“Quiosque das Lendas” ganha vida na II FLICT e transforma memória de Teresópolis em literatura e emoção
Obra de Edinar Corradini foi lançada na FESO Pro Arte em uma programação que uniu literatura, teatro, patrimônio e a defesa da memória cultural de Teresópolis
Há lugares que
pertencem à paisagem de uma cidade. Outros, porém, ultrapassam pedras, paredes
e construções para ocupar também a memória de seus moradores. Foi justamente
nesse território, onde história, afeto, imaginação e identidade se encontram,
que a escritora e atriz Edinar Corradini apresentou ao público o livro Quiosque
das Lendas: Pátio dos Segredos, durante a II FLICT – Feira do Livro e da
Cultura de Teresópolis, realizada na FESO Pro Arte.
O lançamento
transformou-se em mais do que a apresentação de uma nova obra literária. Ao
trazer para o centro da narrativa um espaço carregado de significado para
Teresópolis, Edinar reacendeu uma discussão fundamental: o que uma cidade
perde quando deixa desaparecer os lugares que contam sua própria história?
Durante a programação da feira, uma roda de conversa com a autora permitiu ao público conhecer um pouco mais do universo que deu origem a Quiosque das Lendas. Entre lembranças, histórias e elementos que transitam pelo imaginário, o quiosque ganhou novamente protagonismo, despertando reflexões sobre sua importância histórica, patrimonial e cultural.
A mensagem que
atravessou o encontro foi contundente: destruir um patrimônio não significa
apenas perder uma construção. É rasgar parte da identidade de uma cidade,
apagar histórias, silenciar memórias e dificultar que as próximas gerações
reconheçam suas próprias raízes.
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| Edinar Corradini e Norma de Siqueira Freitas ilustradora do livro Quiosque das Lendas |
Nesse sentido, preservar o Quiosque das Lendas significa também respeitar aqueles que ajudaram a construir a trajetória de Teresópolis. O espaço guarda ainda um potencial que ultrapassa a preservação histórica e alcança o turismo cultural. Recuperado e integrado a projetos de valorização da memória local, poderia fazer parte de uma rota capaz de reunir história, cultura, literatura e turismo.
A discussão
também apontou para a necessidade de mobilização em torno desse patrimônio,
seja por meio do poder público, de projetos específicos de preservação ou mesmo
de iniciativas privadas comprometidas com a história da cidade.
Quando o
livro deixa as páginas
Se a
literatura já seria suficiente para conduzir o leitor ao misterioso universo
criado por Edinar Corradini, a II FLICT reservou ainda outra experiência: o
livro ganhou corpo, voz e movimento.
A história de Quiosque
das Lendas: Pátio dos Segredos foi levada à linguagem cênica em uma
montagem concebida por Edinar Corradini e Beto Correia, aproximando
literatura e teatro em um espetáculo marcado pela sensibilidade.
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| Janaína Mendes Feso Pro Arte - Edinar Corradini e Beto Corrêa |
No palco,
memória, patrimônio, identidade, amor e lendas se entrelaçaram. O resultado foi
uma experiência capaz de envolver diferentes gerações, encantando crianças,
jovens e adultos.
O chamado
“Pátio dos Segredos” revelou-se terreno fértil para a imaginação. Suas
histórias e lendas permitiram que público e intérpretes viajassem por um
universo em que realidade e fantasia se aproximam, demonstrando a força de uma
obra que não se limita à leitura, mas convida à experiência.
A adaptação
evidenciou ainda uma característica importante da trajetória de Edinar
Corradini: sua capacidade de transitar entre diferentes linguagens artísticas.
Escritora e atriz, ela transformou a própria obra em matéria cênica, fazendo
com que personagens, sentimentos e memórias deixassem temporariamente o papel
para ocupar o palco.
Literatura
como guardiã da memória
Quando um
patrimônio se transforma em narrativa, ele encontra uma nova possibilidade de
permanência. Mesmo diante das transformações urbanas, permanece registrado na
palavra, na imaginação dos leitores e na memória coletiva.
É justamente
aí que a obra de Edinar Corradini encontra uma de suas maiores forças. Ao
transformar o Quiosque das Lendas e seu entorno em cenário para histórias de
amor, mistério, memória e encantamento, a autora não apenas conta uma história:
ela chama atenção para uma história que Teresópolis não pode se permitir
esquecer.
A realização
da II FLICT na FESO Pro Arte reforçou, por sua vez, a importância de espaços
dedicados à circulação dos livros, ao encontro entre escritores e leitores e à
integração das diferentes manifestações artísticas.
Entre a roda
de conversa, o lançamento e a encenação, Quiosque das Lendas: Pátio dos
Segredos encontrou um cenário especialmente simbólico para chegar ao
público.
Porque cidades
também são feitas das histórias que escolhem preservar.
E, quando a memória encontra a literatura, até aquilo que parecia destinado ao esquecimento pode voltar a ganhar voz.












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