VOZES DE MOTTAS | Nº 08 15 de setembro de 2026
VOZES DE MOTTAS | Nº 08
Educação, cultura e novos caminhos marcam dia especial na Escola Sizenando, em Mottas
Atividades realizadas no
dia 3 de setembro reuniram contação de histórias e oficina sobre agricultura
familiar e meio ambiente, na culminância de uma etapa do projeto apoiado pelo
Fundo Social da Cresol Vale Europeu. A data também marcou a oficialização da
primeira turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola.
O dia 3 de setembro ficará
registrado como uma data especial para a comunidade escolar de Mottas. Conforme
anunciado na última edição do Vozes de Mottas, a Escola Municipal Sizenando
Adolfo Tayt-Sohn recebeu uma programação que uniu educação, cultura, agricultura
familiar e consciência ambiental. No mesmo dia, a escola viveu outro momento
importante: a oficialização de sua primeira turma da Educação de Jovens e
Adultos (EJA).
As atividades com os
estudantes integraram o projeto “Educação Ambiental e Cultura do Cuidado –
Cuidai do Lixo Nosso de Cada Dia”, realizado pela Associação dos Produtores e
Artesãos de Mottas e Regiões Adjacentes – APA-MR, com recursos do Fundo Social
da Cresol Vale Europeu.
O projeto tem como
proposta promover a educação ambiental por meio de ações culturais e
educativas, estimulando hábitos sustentáveis, consumo consciente, descarte
adequado dos resíduos e cuidado coletivo com o território. Entre as ações
previstas estão oficinas, contação de histórias, reaproveitamento de materiais
e atividades de conscientização junto às escolas e comunidades de Mottas,
Independente de Mottas e Santa Rosa.
Histórias para falar da terra e de quem produz
A atividade realizada na Escola Sizenando contou com a participação do coletivo Kombiteca Samburá de Histórias, representado pela autora e contadora de histórias Cláudia Coelho, pelo músico Álan Magalhães, pela produtora e oficineira Marlene Macedo e pelo autor Gustavo Lucena.
Por meio da literatura, da
música e da interação com os alunos, a contação de histórias trouxe para o
ambiente escolar uma conversa sobre a importância da agricultura familiar, tão
presente na vida de Mottas e de muitas famílias da região, relacionando a
produção de alimentos à preservação do meio ambiente e ao cuidado com a terra.
A proposta foi fazer com
que as crianças reconhecessem no conteúdo trabalhado elementos que fazem parte
do lugar onde vivem: a lavoura, os produtores, suas famílias, a natureza e a
responsabilidade de cada pessoa na preservação desse território.
Sugestão de fala para
Cláudia Coelho: “Quando levamos esse tema para as crianças por meio das
histórias, estamos falando de algo que elas conhecem de perto. Muitas são
filhas, netas ou parentes de agricultores. O projeto nos permite unir
literatura e educação ambiental para mostrar que valorizar quem produz também
passa por aprender a cuidar da terra e do lugar onde vivemos.”
Para Álan Magalhães, a
utilização da música junto à narrativa ajuda a criar uma relação diferente
entre a criança e o conteúdo apresentado:
Sugestão de fala para Álan
Magalhães: “A música aproxima, desperta a atenção e faz a criança participar.
Quando ela canta, responde e entra na história, aquele assunto deixa de ser
apenas uma explicação e passa a fazer parte da experiência dela.”
Da história para a oficina
Depois da contação, a
proposta teve continuidade com uma oficina de arte, permitindo que os
estudantes trabalhassem de forma prática e criativa alguns dos conceitos
apresentados.
Essa integração entre
cultura e educação ambiental faz parte da metodologia prevista no projeto, que
inclui oficinas criativas, atividades de reutilização e reaproveitamento de
materiais e ações destinadas a estimular uma nova percepção sobre aquilo que normalmente
seria descartado.
Marlene Macedo contou que
“Na oficina, a criança percebe que um material que iria para o lixo pode ganhar
outro significado. Além do trabalho artístico, existe uma reflexão sobre
consumo, reaproveitamento e responsabilidade. É uma aprendizagem que ela pode
levar para casa e compartilhar com a família.”
O autor Gustavo Lucena
destaca outro aspecto da proposta: a relação entre as ações realizadas e a
identidade da própria comunidade.
