“Entre Silêncios”: quando a poesia da adolescência atravessa o tempo e encontra novos leitores

 


“Entre Silêncios”: quando a poesia da adolescência atravessa o tempo e encontra novos leitores

Primeiro livro da trilogia poética de Cláudia Coelho transforma escritos da juventude em memória, literatura e possibilidade de diálogo entre gerações

Há sentimentos que pertencem a uma idade. Outros parecem nascer nela, mas nos acompanham por toda a vida. O primeiro amor, a amizade intensa, a vontade de ser compreendido, a descoberta de si, as perguntas sobre o futuro, a saudade, a solidão, os sonhos e aquela sensação tão própria da juventude de que tudo está acontecendo pela primeira vez.

É desse território afetivo que nasce “Entre Silêncios”, de Cláudia Coelho de Meneses, publicado pelo Jornal e Editora Alecrim em sua 1ª edição, em 2026. O livro reúne poemas e escritos produzidos principalmente entre 1990 e 1994, quando a autora ainda vivenciava a adolescência e o início da juventude.

Mais do que uma coletânea de poemas, a obra funciona como uma espécie de diário poético de formação. São registros de uma menina que observa o mundo enquanto aprende a nomear aquilo que sente — e que, décadas depois, retorna a esses escritos sem apagar a voz de quem os produziu.

Na apresentação da obra, a própria autora define a adolescência como uma mistura de paixões, fantasias, erros, acertos, experiências e sonhos, propondo um gesto especialmente significativo: acolher a criança e a adolescente que fomos.

É justamente aí que está uma das maiores forças de Entre Silêncios: o livro não tenta fazer a adolescente escrever como adulta. Permite que a adolescente continue falando.



Uma resenha editorial: poesia como memória de formação

Entre Silêncios pode ser lido como poesia amorosa, memorialística e autobiográfica, mas sua dimensão vai além.

O leitor encontra poemas sobre amor, amizade, saudade, liberdade, identidade, natureza, teatro, sonhos, frustrações e amadurecimento. Títulos como “É Chegada a Hora”, “Transformação de Ator em Personagem”, “Revolução”, “Meu Grande Tormento”, “Amizade”, “Seus Olhos”, “O Amor Existe”, “Momentos”, “Filosofia”, “A Saudade”, “O Segredo Maior”, “Simples”, “Segundos de Saudade”, “Viver”, “Saudades”, “Poesia Feliz” e “O Poeta” revelam a amplitude desse universo emocional.

E existe algo particularmente interessante na leitura contemporânea desses textos: eles preservam a espontaneidade de uma época.

Em “Momentos”, por exemplo, a jovem autora se pergunta quem é e como chegou até ali. Já em “Filosofia”, escrita em 1992, a reflexão sobre identidade aparece novamente, agora associada à tentativa de reconhecer defeitos, qualidades e a própria existência.

Em “A Saudade”, a memória torna-se quase uma viagem pelo tempo: infância, primeiro namorado, lembranças boas e ruins e a percepção de que a vida muda rapidamente.

São questões escritas há mais de três décadas, mas que permanecem surpreendentemente próximas das inquietações de muitos adolescentes de hoje.

Mudaram as tecnologias, as formas de comunicação, as músicas e os códigos sociais. A necessidade de pertencer, amar, ser ouvido, descobrir quem se é e encontrar um lugar no mundo permanece.

Por isso, Entre Silêncios pode criar uma bonita ponte entre gerações.

Pais podem reconhecer nos versos sentimentos de sua própria juventude. Professores podem encontrar neles pontos de partida para conversar com seus alunos. Jovens podem perceber que algumas das angústias que parecem exclusivamente suas também foram experimentadas por outras gerações.

E leitores adultos talvez encontrem algo ainda mais inesperado: a oportunidade de reencontrar quem foram.

                 Lançamento em Araruama - 14 de agosto

Um livro que também pode entrar na escola

Embora Entre Silêncios não tenha sido concebido originalmente como material didático, sua estrutura e seus temas permitem que ele seja utilizado como obra literária complementar, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, desde que a seleção e a mediação sejam adequadas à faixa etária e ao projeto pedagógico da instituição.

Isso abre possibilidades interessantes para professores de Língua Portuguesa, Literatura, Arte e projetos interdisciplinares.

A BNCC valoriza, no campo artístico-literário, experiências que ampliem o contato dos estudantes com diferentes manifestações literárias, favoreçam a fruição estética, a interpretação, a construção de sentidos e a formação do leitor literário.

Nesse contexto, Entre Silêncios pode contribuir para práticas envolvendo leitura e interpretação de poemas; linguagem poética; eu lírico; metáforas e imagens; ritmo e construção de versos; produção autoral; leitura expressiva; saraus; memória e autobiografia; relações entre literatura e experiência pessoal; comparação entre juventudes de diferentes épocas; e criação de poemas, cartas, diários e registros de memória.

Há ainda uma característica particularmente fértil para o ambiente escolar: muitos textos são datados.

“Seus Olhos”, por exemplo, registra 1º de maio de 1990; “É Chegada a Hora”, 25 de maio de 1992; “Deixe”, 13 de julho de 1993; e “Meu Grande Tormento”, 20 de janeiro de 1994.

Isso permite ao professor trabalhar uma questão muito rica: o texto literário também pode ser documento de uma experiência individual situada no tempo.

O aluno pode ser convidado a perguntar: Como um adolescente escrevia sobre amor em 1990? O que mudou? O que permaneceu? Como eu escreveria sobre esse mesmo sentimento hoje?

