Onde a Saudade Ainda Guarda Nossos Nomes - por Clayton Zocarato


 

Onde a Saudade Ainda Guarda Nossos Nomes

Conto baseado na canção do grupo Scorpions Here In My Heart do CD Moment Of Glory 2000.

 

            Havia uma música que parecia conhecer o lugar exato onde Carlos escondia aquilo que nunca conseguira dizer a Isabela. Não era uma música antiga quando tudo começou, embora hoje tivesse adquirido a textura das coisas que envelhecem dentro da memória sem jamais envelhecer completamente.

            Here in My Heart, do Scorpions, chegava através dos fones de ouvido, dos aparelhos de som, dos CDs riscados e das noites compridas dos anos 2000, quando a internet ainda parecia uma promessa de futuro e as pessoas ainda precisavam esperar para encontrar umas às outras.

            Havia alguma coisa naquela melodia que parecia feita para os amores que não sabiam se seriam amores, para os encontros que aconteciam com a delicadeza de quem toca uma fotografia com medo de rasgá-la. Carlos se lembrava disso sempre que a música começava. Não se lembrava primeiro do rosto de Isabela, nem de sua voz, nem do perfume que ela usava nos dias quentes.

            Lembrava-se da sensação de ter dezessete, dezoito, dezenove anos e acreditar que o futuro era uma coisa enorme, distante e quase impossível, enquanto o presente cabia inteiro em um banco de praça, em uma conversa depois da aula, em uma ligação telefônica que precisava terminar antes que alguém percebesse o quanto os dois desejavam continuar falando.

            Os anos 2000 tinham uma maneira particular de guardar o tempo. As fotografias eram impressas, as mensagens ficavam registradas em celulares pequenos, as músicas eram gravadas em CDs, os encontros dependiam de horários combinados e os desencontros tinham uma solenidade que hoje parece perdida.

            Não havia ainda essa pressa permanente de saber onde alguém estava, o que estava fazendo, com quem estava, por que demorava a responder.

             Quando alguém desaparecia por algumas horas, era realmente possível imaginar que estivesse simplesmente vivendo. Carlos gostava dessa lembrança porque ela parecia menos cruel do que o presente. Havia espaço para a ausência. Havia silêncio suficiente para a saudade nascer.

            Isabela apareceu em sua vida sem nenhuma cerimônia, como aparecem as coisas que depois se tornam importantes demais para serem explicadas. Primeiro foi apenas um rosto entre tantos. Depois, uma presença reconhecida no corredor. Mais tarde, uma voz que ele esperava ouvir. Depois, inexplicavelmente, um motivo para chegar alguns minutos mais cedo. Nenhum dos dois saberia dizer quando a amizade deixou de ser apenas amizade. Talvez nunca tivesse deixado.

            Talvez o amor tivesse nascido escondido dentro dela, crescendo lentamente entre conversas sobre coisas sem importância, risadas nervosas, livros emprestados, músicas compartilhadas e aqueles silêncios que só existem quando duas pessoas ainda não sabem se podem gostar uma da outra.

            Carlos tinha medo. Isabela também.

            E esse medo era quase bonito porque ainda não conhecia a dimensão do estrago que poderia causar.

            Tinham medo de dizer demais, de parecer ridículos, de ouvir uma resposta diferente daquela que esperavam, de descobrir que aquilo que sentiam era apenas uma invenção particular.

             A juventude possui essa crueldade: transforma pequenos gestos em acontecimentos definitivos. Um olhar demora um segundo a mais e já parece uma promessa. Uma mão toca outra por acaso e o coração interpreta aquilo como uma espécie de declaração. Uma música toca no rádio e imediatamente passa a pertencer a duas pessoas.

            Foi assim que Here in My Heart entrou na história de ambos.



            Não houve uma cena extraordinária. Não houve chuva cinematográfica, estação de trem ou despedida sob uma janela. Houve apenas uma tarde comum, uma conversa prolongada e uma música tocando ao fundo. Carlos percebeu que Isabela estava silenciosa.

             Ela olhava pela janela como quem procurava alguma coisa do lado de fora, embora provavelmente estivesse tentando esconder alguma coisa do lado de dentro. Ele quis perguntar se ela estava bem. Não perguntou. Ela quis dizer que gostava dele. Não disse. A música continuou.

