Após 25 anos, Teresópolis atualiza Plano Diretor de Turismo e traça metas até 2030


Após 25 anos, Teresópolis atualiza Plano Diretor de Turismo e traça metas até 2030

 

Aprovado por unanimidade pelo COMTUR, documento estabelece oito eixos estratégicos e amplia o olhar para sustentabilidade, acessibilidade, inteligência turística, regionalização e novos segmentos do setor

 

Teresópolis inicia um novo capítulo no planejamento de uma de suas atividades econômicas e culturais mais importantes. Nesta quarta-feira, 26 de agosto, o Conselho Municipal de Turismo de Teresópolis (COMTUR) aprovou, por unanimidade dos conselheiros presentes, a atualização do Plano Diretor de Turismo, documento que orientará as políticas, ações e estratégias para o desenvolvimento turístico do município nos próximos anos.

A decisão ganha ainda mais relevância por encerrar um intervalo de 25 anos sem uma atualização efetiva do principal instrumento de planejamento turístico da cidade.

A reunião ordinária contou com a presença de 14 dos 18 conselheiros, reunindo representantes do Poder Público e da sociedade civil. Mais do que atualizar um documento, o encontro colocou em discussão que turismo Teresópolis deseja construir para os próximos anos e quais caminhos poderão transformar seu potencial em desenvolvimento, geração de renda, preservação do patrimônio e valorização do território.



Um plano que precisava acompanhar uma nova Teresópolis

Instituído em 2001, o Plano Diretor de Turismo foi elaborado em uma realidade bastante diferente daquela encontrada hoje.

De lá para cá, o próprio turismo mudou. Novos segmentos ganharam espaço, a tecnologia modificou profundamente a maneira como viajantes escolhem, pesquisam e compartilham destinos e questões como sustentabilidade, acessibilidade, governança, inteligência de dados e transformação digital passaram a fazer parte das discussões sobre o desenvolvimento turístico.

Teresópolis também se transformou. O município ampliou suas experiências ligadas ao turismo rural, gastronomia, produção artesanal, natureza, esportes, eventos e economia criativa, entre outras possibilidades que hoje compõem a identidade turística do território.

A atualização aprovada pelo COMTUR estabelece um novo horizonte de planejamento para 2026 a 2030. O documento mantém princípios estruturantes do plano original, mas incorpora conceitos e instrumentos de gestão adequados à realidade atual.

Outro aspecto importante é a compreensão do turismo como atividade transversal. Agricultura, gastronomia, cultura, meio ambiente, esporte, comércio, serviços, eventos, economia criativa, tecnologia e desenvolvimento regional aparecem conectados dentro dessa visão.



Construção coletiva e participação

A análise do novo Plano Diretor também abriu espaço para a participação dos integrantes do COMTUR. Durante a reunião, os conselheiros apresentaram considerações e propostas de alteração, que contribuíram para o aperfeiçoamento da versão final.

A aprovação por unanimidade reforça uma das bases estabelecidas pelo próprio documento: a governança compartilhada.

A proposta é que o desenvolvimento turístico não seja responsabilidade de um único setor, mas resultado da articulação entre Poder Público, COMTUR, iniciativa privada, entidades representativas, instituições e sociedade civil.

Para a secretária Municipal de Turismo e presidente do COMTUR, Nina Benedito, a aprovação representa uma mudança importante na maneira de pensar o futuro da atividade no município.

“Hoje não estamos apenas atualizando um documento. Estamos resgatando um instrumento de planejamento que permaneceu por 25 anos sem acompanhar a evolução do turismo e devolvendo a ele sua função prática: orientar políticas públicas, estabelecer metas e apontar caminhos para o desenvolvimento do setor. E o mais importante é que esse avanço foi construído de forma coletiva, com Poder Público e sociedade civil discutindo e decidindo juntos o futuro do turismo de Teresópolis.”

Oito eixos para pensar o turismo até 2030

O Plano Diretor atualizado está organizado em oito eixos estratégicos, que deverão nortear as ações do município nos próximos quatro anos:

  1. Governança e inteligência turística;
  2. Desenvolvimento de produtos turísticos;
  3. Qualificação e empreendedorismo;
  4. Marketing e comercialização;
  5. Infraestrutura e acessibilidade;
  6. Sustentabilidade;
  7. Eventos e combate à sazonalidade;
  8. Regionalização.

Além das diretrizes gerais, o documento estabelece metas até 2030, indicadores de desempenho, responsabilidades, cronograma e mecanismos de acompanhamento, permitindo avaliar o que está sendo efetivamente executado.

Entre as ações previstas estão a implantação de um sistema municipal permanente de inteligência turística, atualização anual do Inventário da Oferta Turística, fortalecimento de roteiros e experiências, qualificação dos profissionais do setor, planejamento de marketing e melhorias relacionadas à sinalização e à acessibilidade.

Também aparecem entre as prioridades o fortalecimento do turismo rural, da agricultura familiar, do enoturismo e das experiências relacionadas ao lúpulo e à cerveja, segmentos que vêm ganhando espaço dentro da oferta turística do município.



Planejamento precisa continuar além das gestões

Um dos pontos relevantes do novo modelo é justamente a tentativa de estabelecer continuidade.

O documento prevê monitoramento trimestral, avaliação semestral das metas, relatório anual consolidado, revisão intermediária em 2028 e avaliação final em 2030.

Na prática, esses mecanismos poderão permitir que sociedade, entidades do setor e Poder Público acompanhem o desenvolvimento das propostas e seus resultados ao longo dos próximos anos.

A intenção também é reduzir os impactos provocados pelas mudanças de ciclos administrativos, preservando projetos, dados, inventários, roteiros, programas e outras ações estruturantes que apresentem resultados positivos.



Turismo como desenvolvimento e pertencimento

Para quem trabalha diretamente no setor, a atualização representa a possibilidade de contar com diretrizes e prioridades mais próximas da realidade contemporânea. Para o Poder Público, oferece uma ferramenta para orientar investimentos e decisões. E, para a sociedade, pode significar maior possibilidade de participação e acompanhamento das políticas destinadas a uma atividade que movimenta diversos setores da economia.

Teresópolis possui características privilegiadas: natureza, montanhas, áreas rurais, gastronomia, patrimônio, produção cultural, eventos, esportes, cervejarias, produtores locais e uma localização estratégica no Estado do Rio de Janeiro. Transformar toda essa diversidade em desenvolvimento sustentável depende, porém, de planejamento, integração e continuidade.

Ao comentar a importância do momento, Nina Benedito destacou:

“Depois de 25 anos, Teresópolis não apenas atualiza seu Plano Diretor de Turismo. O município atualiza a maneira de planejar o futuro do setor. A aprovação unânime pelo COMTUR representa um marco para o turismo municipal e reafirma a atividade como política pública estratégica para o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a valorização do território, a preservação do patrimônio e a melhoria da qualidade de vida da população.”

A aprovação do novo Plano Diretor não encerra o trabalho. Ao contrário: estabelece um ponto de partida. Os próximos anos mostrarão como as metas definidas no documento serão transformadas em ações concretas e de que maneira o planejamento poderá contribuir para consolidar Teresópolis como um destino cada vez mais estruturado, sustentável, acessível e conectado à identidade de seu território.



Fotos: Jéssica Fernandes e Cláudia Coelho


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