Trabalho, serviço e o prazer de viver! - Por Renata Gaia

 


Trabalho, serviço e o prazer de viver!

Trabalho ou serviço? Quando o propósito devolve leveza à vida profissional!

À primeira vista, parece apenas uma questão de palavras. Mas, quando olhamos para ela pelo campo da inteligência emocional, encontramos uma diferença profunda na maneira como nos relacionamos com aquilo que fazemos todos os dias.

·        Trabalho pode ser projeto. Serviço pode ser propósito.

Trabalho é aquilo que fazemos para alcançar determinados objetivos: ganhar dinheiro, construir uma carreira, realizar sonhos, conquistar estabilidade ou sustentar uma família. O trabalho possui horários, metas, prazos, cobranças e responsabilidades.

Serviço, por outro lado, pode representar aquilo que fazemos porque encontramos sentido naquilo que entregamos ao mundo. É a sensação de contribuir, de participar, de fazer algo que esteja conectado aos nossos valores e ao nosso ideal de vida.

E será que é possível unir essas duas dimensões? Eu acredito que sim.

Quando aquilo que fazemos começa a pesar pode ser a hora de pensar em como transformar o projeto em gratidao!, pois nem sempre trabalhamos com aquilo que amamos, tudo bem, mais o trabalho que temos hoje é util, e isso deveria ser o suficiente para nos motivar agradecer e nos motivar a crescer!



Existem pessoas que acordam todos os dias motivadas pelo próprio trabalho. Outras levantam porque precisam pagar suas contas. Algumas encontram prazer na atividade que realizam; outras encontram prazer apenas naquilo que o salário possibilita construir fora do trabalho.

E não há nada de errado nisso! O problema começa quando o trabalho passa a ser percebido exclusivamente como peso, obrigação e sofrimento.

Quando isso acontece, a segunda-feira começa antes mesmo de chegar. O domingo perde sua leveza. A pessoa começa a contar as horas para ir embora e chegar às férias.

É nesse terreno que o estresse ocupacional pode ganhar força.

E existe uma pergunta importante a ser feita: Será que precisamos amar o nosso trabalho para conseguir trabalhar bem? Talvez não.

Talvez precisemos aprender a encontrar sentido na maneira como trabalhamos, mesmo quando a atividade em si não é o nosso grande sonho.

E quando amamos o que fazemos? Aqui existe outro paradoxo.

Até quem ama profundamente o próprio trabalho pode adoecer, porque amar o que fazemos não nos torna imunes à pressão.

Prazos impossíveis, excesso de demandas, metas, conflitos, jornadas prolongadas, falta de reconhecimento e ambientes organizacionais tóxicos podem transformar aquilo que um dia foi prazer em fonte de sofrimento.

É possível amar o próprio trabalho e, ainda assim, estar estressado!, para isso temos que aprender a quebrar algumas crenças....

·        É possível amar o que fazemos e precisar dizer “não”.

·        É possível ter propósito e precisar descansar.

·        É possível dar o nosso melhor sem transformar o nosso melhor em uma obrigação de sermos perfeitos o tempo todo.

Essa é uma das grandes aprendizagens da inteligência emocional: comprometimento não significa autoabandono.

O trabalho como projeto e o serviço como escolha, talvez possamos olhar para o trabalho de uma maneira diferente, e assim criarmos um novo conceito, e tudo fica mais leve!

Sugiro um novo conceito, o trabalho enquanto projeto estabelece aquilo que precisamos realizar, dessa forma tudo depende do que escolhemos, do como decidimos estar dentro desse projeto.

Eu posso não gostar de todas as pessoas com quem trabalho. Posso não me identificar com determinados comportamentos. Posso discordar de decisões, estilos de liderança ou formas de pensar, mas essas pessoas continuam sendo meus colegas de trabalho.

E é justamente aí que entra a inteligência emocional,  conviver não significa concordar, cooperar não significa pensar igual, ser solidário não significa aceitar qualquer comportamento.



Significa compreender que, dentro de um ambiente coletivo, existe algo maior do que as nossas preferências individuais: a capacidade de construir uma convivência minimamente saudável para que todos possam realizar aquilo que precisa ser realizado.

A leveza não está necessariamente no lugar, muitas vezes acreditamos que seremos felizes quando mudarmos de emprego, de empresa, de chefe ou de ambiente. Às vezes, realmente precisamos mudar, há ambientes que adoecem e situações que precisam ser encerradas.