            Talvez o amor tenha sido justamente aquilo que ficou entre uma pergunta não feita e uma resposta que nunca chegou.

            Os encontros continuaram. Caminhavam juntos depois das aulas. Às vezes não tinham assunto e mesmo assim permaneciam próximos. Havia uma inocência que não precisava ser explicada.

            O mundo parecia grande demais para que imaginassem que algum dia poderiam perder um ao outro. Falavam sobre faculdade, trabalho, viagens, filmes, músicas e coisas que gostariam de fazer quando fossem adultos.

            Carlos dizia que um dia teria uma casa tranquila, com livros espalhados pela sala e música tocando nas manhãs de domingo. Isabela dizia que queria conhecer o mar em lugares onde ninguém a conhecesse.

            Eles falavam do futuro como quem fala de uma cidade distante, sem imaginar que o futuro não é uma cidade: é uma estrada que modifica as pessoas antes que elas percebam.

            Haviam momentos em que Carlos quase confessava o que sentia. Certa vez, depois de uma caminhada, ficaram parados diante de uma rua quase vazia. A noite estava quente. Algumas luzes dos postes iluminavam irregularmente a calçada. Isabela olhou para ele e sorriu de um modo que ele carregaria por muitos anos. Carlos pensou que aquele era o momento. Bastava dizer. Bastava uma frase simples. Mas o medo chegou antes.

            Ele pensou que poderia perder a amizade.

            Ela pensou exatamente a mesma coisa.

            E os dois voltaram para casa levando consigo uma verdade que nenhum dos dois tivera coragem de transformar em palavra.

            Naquela época, talvez o amor ainda parecesse uma coisa que precisava ser protegida. Não se sabia que algumas coisas morrem justamente quando são excessivamente protegidas.

            Carlos acreditava que, se realmente gostava de Isabela, deveria evitar qualquer sofrimento para ela. Isabela acreditava no mesmo. Assim, cada um passou a cuidar do outro através da distância. E havia algo profundamente triste nisso: os dois estavam tentando não ferir um ao outro e, sem perceber, construíam lentamente a ferida que permaneceria durante anos.

            O tempo começou a mudar os detalhes.

            As roupas mudaram. Os celulares mudaram. As músicas mudaram. Os lugares mudaram. Os amigos seguiram caminhos diferentes. Alguns foram embora. Outros permaneceram apenas como nomes em redes sociais. As fotografias passaram a existir mais nas telas do que nos álbuns. As conversas ficaram instantâneas e, paradoxalmente, mais distantes.

             O mundo ganhou velocidade enquanto Carlos e Isabela aprendiam a perder aquilo que um dia parecia eterno.

            Eles se afastaram sem uma briga. Isso talvez tenha sido o mais doloroso.

            Não houve traição, acusação ou palavra definitiva. Houve apenas a vida fazendo aquilo que sabe fazer melhor: deslocando lentamente as pessoas umas das outras. Uma mudança de rotina. Um novo trabalho.

            Uma faculdade em outra cidade. Novas amizades. Novas responsabilidades.             Novas versões de si mesmos. A distância começou pequena e depois adquiriu uma espécie de arquitetura própria.

            Carlos chegou a escrever mensagens para Isabela que nunca enviou. Às vezes digitava seu nome no telefone e apagava. Outras vezes encontrava fotografias antigas e permanecia olhando para elas durante alguns minutos. Não sabia exatamente do que sentia saudade. Talvez não fosse somente dela. Talvez sentisse saudade de quem ele próprio era quando estava perto dela.

            Essa é uma das formas mais cruéis da saudade: ela não devolve apenas pessoas; devolve versões nossas que já morreram.

            Durante muito tempo, Carlos acreditou que amadurecer significava esquecer.             Depois descobriu que amadurecer talvez fosse aprender a lembrar sem exigir retorno. A juventude deseja recuperar. A maturidade compreende. Entre uma coisa e outra existe uma longa estrada feita de perdas.

            Isabela também seguiu sua vida. Tornou-se adulta sem abandonar completamente a menina que havia sido. Guardou algumas fotografias. Guardou uma mensagem antiga.

            Guardou uma lembrança que nunca confessou a ninguém. Às vezes ouvia a música do Scorpions por acaso e sentia aquela estranha sensação de estar simultaneamente em dois lugares: no presente e naquela tarde dos anos 2000 em que ainda havia tempo para dizer tudo.

