FLA Araru debate ancestralidade e identidade em busca de uma educação mais inclusiva
FLA Araru debate ancestralidade e identidade em busca de uma educação mais inclusiva
Ancestralidade como parte da identidade
Bárbara Carine, que
influencia nas redes sociais com o perfil "Uma intelectual
diferentona", é doutora e foi professora da Universidade Federal da Bahia.
No currículo, ela traz com orgulho a criação da primeira escola afro-brasileira
do país e 15 livros publicados.
A escritora também
compartilhou como o contato com obras de autores negros modificou sua maneira
de compreender o mundo. Para Bárbara, essas referências foram fundamentais para
questionar uma formação marcada por uma perspectiva colonial.
“Eu comecei a ter uma forma diferente de
pensar o mundo. Eu buscava validação de brancura e algumas literaturas de
pessoas negras foram obras importantes no processo de ruptura colonial, da
narrativa europeia.”
A literatura apareceu,
assim, como uma ferramenta para ampliar referências e permitir que outras
experiências e perspectivas também ocupem espaços de conhecimento e formação.
“A ancestralidade está presente”
Márcia Kambeba trouxe para
o debate a perspectiva dos povos originários e a relação entre memória,
território, educação e identidade. Logo no início de sua participação, destacou
que sua presença no encontro também carregava a memória de seus antepassados.
“Não estou sozinha
aqui, a Ancestralidade está presente", disse a escritora, que também falou sobre a violência
sofrida por mulheres indígenas, tema presente em sua obra "Índia, eu não
sou", e citou escritoras que fazem parte de suas referências, como Cora
Coralina e Conceição Evaristo.
Mas sua primeira
referência literária, como contou, surgiu dentro da própria família. “Tenho
muitas referências na literatura. Mas a minha avó foi minha primeira poeta,
dona Assunta, me apresentou as letras e as músicas.”
Educação sem “caixinhas”
A discussão sobre educação
esteve entre os principais pontos do encontro. Márcia Kambeba defendeu uma
visão capaz de integrar diferentes saberes, experiências e formas de
conhecimento, em vez de separá-los em estruturas rígidas.
“Educação não pode colocar tudo em
caixinhas, educação é a que pensa o todo e que tudo está junto e interligado.”
A partir dessa
perspectiva, o território também foi apresentado como espaço de aprendizagem.
Para a escritora, ele não representa apenas uma localização geográfica, mas
carrega memória, conhecimento, identidade e ensinamentos transmitidos entre
gerações.
A discussão também colocou
em evidência a importância dos saberes originários dentro dos processos
educacionais e a necessidade de ampliar o olhar sobre quais conhecimentos são
reconhecidos e valorizados na formação das novas gerações.
Literatura, ciência e saberes
originários
Com o auditório lotado,
Bárbara Carine e Márcia Kambeba transformaram suas experiências pessoais e
literárias em uma discussão mais ampla sobre pertencimento, identidade e
educação.
O encontro abriu o
circuito de palestras da FLA Araru colocando no centro do debate a
possibilidade de aproximar ciência, literatura e saberes ancestrais para
construir uma educação mais inclusiva, conectada aos territórios e aberta a
diferentes formas de conhecimento.
Nesse mesmo ambiente de
valorização da leitura e de aproximação entre literatura e comunidade, a
Kombiteca Samburá de Histórias também integra a FLA Araru, levando ao público a
proposta de uma biblioteca itinerante que transforma o livro em instrumento de
encontro, descoberta e circulação de saberes. A presença da Kombiteca dialoga
de maneira especial com as reflexões apresentadas durante a palestra, ao
defender uma literatura que ultrapassa os espaços tradicionais e chega às
pessoas, aos territórios e às diferentes gerações.
Com seu acervo e suas
ações de incentivo à leitura, a Kombiteca soma-se às diversas experiências
presentes na feira e reforça uma ideia que atravessou o encontro com Bárbara
Carine e Márcia Kambeba: conhecimento, memória e literatura também se constroem
a partir da troca, da escuta e do contato com diferentes histórias e formas de
compreender o mundo.
Por isso, a programação da
Kombiteca na FLA Araru articula contação de histórias, música, atividades
lúdicas e oficinas de arte.
O produtor cultural
Gustavo Lucena destaca justamente a importância de feiras literárias criarem
espaço para diferentes formas de mediação e formação de leitores.
“Uma feira literária desta dimensão
movimenta muito mais do que livros. Ela aproxima famílias, escolas, escritores,
educadores, artistas e projetos culturais. É uma grande rede sendo construída
em torno da leitura. Para nós, participar desse processo é motivo de muita
alegria. Agradecemos à Prefeitura de Araruama e à Secretaria de Educação pela
iniciativa e pela estrutura da feira, e especialmente à professora Luciane
Saraiva pela confiança na Kombiteca e pela sensibilidade em abrir espaço para
propostas que dialogam diretamente com a infância.”
— Gustavo Lucena
FICHA TÉCNICA — KOMBITECA SAMBURÁ DE
HISTÓRIAS
Realização e participação
Jornal e Editora Alecrim
Kombiteca Samburá de Histórias /
Coletivo Samburá de Histórias
Coordenação, produção e contação de
histórias
Cláudia Coelho — escritora, editora,
professora, atriz e contadora de histórias
Contação de histórias e oficinas
Marlene Macedo — contadora de histórias
e oficineira
Oficinas de arte e atividades criativas
Sandra Souza Dias — artesã e oficineira
Música
Álan Magalhães — músico e compositor
Produção
Gustavo Lucena
Apoio técnico à Kombiteca
Daniel Meneses
Projeto: Kombiteca Samburá de Histórias
Origem: Teresópolis – RJ
Atividades desenvolvidas na FLA Araru:
contação de histórias, mediação literária, música, brincadeiras, atividades
participativas e oficinas de arte para crianças.
FLA ARARU 2026
5ª Feira Literária de Araruama
Tema: A Construção do Ser: Um Mergulho
no Oceano da Literatura
Data: 14 a 17 de agosto de 2026
Horário: 9h às 21h
Local: Praça Antônio Raposo –
Araruama/RJ
Realização: Prefeitura de Araruama, por
meio da Secretaria Municipal de Educação.
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