Pai leva filhos à Tenda da Inclusão da FLA Araru e destaca força da leitura no aprendizado das crianças
Pai leva filhos à Tenda da Inclusão da FLA Araru e destaca força da leitura no aprendizado das crianças
Morador do Outeiro, Fernandes Dias visitou a
feira com Leone, de 7 anos, e Liz, de 6, e ressaltou a importância do espaço
para aproximar crianças dos livros, autores e novas experiências.
Morador do Outeiro, Fernandes Dias levou os
filhos Leone, de 7 anos, e Liz, 6, para conhecer a FLA Araru 2026 neste sábado
(15). A família passou pela Tenda da Inclusão, espaço criado para proporcionar
mais conforto e acessibilidade, e o pai destacou a importância da iniciativa
para aproximar as crianças da literatura e ampliar as experiências de
aprendizagem.
Leone, estudante da Escola Municipal Orlando
Dias e apaixonado por palavras e livros, tem Transtorno do Espectro Autista
(TEA). A irmã Liz, aluna da Escola Municipal Mário Revelles, está iniciando o
processo de alfabetização. Para Fernandes, a oportunidade de os dois
participarem de uma grande feira literária representa um estímulo para a
formação.
“A feira tem uma importância imensa na
formação dos alunos. Ela consegue uniformizar classes, etnias. Eu acho muito
importante o impacto que ela vai causar a longo prazo”, afirmou.
A família também pretende aproveitar os
vales-livros disponibilizados pela Prefeitura de Araruama para comprar obras.
Antes de decidir quais títulos levar, Fernandes contou que quer percorrer os
estandes e deixar que os próprios filhos escolham os livros que mais
despertarem interesse.
“O Leone é apaixonado por livros e gosta muito
de jogos com palavras. Lá em casa a gente incentiva bastante, porque é algo tão
importante. A Liz está iniciando na alfabetização, então também queremos dar
bastante autonomia para ela, bastante incentivo, para que ela também siga o
mesmo caminho”, contou.
Contato com os autores amplia experiência
Para Fernandes, a FLA Araru oferece uma
oportunidade que vai além da compra de livros, a programação proporciona o
contato direto com os escritores. Segundo ele, conhecer quem está por trás das
histórias permite que as crianças entendam também o processo de criação.
“Você sai daquele mundo só das palavras e
procura conhecer realmente, tirar as dúvidas do que levou o autor a pensar
naquela história, o que foi a inspiração para ele escrever. A literatura
infantil é um desafio muito grande. Apesar de ser bem lúdica, é a partir dali
que você captura a criança e transforma isso para um universo que não tem mais
limites. Acho muito legal”, destacou.
Durante a visita, Leone participou das
atividades oferecidas no espaço, enquanto Liz também aproveitou a programação.
Para o pai, experiências como essa podem ajudar a criar, desde cedo, uma
relação mais próxima das crianças com os livros e com a descoberta de novos
conhecimentos.
Tenda da Inclusão cria ambiente mais acolhedor
A Tenda da Inclusão foi estruturada para
oferecer uma experiência mais confortável a diferentes públicos durante a FLA
Araru. O espaço recebe autores para oficinas, bate-papos e sessões de
autógrafos e permanece aberto à visitação nos períodos sem atividades.
A estrutura conta com iluminação difusa, sem
focos diretos ou excesso de brilho, transições suaves de luz e controle
acústico, reduzindo estímulos que podem provocar desconforto sensorial.
A ambientação também aposta na
representatividade, com personagens da Turma da Mônica com deficiência, como
Luca, Dorinha, Tati e Edu, presentes em caixas cenográficas distribuídas pelo
espaço.
No domingo (16), a Tenda da Inclusão ficará
aberta à visitação durante todo o dia, ampliando o acesso do público a um
ambiente pensado para diferentes formas de interação com a literatura.
fotos: Izabela e Viviane : vivilourenco03 Izabela_professora
Contação de histórias amplia caminhos entre a criança e o livro
A experiência vivenciada por famílias como a
de Fernandes Dias ajuda a compreender outra dimensão importante de uma feira
literária: formar leitores não significa apenas disponibilizar livros, mas
criar diferentes caminhos para que as crianças desejem se aproximar deles.