            Mas o tempo é uma espécie de colecionador indiferente. Guarda algumas coisas e destrói outras.

            Anos se passaram.

            Carlos já não era o jovem que caminhava pelas ruas com o coração acelerado diante de um encontro. Tinha aprendido sobre trabalho, fracassos, responsabilidades, despedidas e sobre a maneira como a vida consegue mudar uma pessoa sem pedir autorização.

            Isabela também havia mudado. Havia adquirido outra maneira de olhar, outra maneira de falar, outra serenidade. Quando o reencontro aconteceu, nenhum dos dois estava preparado.

            Foi por acaso.

            Ou talvez todos os reencontros sejam acasos apenas para quem não conhece o trabalho silencioso da memória.

            Carlos a viu em um lugar comum. Por um instante, o tempo pareceu cometer um erro. O rosto era outro e era o mesmo. Haviam sinais de maturidade, pequenas marcas que os anos haviam desenhado, mas os olhos guardavam alguma coisa conhecida. Aquilo o perturbou.

            Ele percebeu que não estava diante da garota que havia conhecido. Estava diante da mulher que ela se tornara. E talvez fosse justamente essa diferença que tornava tudo mais bonito e mais triste.

            Isabela também o reconheceu.

            Nenhum dos dois soube imediatamente o que dizer.

            — Quanto tempo — ela falou.

            Era uma frase pequena demais para tantos anos.

            Carlos sorriu.

            — Muito.

            E havia naquele "muito" tudo aquilo que não cabia em uma conversa.

            Falaram sobre coisas simples. Trabalho. Vida. Amigos. Lugares. Algumas pessoas que haviam desaparecido. Outras que haviam permanecido. Riram de coisas antigas. Por alguns minutos, pareceram jovens novamente, embora ambos soubessem que não eram.

            Depois veio o silêncio.

            O mesmo silêncio.

            Aquele silêncio dos anos 2000.

            Aquele que havia ficado entre eles durante todos aqueles anos como uma terceira presença invisível.

            Carlos olhou para Isabela e compreendeu algo que não compreendera quando jovem: talvez não tivesse perdido apenas a oportunidade de viver um amor.

            Tinha perdido a oportunidade de descobrir o que aquele amor poderia ter sido. E essas duas perdas não são iguais. Uma pode ser encerrada. A outra permanece aberta.

            — Você ainda ouve aquela música? — perguntou Isabela.

            Carlos sentiu o coração mudar de ritmo.

            — Às vezes.

            Ela sorriu.

            — Eu também.

            Não precisaram dizer qual música era.

            Here in My Heart havia sobrevivido aos dois.

            Sobrevivera às cidades, às profissões, aos anos, aos telefones trocados, às fotografias esquecidas e às versões que cada um havia construído de si mesmo.

            A música permanecera exatamente onde as coisas verdadeiramente importantes costumam permanecer: em um lugar que não pertence ao calendário.

            Naquela noite, Carlos procurou a música depois de chegar em casa. Colocou os fones de ouvido e fechou os olhos. Não era mais o mesmo homem que a ouvira tantos anos antes. A canção parecia diferente, embora fosse a mesma. Talvez as músicas não mudem. Nós é que envelhecemos dentro delas.

            A melodia trouxe de volta uma tarde, uma rua, um sorriso, um olhar, uma possibilidade.

            Mas trouxe também uma compreensão.

            Carlos finalmente percebeu que talvez tivesse amado Isabela de duas maneiras diferentes. Primeiro, quando era jovem e acreditava que o amor precisava acontecer para ser verdadeiro.

            Depois, quando amadureceu e descobriu que algumas formas de amor existem justamente porque não aconteceram completamente.

            Não era mais um desejo desesperado de voltar ao passado. Era uma espécie de gratidão melancólica.

            Isabela também compreendera.

            Quando conversaram novamente, dias depois, não houveram promessas. Não houveram tentativa de reconstruir aquilo que o tempo havia levado. Não havia mais necessidade de transformar a memória em destino. Eles já não eram aqueles dois jovens assustados diante da possibilidade de se amarem.

            E talvez essa tenha sido a maior maturidade que o amor poderia lhes oferecer.

            Eles podiam finalmente admitir.

            Sem medo.

            Sem vergonha.

            Sem precisar possuir um ao outro.