Mas existe uma pergunta que também precisamos fazer: O que eu estou levando comigo para o próximo lugar? Porque podemos trocar de empresa e levar conosco a mesma dificuldade de estabelecer limites, podemos trocar de chefe e continuar reagindo da mesma maneira à autoridade, podemos mudar de trabalho e continuar carregando a mesma ansiedade, a mesma necessidade de aprovação, o mesmo perfeccionismo e a mesma dificuldade de dizer não.

Por isso, a transformação também precisa acontecer dentro de nós.

A verdadeira leveza não depende exclusivamente do lugar onde estamos, ela também depende da maneira como escolhemos estar.

É possível transformar trabalho em uma experiência mais prazerosa? Sim.

Não significa romantizar o sofrimento profissional.

Não significa aceitar sobrecarga dizendo que precisamos “pensar positivo”.

E muito menos significa colocar sobre o indivíduo toda a responsabilidade por um problema que muitas vezes é organizacional.

Empresas também precisam rever suas práticas, suas metas, sua cultura, suas relações de liderança e suas condições de trabalho.

Mas, no campo individual, podemos fazer uma escolha poderosa: incluir propósito naquilo que fazemos.

Se o meu trabalho é um projeto, posso perguntar:

·        Que impacto o meu trabalho produz?

·        Quem é beneficiado pelo que eu faço?

·        Que valor eu entrego?

·        Que tipo de profissional eu quero ser enquanto realizo esse trabalho?

·        Que contribuição posso oferecer ao coletivo?

Quando essas perguntas entram na nossa rotina, o trabalho deixa de ser apenas uma troca entre tempo e dinheiro, ele passa a ser também uma oportunidade de expressão de valores.

E talvez seja aí que trabalho e serviço possam se encontrar.

Imagine uma equipe em que cada pessoa possui suas próprias histórias, personalidades, sonhos e dificuldades, elas não precisam gostar umas das outras, concordar em tudo, mas podem escolher cooperar, respeitar, compartilhar responsabilidades.

Esse movimento pode produzir algo muito importante: sentido de pertencimento.

Quando percebo que aquilo que faço não serve apenas a mim, mas também contribui para algo coletivo, o trabalho pode ganhar uma dimensão diferente.

Não é mais apenas: “Eu trabalho para receber.”

Pode tornar-se: “Eu trabalho, recebo por isso e, ao mesmo tempo, contribuo.”

É nessa interseção que o trabalho pode encontrar o serviço, e talvez essa seja uma das respostas para o estresse.

O estresse não desaparece simplesmente porque encontramos um propósito, pressão continua sendo pressão, excesso de trabalho continua sendo excesso de trabalho, esgotamento continua precisando ser reconhecido e cuidado.

Mas desenvolver inteligência emocional nos permite perceber que não somos apenas vítimas das circunstâncias. Existe uma parte da nossa experiência que está relacionada às nossas escolhas, aos nossos limites, aos nossos pensamentos, às nossas atitudes e à maneira como nos relacionamos com aquilo que fazemos.

Não podemos controlar tudo o que acontece no trabalho. Mas podemos desenvolver a capacidade de escolher como vamos nos posicionar diante daquilo que acontece, e isso muda muita coisa!

·        Talvez você não precise amar todas as tarefas.

·        Talvez não precise amar todas as pessoas.

·        Talvez nem precise transformar seu trabalho no grande propósito da sua vida.

·        Mas pode encontrar uma maneira mais consciente de realizá-lo.

·        Pode trabalhar para ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, servir a um propósito maior.

·        Pode construir seu projeto de vida e, dentro dele, encontrar espaços de contribuição.

·        Pode fazer do seu trabalho uma parte da vida sem permitir que ele se transforme na própria vida.

 

 

Porque, no final, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Eu gosto do meu trabalho?”

Talvez seja: “Como eu escolho viver enquanto realizo o meu trabalho?” Quando encontramos essa resposta, alguma coisa começa a mudar.

A leveza deixa de depender exclusivamente do lugar onde estamos, ela começa a nascer dentro de nós, e equando isso acontece, o estresse pode deixar de ocupar todo o espaço da nossa vida.

Trabalhar é realizar um projeto, servir é colocar sentido naquilo que fazemos e  viver com leveza é aprender a unir os dois.

Renata Gaia

Youtube: Renata Gaia

          Instagram:  @vivagaiadeluz



Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo -  Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia 



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