É nesse contexto que atividades de mediação de
leitura e contação de histórias ganham especial relevância dentro da FLA Araru.
Ao reunir palavra, interpretação, música, movimento, brincadeira e imaginação,
essas ações transformam a literatura em uma experiência compartilhada e
permitem que crianças com diferentes idades, interesses e formas de
aprendizagem encontrem maneiras próprias de estabelecer vínculos com as
narrativas.
Entre as iniciativas que participam desta
edição está a Kombiteca Samburá de Histórias, projeto de Teresópolis que
integra a participação do Jornal e Editora Alecrim na FLA Araru. A biblioteca
itinerante desenvolve durante a feira uma programação especialmente direcionada
às crianças, envolvendo contação de histórias, músicas, brincadeiras, livros
e oficinas de arte.
Ao redor da Kombiteca, a criança não ocupa
apenas o lugar de espectadora. Ela é convidada a responder às histórias,
cantar, brincar, criar e compartilhar aquilo que percebe. A proposta amplia as
possibilidades de mediação literária e compreende que a formação do leitor
também passa pela afetividade, pela curiosidade e pela experiência coletiva.
Em grandes eventos literários, essa
aproximação é particularmente importante. Para muitas crianças, a feira pode
representar o primeiro contato presencial com um escritor, um contador de
histórias ou mesmo com a possibilidade de escolher livremente um livro. Quando
esse encontro acontece de maneira acolhedora e lúdica, o livro deixa de ser
percebido exclusivamente como instrumento escolar e passa a ocupar também o
território da descoberta e do prazer.
Um projeto
de feira construído a partir da Educação
A dimensão alcançada pela FLA Araru também
evidencia um trabalho de planejamento que vem colocando a literatura em diálogo
com diferentes áreas da formação das crianças.
À frente da Secretaria Municipal de Educação
está Valéria Cristina Tavares do Amaral, historiadora, psicopedagoga e
gestora educacional com mais de quatro décadas de atuação no magistério público
e privado. Sua trajetória inclui experiências como professora, coordenadora,
orientadora, supervisora e diretora escolar, além de passagem pela Câmara
Municipal de Araruama.
Dentro dessa construção, merece destaque
também o trabalho da professora Luciane Dias Saraiva, um dos nomes
diretamente relacionados à concepção e à trajetória da FLA Araru. Sua atuação
na idealização e curadoria contribui para que a feira ultrapasse a lógica de
uma programação baseada apenas em grandes atrações e mantenha uma forte
identidade educacional, abrindo espaço para escritores, projetos de leitura,
atividades infantis e diferentes experiências de aproximação entre público e
literatura.
Esse olhar ajuda a explicar por que projetos
como a Kombiteca encontram espaço dentro da programação. Uma feira literária
voltada à formação de leitores precisa também reconhecer que existem muitas
maneiras de uma criança chegar até um livro.
Algumas chegam pela capa. Outras, pela escolha
feita junto aos pais. Algumas encontram o livro depois de conversar com o
autor. E há aquelas que descobrem a literatura depois de ouvir uma história,
cantar uma música, participar de uma brincadeira ou transformar em desenho
aquilo que acabaram de imaginar.
É nesse território que a Kombiteca Samburá
de Histórias desenvolve seu trabalho na FLA Araru: compartilhando
literatura por meio de diferentes linguagens e ampliando as possibilidades de
encontro entre infância, arte e leitura.
A presença dessas iniciativas, somada a
espaços como a Tenda da Inclusão, aos vales-livros, aos encontros com
escritores e à programação destinada às crianças, reforça um dos aspectos mais
significativos da feira realizada pela Prefeitura de Araruama, por meio da
Secretaria Municipal de Educação: compreender que democratizar o acesso ao
livro também significa criar condições para que cada criança possa descobrir
a literatura à sua maneira.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das
maiores contribuições de uma feira literária: o livro pode ser adquirido
durante o evento, mas a experiência construída em torno dele pode permanecer
na memória da criança muito depois que a feira terminar.
fotos: Izabela e Viviane : vivilourenco03 Izabela_professora
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