            Tinham se amado.

            Talvez ainda se amassem de alguma maneira.

            Mas o amor, depois de tantos anos, já não era uma urgência. Era uma espécie de casa interior. Um lugar onde ambos poderiam entrar sem precisar morar.

            Carlos compreendeu que a saudade não era uma doença que precisava ser curada. Era uma forma de permanência.

            Algumas pessoas deixam de fazer parte da nossa rotina, mas continuam pertencendo à nossa história. Não porque devam retornar, mas porque contribuíram para construir quem somos.

            Isabela certa vez lhe disse:

            — Talvez a gente tenha sido covarde.

            Carlos demorou para responder.

            — Talvez.

            Depois pensou melhor.

            — Ou talvez a gente só fosse jovem demais para saber que algumas coisas precisam ser ditas.

            Ela ficou em silêncio.

            — E agora?

            Carlos olhou para ela.

            — Agora a gente sabe.

            Não havia mais necessidade de explicar.

            Os dois sorriram com uma tristeza tranquila.

            A maturidade possui esse estranho poder: transforma certas tragédias em compreensão. O que antes parecia uma injustiça do destino passa a parecer apenas uma das formas pelas quais a vida acontece. Nem todo amor precisa terminar em casamento, filhos, fotografias de mãos dadas ou uma casa compartilhada.

            Alguns amores terminam em memória. Outros terminam em amizade. Outros terminam em silêncio. E existem aqueles que não terminam porque permanecem em algum lugar entre o que aconteceu e aquilo que poderia ter acontecido.

            Carlos voltou para casa naquela noite caminhando devagar.

            A cidade estava diferente.

            Ou talvez fosse ele.

            As ruas dos anos 2000 não existiam mais da mesma maneira. Algumas lojas haviam fechado. Algumas casas tinham sido reformadas. Algumas árvores haviam crescido. Outras tinham desaparecido. O lugar continuava sendo o mesmo apenas para quem carregava dentro de si a versão antiga dele.

            Ele passou por uma rua onde um dia caminhara com Isabela.

            Parou.

            Ficou alguns segundos olhando para o nada.

            E percebeu que o passado não estava ali.

            Estava dentro dele.

            Essa descoberta, embora simples, teve uma força enorme.

            Durante anos Carlos imaginara que a saudade fosse uma espécie de corda que o puxava para trás. Naquela noite percebeu que não. A saudade era uma ponte. Não servia para voltar. Servia para atravessar.

            Ele colocou os fones de ouvido.

            A música começou.

            Por alguns minutos, o mundo pareceu perder velocidade.

            Carlos fechou os olhos.

            Isabela estava ali, não como uma presença física, mas como memória. Não como alguém que precisava voltar, mas como alguém que nunca havia desaparecido completamente.

            A menina dos anos 2000 estava em algum lugar dentro da mulher que ele reencontrara. E o rapaz que tinha medo de dizer "eu amo você" ainda existia dentro do homem que finalmente aprendera que amar também significa aceitar que algumas histórias não terão a forma que imaginamos.

            A música continuava.

            E havia algo quase sagrado naquela permanência.

            O tempo podia envelhecer os rostos, modificar as cidades, destruir fotografias, trocar números de telefone, apagar mensagens e levar embora pessoas que um dia pareceram eternas. Mas havia coisas que resistiam não porque fossem fortes, e sim porque não precisavam mais de existência concreta para continuar vivendo.

            A lembrança de Isabela era uma delas.

            Carlos já não desejava voltar aos anos 2000.

            Isso seria impossível.

            Não queria recuperar a juventude, porque agora compreendia o preço de tentar viver novamente aquilo que só existe uma vez.

            Queria apenas agradecer.

            Agradecer àquele rapaz assustado.

            Agradecer àquela menina silenciosa.

            Agradecer às tardes sem importância que se tornaram importantes depois.

            Agradecer às conversas que não chegaram ao fim.

            Agradecer à música.

            Agradecer ao medo, até mesmo ao medo, porque foi ele quem preservou a delicadeza daquela lembrança durante tantos anos.

            Talvez, se tivessem ficado juntos naquela época, a história tivesse sido outra.             Talvez tivessem se amado durante alguns anos e depois descoberto que eram incompatíveis. Talvez tivessem construído uma vida juntos. Talvez tivessem se ferido.             Talvez o amor tivesse se transformado em rotina. Talvez tivessem envelhecido lado a lado. Talvez nada disso tivesse acontecido.