A literatura deixa, então, de ser apenas algo a ser explicado pelo professor e passa a ser uma experiência que provoca outra escrita.

                          Lançamento em Araruama - 14 de agosto de 2026

Da leitura à autoria: uma possibilidade pedagógica especialmente interessante

Talvez uma das aplicações mais produtivas de Entre Silêncios na escola seja utilizá-lo não somente para ensinar poesia, mas para estimular novos autores.

A obra pode originar projetos como “Poemas da minha adolescência”, “Cartas para o meu eu do futuro”, “Versos que nunca mostrei”, “Memórias da escola”, “Diário poético” ou “Entre os silêncios da minha geração”.

Depois da leitura de poemas selecionados, os estudantes podem produzir seus próprios textos. A escola pode organizar um sarau, mural literário, exposição, podcast de poesia, recital, pequeno livro coletivo ou e-book.

Nesse sentido, a obra ajuda a apresentar a escrita literária como algo possível e próximo.

Porque Entre Silêncios carrega uma mensagem especialmente poderosa para um estudante: um poema escrito em um caderno durante a adolescência pode sobreviver ao tempo.

Os textos que um jovem escreve hoje podem parecer apenas desabafos, exercícios ou palavras guardadas em uma gaveta. Mas também podem ser o começo de uma trajetória literária.

É significativo, portanto, que o encerramento do livro dialogue justamente com quem também guarda palavras. Ao revisitar aqueles antigos cadernos, a autora conta que se descobriu poeta muitos anos depois e dirige-se a quem possui palavras escondidas “nas gavetas”, encerrando com um convite simples: “Solte-as!”

Literatura, memória, teatro e outras possibilidades

A obra também permite projetos que ultrapassam a leitura silenciosa.

Poemas como “É Chegada a Hora”, “A Cena da Bruxa Boa” e “Transformação de Ator em Personagem” aproximam poesia e experiência teatral, descrevendo palco, personagens, figurino, expectativa, transformação e emoção diante do público.

Isso possibilita leituras dramatizadas, performances, recitais e atividades envolvendo corpo, voz, música e expressão artística.

Outros poemas favorecem discussões sobre amizade, relações humanas, afetividade, escolhas, sonhos, passagem do tempo, identidade e projeto de vida.

Não se trata de transformar a literatura em manual de comportamento — e justamente por isso o livro pode funcionar tão bem pedagogicamente. A literatura oferece perguntas, emoções e experiências. O professor oferece a mediação. O estudante constrói sua leitura.

Por que incluir “Entre Silêncios” em projetos de leitura?

Para escolas, bibliotecas, clubes de leitura e projetos culturais, a obra apresenta uma característica valiosa: permite diferentes níveis de aproximação.

Pode ser simplesmente lida pelo prazer da poesia; pode gerar rodas de leitura; pode acompanhar oficinas de escrita; pode integrar saraus e feiras literárias; pode estimular produção textual; pode aproximar literatura e teatro; pode iniciar conversas entre adolescentes e adultos; pode servir a projetos sobre memória e identidade; e pode contribuir para ações de incentivo à autoria juvenil.

Há ainda potencial para encontros com a autora, rodas de conversa, palestras, oficinas literárias e atividades em feiras do livro, aproximando o estudante não apenas da obra pronta, mas do processo de criação e da figura do escritor contemporâneo.

Para professores e gestores, essa aproximação pode transformar a adoção de uma obra em projeto de leitura vivo, no qual o livro circula, provoca conversa e produz novas histórias.

Um livro sobre aquilo que sentimos antes de aprender a explicar

A ficha catalográfica de Entre Silêncios registra três palavras que ajudam a compreender sua essência: adolescência, memórias e poesia brasileira. A edição é de 2026, publicada em Teresópolis pelo Jornal e Editora Alecrim, sob ISBN 978-65-83430-47-2.

Mas talvez nenhuma classificação consiga resumir completamente o que acontece nestas páginas.

Entre Silêncios é, sobretudo, um encontro.

Entre a adolescente que escreveu e a mulher que decidiu publicar.

Entre 1990 e 2026.

Entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos transformar em palavra.

Entre o jovem que ainda está descobrindo o mundo e o adulto que, ao virar uma página, percebe que alguma parte daquela juventude nunca foi embora.

É um livro para jovens que estão começando a escrever suas histórias — e para adultos que desejam reencontrar algumas páginas das suas.


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“Entre Silêncios” é apenas o começo

A publicação inaugura a trilogia poética “Entre Linhas”, concebida como um percurso de amadurecimento da voz e da escrita de Cláudia Coelho.

Depois de “Entre Silêncios”, a trajetória continua em “Quando o Silêncio não Basta”, segundo volume, no qual aquilo que antes permanecia guardado começa a exigir voz.

E chega a “Versos que não se Escondem”, terceiro livro da coleção, quando a palavra ganha maior liberdade e a autora assume a poesia como território de expressão, sem abandonar completamente os afetos, descobertas, paixões e marcas da juventude que deram origem a esse percurso.

Assim, os três livros podem ser lidos separadamente, mas juntos constroem algo maior: uma trajetória poética através do tempo — do silêncio à voz, da descoberta à expressão, da menina que escrevia para si à mulher que decidiu compartilhar suas palavras com o mundo.

Entre Silêncios.
Quando o Silêncio não Basta.
Versos que não se Escondem.

Três livros. Três momentos. Uma mesma voz atravessando o tempo.

E talvez, ao terminar a leitura, o leitor também se pergunte:

quantas palavras suas ainda estão esperando para sair da gaveta?




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