“Falar de agricultura familiar dentro de uma
escola de uma região agrícola é valorizar a realidade desses alunos. A educação
ambiental ganha ainda mais sentido quando parte do território, das famílias e
das experiências que eles conhecem.”
A atividade realizada na
escola representa, assim, um dos resultados concretos de uma proposta que
pretende ir além de uma ação isolada.
Um novo capítulo para a educação em Mottas
O dia 3 de setembro teve
ainda um segundo acontecimento de grande significado para a Escola Sizenando: a
oficialização da primeira turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A chegada da modalidade
cria uma oportunidade para jovens e adultos da própria região retomarem os
estudos mais perto de onde vivem, transformando a escola também em espaço de
recomeço para aqueles que, por diferentes motivos, não puderam concluir sua escolarização
no período regular.
A diretora Jeniffer Cereja
Ferran resumiu a emoção daquele momento:
Para Sandra Mendes,
ex-diretora e atual auxiliar de direção, a primeira turma representa a
concretização de um desejo antigo da comunidade escolar:
“Um dia memorável. A
realização de um sonho e de uma meta.”
A emoção também apareceu
na manifestação de Josiane Marina Rodrigues, que definiu a chegada da EJA como
“uma conquista enorme para nossa escola, para o bairro de Mottas e para toda a
comunidade de suas adjacências”.
Já Cristiano de Carvalho
chamou atenção para a disposição dos novos estudantes: “Quanta vontade eles
têm! Quanta garra!”, ressaltando ainda que o processo proporciona novos
aprendizados tanto para estudantes quanto para os profissionais envolvidos.
As declarações foram
compartilhadas em publicações nas redes sociais e em mensagens encaminhadas à
redação do Jornal Alecrim.
Duas ações, um mesmo território
Embora a atividade do
projeto ambiental e a implantação da EJA sejam iniciativas distintas, o fato de
terem acontecido no mesmo dia permitiu que a Escola Sizenando vivenciasse duas
experiências relacionadas por um ponto em comum: a educação como instrumento de
desenvolvimento da comunidade.
De um lado, crianças
aprendendo sobre agricultura familiar, meio ambiente, cultura e
reaproveitamento. Do outro, jovens e adultos iniciando ou retomando uma
trajetória escolar.
E tudo isso acontecendo
dentro de Mottas.
O projeto continua deixando sementes
O “Educação Ambiental e
Cultura do Cuidado – Cuidai do Lixo Nosso de Cada Dia” foi concebido para atuar
não apenas em Mottas, mas também em Independente de Mottas e Santa Rosa,
envolvendo estudantes, educadores, comunidade escolar e moradores. Entre seus objetivos
estão sensibilizar sobre os impactos do descarte inadequado do lixo, estimular
hábitos sustentáveis, desenvolver atividades de reutilização de materiais,
produzir material educativo e formar multiplicadores comunitários em educação
ambiental.
O projeto também
estabelece uma relação entre educação, cultura, meio ambiente e desenvolvimento
local e está alinhado aos ODS 4 — Educação de Qualidade; 11 — Cidades e
Comunidades Sustentáveis; 12 — Consumo e Produção Responsáveis; e 8 — Trabalho
Decente e Crescimento Econômico.
As publicações do Vozes de
Mottas, realizadas pelo Jornal Alecrim em parceria com a APA-MR, também fazem
parte desse trabalho de informação, mobilização e registro das ações e de seus
resultados junto à comunidade. O plano de divulgação do projeto prevê justamente
publicações periódicas, registros das atividades, depoimentos dos participantes
e divulgação dos resultados alcançados.
Este projeto foi
beneficiado com recursos do Fundo Social da Cresol Vale Europeu.
Vozes de Mottas continua
O Vozes de Mottas é uma
coluna quinzenal e está previsto para continuar nos próximos meses,
acompanhando acontecimentos, personagens, histórias, iniciativas e assuntos de
interesse de Mottas e das comunidades da região.
A próxima edição será
publicada em 1º de outubro.
E a comunidade continua
sendo parte fundamental desse trabalho. Quem tiver uma notícia, uma história
antiga, fotografias, vídeos, documentos ou uma sugestão de assunto pode entrar
em contato conosco. Os relatos também podem ser enviados por escrito ou em
áudio.
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Mottas no WhatsApp:
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O material recebido poderá
servir como fonte ou sugestão de pauta e será apurado pela equipe antes da
publicação.
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