Pró-Ler: Prefeitura de Araruama amplia programa de alfabetização para alunos do 6º ao 9º ano da rede municipal
Pró-Ler: Prefeitura de Araruama amplia programa de alfabetização para alunos do 6º ao 9º ano da rede municipal
Programa
fortalece a estratégia do município para recuperar a aprendizagem e reduzir
defasagens escolares.
A
Prefeitura de Araruama ampliou o Programa Pró-Ler, iniciativa voltada à
recuperação da aprendizagem dos estudantes da rede municipal. A partir deste
ano letivo, o projeto passa a atender também alunos do 6º ao 9º ano do ensino
fundamental, ampliando o alcance para que crianças e adolescentes avancem na
alfabetização e consolidem habilidades essenciais de leitura e escrita.
Implantado
em 2023, o programa foi criado para enfrentar os impactos da pandemia na
educação e agora reforça o atendimento no contraturno escolar, com
acompanhamento pedagógico especializado e foco na redução das defasagens de
aprendizagem. A metodologia é construída por meio de turmas multisseriadas,
onde estudantes de diferentes anos, mas com desafios semelhantes, aprendem
juntos.
Para a
secretária municipal de Educação do município, Valéria Amaral, a estruturação e
o fortalecimento do Pró-Ler refletem o compromisso central com a equidade e a
inclusão. Ela ressalta que a manutenção e o aprimoramento do atendimento são
passos estratégicos para combater as defasagens históricas e assegurar que a
rede municipal atue como um verdadeiro pilar de suporte escolar para a
comunidade.
"A
alfabetização é a prioridade desta gestão. Nosso foco de trabalho diário é o
resgate desses estudantes, garantindo um ambiente que oportunize a aprendizagem
de todos, sem exceção. O projeto existe exatamente para assegurar que cada
aluno tenha a chance real de aprender, se desenvolver e trilhar seu caminho
acadêmico com a base que eles merecem e têm direito", destaca a
secretária.
Para
garantir a eficácia do ensino, a Secretaria de Educação do Município cria
sequências didáticas específicas. Estas, por sua vez, são enviadas às escolas e
adaptadas pelos professores para a realidade de cada comunidade.
Para a
coordenadora do Pró-Ler, Adriana Parisotto, o trabalho realizado pelas equipes
nas escolas vai muito além do reforço pedagógico. De acordo com ela, trata-se
da garantia de um princípio básico de cidadania que altera de forma permanente
a trajetória do jovem.
"Aprender
a ler e a escrever é um direito humano fundamental. Sem a aprendizagem da
leitura e da escrita, o desenvolvimento acadêmico e escolar fica muito
prejudicado e chega um momento em que acaba sendo inviabilizado. Então, essa
aprendizagem não é só importante, ela é fundamental", destaca a
coordenadora.
O
diferencial humano, apontado pela coordenação, é um dos maiores pilares desta
nova fase. Os professores dedicados a essas turmas passam por triagens para
garantir o perfil de acolhimento necessário, abraçando a iniciativa com
dedicação. Mais do que focar apenas em notas, o projeto existe para resgatar a
autoestima dos estudantes, colhendo, ano após ano, histórias de superação.
A
grande novidade de 2026 é que esse cuidado, que já atendia crianças do 3º ao 5º
ano (Pró-Ler I), estende-se de forma inteligente para atender as necessidades
dos adolescentes (Pró-Ler II). Além disso, a estrutura conta com suporte extra
para alunos já alfabetizados, mas que precisam consolidar a interpretação de
textos e as operações matemáticas básicas.
Os
resultados do projeto refletem o impacto contínuo da iniciativa na rede
municipal. Entre os anos de 2023 e 2025, o Pró-Ler atendeu 1.172 estudantes,
alcançando uma média de 83% de alunos efetivamente alfabetizados ao final dos
ciclos. O ano de 2023 registrou o maior índice de aproveitamento, com 86% dos
376 matriculados consolidando a leitura e a escrita.
Em
2024 e 2025, o programa atendeu 443 e 353 alunos, com taxas de alfabetização de
81% e 83%, respectivamente. Para o atual ano letivo de 2026, cujas avaliações e
atividades estão em andamento, há 297 estudantes matriculados, o que eleva o
alcance histórico do projeto para 1.469 alunos inseridos na iniciativa desde a
criação.
Lidando
diariamente com a frustração de alunos que não conseguiram se alfabetizar no
tempo regular, Claudia, professora do Pró-Ler na Escola Municipal Jeronimo
Carlos do Nascimento, destaca que o primeiro passo do projeto é a reconstrução
da confiança dessas crianças. Para a educadora, a iniciativa é, acima de tudo,
um resgate social:
"A
gente pega essas crianças que estão desacreditadas, os pais já não acreditam
nelas e elas não acreditam em si mesmas. Então, a gente trabalha toda a questão
da autoestima, para a criança se sentir empoderada e capaz. O Pró-Ler veio para
mostrar que existe esperança, sim, para alunos que por algum motivo ficaram no
meio do caminho. Existe forma de resgatá-los”, disse.
Filipe Carbone/Seduc
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