            O passado não oferece versões alternativas.

            Ele oferece apenas aquilo que foi.

            E talvez a beleza da maturidade esteja justamente em não tentar negociar com aquilo que já aconteceu.

            Isabela continuou sua vida.

            Carlos continuou a sua.

            Não houve um final grandioso.

            Não houve promessa.

            Não houve beijo tardio sob a chuva.

            Houve algo mais difícil e mais verdadeiro: compreensão.

            Eles finalmente puderam olhar para o que haviam sido sem transformar a memória em culpa.

            E, quando Carlos voltou a ouvir Here in My Heart meses depois, já não sentiu a antiga dor. Sentiu saudade, sim. Uma saudade funda, quase física, dessas que parecem nascer no peito e atravessar lentamente o corpo inteiro. Mas havia nela uma ternura nova.

            Ele compreendeu que algumas pessoas não permanecem em nossa vida porque precisam permanecer ao nosso lado.

            Permanecem porque ajudaram a construir o lugar interior onde continuamos vivendo.

            Isabela havia sido uma dessas pessoas.

            E talvez Carlos também tivesse sido para ela.

            Os anos 2000 ficaram para trás, com suas fotografias impressas, seus CDs, suas mensagens curtas, seus celulares pequenos, suas tardes demoradas e seus encontros inocentes. Ficaram para trás os dois jovens que ainda não sabiam o tamanho do mundo e tinham medo de perder aquilo que mal começavam a descobrir.

            Mas uma música continuava tocando.

            E, enquanto tocasse, existiria um lugar onde o tempo não poderia entrar completamente.

            Sem distância.

            Sem despedida.

            Um lugar feito apenas de memória.

            Ali, naquele espaço secreto que a maturidade aprende a não destruir, Carlos ainda encontrava Isabela.



            Não como ela fora.

            Não como ele gostaria que tivesse sido.

            Mas como a vida havia permitido que ela permanecesse.

            E talvez fosse isso que significasse finalmente compreender a saudade: não querer que o passado volte, mas aceitar que ele ainda mora em nós.

            A música terminou.

            Carlos retirou os fones.

            A noite continuava.

            O presente esperava.

            Ele levantou-se e abriu a janela.

            Havia uma brisa leve.

            Em algum lugar distante, talvez Isabela também estivesse olhando para a mesma noite.

            Não havia necessidade de saber.

            Algumas coincidências não precisam ser confirmadas.

            Carlos sorriu.

            E pela primeira vez compreendeu que aquele amor não havia sido perdido.

            Tinha apenas encontrado outra forma de existir.

            Uma forma mais silenciosa.

            Mais madura.

            Mais triste.

            E, talvez justamente por isso, mais verdadeira.

            Porque alguns amores pertencem ao futuro.

            Outros pertencem ao presente.

            E existem aqueles, como o de Carlos e Isabela, que pertencem para sempre àquele lugar onde a juventude termina, a saudade começa e uma antiga canção continua dizendo, baixinho, aquilo que dois jovens um dia tiveram medo de dizer....

            Você está aqui em meu coração, e não há distancia para isso... Eu te amo!



Clayton Alexandre Zocarato

Possui graduação em Licenciatura em História pelo Centro Universitário Central Paulista (2005) - Unicep - São Carlos - SP, graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (2016) - Ceuclar - Campus de São José do Rio Preto – SP, Técnico em Comércio Exterior pelas Faculdades Eficaz, e atualmente cursa Serviços Jurídicos e Notoriais na Unimar. Escrevo regularmente para o site www.recantodasletras.com.br usando o pseudônimo ZACCAZ, mesclando poesia surrealista, com haikais e aldravias..Formado Especialista em Medina y Arte com ênfase em Gilles Deleuze e Equizoanálise   onde é também  pesquisador do Centro de Medicina y Arte  de Rosário – Argentina, sendo o primeiro brasileiro a atuas nesse centro de pesquisa. Especialista em Ensino pela Ufscar, especialista em Psicopedagogia Institucional pela Fundepe – Unesp, Especialista em História da África pela Faculdade de Minas Gerais.

·                  Email: claytonalexandrezocarato@yahoo.com.br

·                  Instagram: Clayton.Zocarato

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