Apego e aversão: os dois venenos do pensamento acelerado. - Por Renata Gaia

 

Apego e aversão: os dois venenos do pensamento acelerado.

E se eu perder? Talvez poucas perguntas tenham tanto poder de nos aprisionar.

·        E se eu perder o emprego?

·        E se eu perder dinheiro?

·        E se eu perder meu relacionamento?

·        E se eu perder uma oportunidade?

·        E se eu não conseguir?

·        E se eu envelhecer?

·        E se amanhã tudo mudar?

Vivemos muitas vezes presos a uma sequência interminável de “e se”.

E, enquanto tentamos controlar aquilo que ainda nem aconteceu, deixamos de viver aquilo que está acontecendo agora.

Dentro da inteligência emocional, existe uma reflexão poderosa sobre dois movimentos que podem aprisionar nossa experiência: o apego e a aversão.

Apego é a necessidade de agarrar aquilo que queremos manter e aversão é a necessidade de afastar, combater ou rejeitar aquilo que não queremos viver.

E, entre esses dois movimentos, muitas vezes passamos a vida inteira oscilando:

·        Gosto. Não gosto.

·        Quero. Não quero.

·        Consigo. Não consigo.

·        Preciso. Não posso.

·        Tenho medo de perder.

·        Tenho medo de não conseguir.

E assim a mente permanece acelerada. O apego ao que eu quero controlar,  não é simplesmente gostar de alguma coisa, gostar é saudável, querer algo é saudável, ter objetivos é saudável.

O problema começa quando transformamos aquilo que desejamos em uma condição para podermos ficar bem.

·        “Eu preciso que isso aconteça.”

·        “Eu preciso que essa pessoa permaneça.”

·        “Eu preciso desse emprego.”

·        “Eu preciso ganhar mais.”

·        “Eu preciso que reconheçam meu trabalho.”

Quando a nossa paz depende de algo externo permanecer exatamente como desejamos, entregamos a esse algo o controle sobre o nosso estado emocional, é aí que o apego pode se transformar em sofrimento.

 


 E existe também a aversão....se o apego diz: “Eu preciso que seja assim.”

A aversão responde: “Eu não aceito que seja diferente.”

·        Não quero essa pessoa.

·        Não quero esse chefe.

·        Não quero essa política.

·        Não quero essa empresa.

·        Não quero envelhecer.

·        Não quero fracassar.

·        Não quero perder.

·        Não quero sentir.

·        Não quero mudar.

E quanto mais lutamos internamente contra aquilo que não queremos que aconteça, mais energia mental gastamos.

Atençao. isso não significa aceitar passivamente tudo o que acontece...

Aceitação não é submissão.

·        Podemos discordar.

·        Podemos estabelecer limites.

·        Podemos mudar de emprego.

·        Podemos sair de uma relação.

·        Podemos contestar uma decisão.

·        Podemos lutar por aquilo que acreditamos.

A questão é outra:

Eu consigo agir sem permitir que aquilo que rejeito domine a minha mente? Claro que sim,,,,

Não permitindo que o EGO TENHA RAZÃO O TEMPO TODO!

Apego e aversão também podem alimentar uma necessidade constante de controle.

O ego quer definir:

·        quem está certo,

·        quem está errado,

·        quem deveria mudar,

·        como as pessoas deveriam agir,

·        como a empresa deveria funcionar,

·        como a vida deveria acontecer.

E quanto maior a distância entre “como deveria ser” e “como está sendo”, maior pode ser o conflito interno. É nesse espaço que surgem pensamentos repetitivos, irritação, ansiedade, ruminação e exaustão emocional. A mente não descansa porque continua tentando resolver, mentalmente, aquilo que não consegue controlar.

E uma mente que não descansa durante muito tempo pode comprometer a qualidade do sono, da atenção, da criatividade, das relações e da própria capacidade de tomar decisões.

O medo de perder nos mantém presos,  essa é uma das formas mais silenciosas de escravidão mental !

·        Perder dinheiro.

·        Perder status.

·        Perder o emprego.

·        Perder uma relação.

·        Perder tempo.

·        Perder juventude.

·        Perder oportunidades.

·        Perder o controle.

E então construímos uma vida inteira tentando impedir perdas que são, em alguma medida, inevitáveis, porque a vida é movimento.

·        Pessoas mudam.

·        Empresas mudam.

·        Profissões mudam.

·        Relacionamentos mudam.

·        corpo muda.

·        Circunstâncias mudam.

·        E nós também mudamos.

Necessitamos desenvolver recursos internos para continuar vivendo, escolhendo e reconstruindo quando a vida mudar. Trocar o “e se?” pelo “o que posso fazer agora?”



Talvez seja aqui que possamos começar uma transformação prática.

·        Quando surgir: “E se eu perder meu emprego?”

·        Pergunte: “O que eu posso fazer agora para me preparar?”

