda que lhe garantisse tranquilidade para investir na publicação, Cristiane avançou passo a passo até conseguir concluir o projeto.

O esforço foi recompensado por conquistas que, no início, talvez parecessem distantes. A obra chegou a um dos espaços institucionais mais importantes de Santa Catarina e foi lançada na Assembleia Legislativa do Estado.

Para uma mulher que começou com 200 reais e muitas incertezas, ver o próprio livro ocupando aquele espaço foi a confirmação de que o primeiro passo havia valido a pena.

Quando um livro deixa de pertencer apenas ao autor

Entre todas as conquistas, porém, algumas das mais importantes acontecem longe dos palcos e das solenidades.

São os encontros com os leitores.

Cristiane conta que já ouviu pessoas dizerem:

“Cris, esse livro falou comigo. Essa é a minha história.”

Talvez seja justamente nesse momento que As Filhas de Tamar revele uma de suas maiores forças.

Quando uma experiência pessoal é transformada em literatura, ela pode deixar de pertencer apenas a quem a viveu. A história encontra outras histórias. A dor de uma pessoa ajuda outra a nomear aquilo que sentia. A coragem de uma mulher pode despertar a coragem de muitas outras.

É também por isso que Cristiane incentiva aqueles que sonham em publicar um livro a não desistirem.

Sua própria caminhada é o argumento que apresenta: começou com pouco dinheiro, enfrentou dificuldades, trabalhou intensamente e viu o livro que parecia tão distante se tornar realidade.

Para ela, tudo começa quando alguém decide dar o primeiro passo e plantar uma semente no próprio sonho.

“Não importa o que as pessoas dizem, nem se dizem que você não é capaz. Se você acredita em você, vá em frente.”

A história de Cristiane Rolim Flórido mostra que escrever também pode ser uma forma de sobreviver, reconstruir e alcançar outras pessoas.

Em As Filhas de Tamar, a autora transforma a própria experiência em palavra. E, ao fazer isso, abre espaço para que outras mulheres compreendam que suas histórias também merecem ser ouvidas — e que nenhum deserto precisa ser atravessado para sempre.

 

 


 

 

1 - Como nasceu sua paixão pela escrita e em que momento você percebeu que queria transformar suas histórias em livros?

Quando eu era mais nova, sempre escrevia em diário, como se estivesse conversando com Deus. Em determinado momento, coloquei no meu coração que um dia teria um livro.

Depois que passei pela violência doméstica, decidi que, no dia em que escrevesse esse livro, ele se chamaria As Filhas de Tamar. Então, coloquei esse sonho em prática. Criei ânimo e comecei a escrever, porque sempre gostei muito de escrever.

2 - Toda obra carrega um pouco de quem a escreve. O que os leitores podem encontrar de Cristiane Rolim em seus livros?

A minha história e a minha superação.

Mesmo quando me sinto fraca e penso que não vou conseguir, em meio aos obstáculos e aos desertos, sei que Deus está comigo e que posso vencer. Mesmo que as pessoas não acreditem em mim, eu acredito em mim e sei que tenho um Deus que acredita em mim.

É isso que me dá forças para superar todas as dores.

3 - Quais são os principais temas que inspiram sua escrita e que mensagem você espera deixar para quem lê suas obras?

A principal mensagem que quero deixar é que Deus criou a família para ser preservada e amada, para que as pessoas possam se sentar à mesa e ter comunhão.

Também quero que as mulheres entendam que não precisam viver de migalhas. Ninguém merece viver de migalhas. Elas merecem ser honradas e amadas, mas, em primeiro lugar, precisam se amar e se realizar. Precisam enxergar que são capazes de vencer.

4 - O mercado editorial apresenta muitos desafios, especialmente para autores independentes. Quais foram os maiores obstáculos da sua trajetória e o que mais lhe trouxe alegria nesse caminho?

Meu maior obstáculo foi ter que trabalhar 12 horas por dia e acordar de madrugada para conseguir pagar as prestações do livro, muitas vezes achando que não conseguiria.

Comecei com apenas 200 reais para fazer o livro. Fui com a cara e a coragem e, mesmo sem ter renda, consegui quitar o investimento e publicar a obra.

Depois, tive a alegria de ser entrevistada pela Record. Meu livro também chegou à Assembleia Legislativa. Foram conquistas que me mostraram que todo o esforço valeu a pena.

Outra grande alegria é quando alguém chega até mim e diz: “Cris, esse livro falou comigo. Essa é a minha história.” Quando isso acontece, percebo quantas pessoas podem ser alcançadas por meio de um livro.

5 - Que conselho você daria para quem sonha em publicar um livro, mas ainda não encontrou coragem para dar o primeiro passo?

Se você acredita, não desista de escrever a sua história em um livro. Você é capaz de escrever, assim como eu fui.

Eu tinha apenas 200 reais para começar e consegui publicar um livro que chegou à Assembleia Legislativa. Tudo começa quando você dá o primeiro passo e planta uma semente no seu sonho.

Não importa o que os outros digam. Não importa se as pessoas dizem que você não é capaz. Se você acredita em si mesmo, vá em frente. Acredite, escreva o seu livro, porque vale a pena.

Você nunca sabe quantas pessoas poderão se reconhecer na sua história e ser alcançadas pelas suas palavras.

 


Onde encontrar As Filhas de Tamar

Os leitores que desejarem conhecer de perto a história de Cristiane Rolim Flórido podem adquirir As Filhas de Tamar em nossa loja on-line. O livro é enviado diretamente para a casa do comprador, permitindo que leitores de diferentes localidades tenham acesso à obra com praticidade e segurança. Para conhecer e adquirir o livro, basta acessar a página de As Filhas de Tamar na Loja Alecrim. A obra também estará em exposição nos eventos, feiras e ações culturais promovidos ou integrados pelo Jornal e Editora Alecrim, aproximando ainda mais a autora de novos leitores e ampliando os caminhos para que sua história continue alcançando outras pessoas.

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https://editoraalecrim.lojaintegrada.com.br/as-filhas-de-tamar








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