·        Quando surgir: “E se eu não conseguir?”

·        Pergunte: “O que posso fazer agora para aumentar minhas possibilidades?”

·        Quando surgir: “E se tudo der errado?”

·        Pergunte: “Qual é o próximo passo que está sob meu controle?”

·        Perceba a diferença.

O “e se?” nos joga para um futuro imaginado, enquantoque “o que posso fazer agora?” nos devolve ao presente, e o presente é o único lugar onde podemos efetivamente agir.

Do “será?” para o “agora posso”, existe uma pequena mudança de linguagem que pode produzir uma grande mudança de postura.

Em vez de: “Será que eu consigo?”

Pergunte: “O que eu consigo fazer agora?”

·        Se posso, faço, se não posso agora, preparo-me.

·        Se não tenho condições hoje, verifico o que preciso desenvolver.

·        Se não depende de mim, aprendo a não gastar toda a minha energia tentando controlar o incontrolável.

Isso é maturidade emocional.

Não é pensar que tudo dará certo, é compreender que, dando certo ou não, eu posso desenvolver recursos para lidar com o que vier.

O que significa soltar, sera que é desistir...,claro que não!

Essa talvez seja a parte mais importante. Soltar o apego não significa abandonar seus sonhos, significa não transformar o sonho em uma prisão.

Rejeitar a aversão não significa gostar de tudo, significa não permitir que aquilo que você não gosta ocupe permanentemente o centro da sua mente.

Você pode querer muito e, ainda assim, permanecer inteiro.

·        Pode perder e reconstruir.

·        Pode discordar sem viver em guerra.

·        Pode mudar sem considerar a mudança uma ameaça.

·        Pode trabalhar sob pressão sem transformar toda pressão em uma ameaça à sua identidade.

·        E pode dizer:

·        “Eu não controlo tudo. Mas controlo a próxima escolha que vou fazer.”

Chega de viver em estado de ameaça, Burnout não é simplesmente “falta de vontade”.

Estresse não é frescura, e também não se resolve apenas dizendo para alguém “pensar positivo”.

Existem condições de trabalho, culturas organizacionais, excesso de demandas, falta de autonomia, conflitos e outros fatores que precisam ser enfrentados coletivamente.

Mas existe também uma dimensão interna que merece atenção!

Quanto da minha energia estou gastando tentando segurar o que quero e afastar aquilo que não quero? Talvez essa pergunta seja desconfortável, mas pode ser libertadora.

Porque, quando deixamos de lutar permanentemente com a realidade, recuperamos energia para pensar, e quando recuperamos energia para pensar, voltamos a enxergar possibilidades.

A criatividade reaparece, a capacidade de decidir melhora., a autoestima pode se fortalecer.

E começamos a perceber que nem toda adversidade exige uma guerra, algumas exigem uma decisão, outras exigem um limite e outras exigem uma mudança.

E algumas exigem simplesmente que paremos de tentar controlar aquilo que não está em nossas mãos.

Um novo modo de viver, a proposta não é eliminar o desejo, é não ser escravo dele!

·        Não é eliminar a rejeição, é não ser governado por ela!

·        Não é deixar de buscar, é aprender a buscar sem perder a paz no caminho!

Talvez o grande exercício da inteligência emocional seja justamente esse: Agir sem apego ao resultado e enfrentar a realidade sem aversão permanente ao que ela apresenta.

·        passado já aconteceu.

·        futuro ainda não chegou.

·        E o único lugar onde existe possibilidade real de escolha é o agora.

Então, quando o pensamento vier com mais um:

“E se...?”, Pare, respire e Pergunte: “O que eu posso fazer agora?”

Se pode, faça, se não pode, prepare-se.

Se não depende de você, soltem e siga.

Porque viver permanentemente com medo de perder também é uma forma de perder!

·        Perder o presente.

·        Perder a criatividade.

·        Perder a saúde emocional.

·        Perder a capacidade de perceber oportunidades.

·        Perder, enfim, a própria vida enquanto tentamos controlar o que pode acontecer com ela.

Apego e aversão podem ser dois grandes ladrões da paz interior, acredito que esta na  hora de deixar de viver como escravos do pensamento acelerado.

·        Chega de transformar o burnout em um estilo de vida.

·        Chega de glorificar a exaustão.

·        Chega de acreditar que viver sob pressão é sinal de competência.

Está na hora de recuperar a leveza, não porque a vida ficou mais fácil, mas porque nós aprendemos a estar nela de uma maneira diferente.

Renata Gaia

Youtube: Renata Gaia

          Instagram:  @vivagaiadeluz



Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 



Acesse nossa loja de Livros e colabore adquirindo um dos livros dos nossos autores! Vamos apoiar a leitura !!! 

- Compre livros!

- Assine a revista!

👉 CLIQUE AQUI E CONHEÇA MAIS:  EDITORA ALECRIM



Comentários

Postagens mais visitadas