Você está onde quer estar e onde deveria estar? - por Renata Gaia
Você está onde quer estar e onde deveria estar?
Você está onde quer estar? E, mais
importante ainda: o lugar onde você deseja estar é realmente o lugar onde
deveria estar?
Você já parou para compreender por
que deseja tanto chegar a esse lugar que construiu na sua imaginação? Será
porque acredita que, quando estiver lá, finalmente encontrará tudo aquilo que
sente não possuir hoje?
E o que você tem hoje? Você consegue
reconhecer o presente como o ponto de partida para construir os dias futuros
que tanto deseja? Ou está tão ocupado imaginando o que lhe falta que deixou de
enxergar os recursos, as oportunidades e as pessoas que já fazem parte da sua
vida?
Pense. E, antes de responder, seja
honesto consigo mesmo!
O que você tem feito, de verdade, por
você e pelos outros? O que existe nos seus pensamentos quando você deseja se
tornar uma pessoa melhor? Você pensa apenas em receber ou também inclui o
prazer de compartilhar? Pensa somente em dar aos outros ou reconhece que você
também é alguém importante, que merece cuidado, respeito e atenção?
Talvez uma das grandes questões da
existência seja esta: o que precisamos mudar em nós para pintar o melhor quadro
possível da nossa vida enquanto ainda temos a oportunidade de vivê-la?
A hora de escrever a melhor frase da
nossa história é agora. De escrever um novo capítulo, plantar uma árvore, dizer
“eu te amo”, pedir perdão, perdoar, oferecer um abraço verdadeiro, acolher
alguém e aprender a ouvir sem a necessidade de preparar uma resposta ou provar
que estamos certos.
É agora.... Não adianta adiar os
gestos de amor sob a justificativa de que estamos sem tempo. Tampouco faz
sentido acreditar que, por estarmos convencidos de nossa razão, podemos
conceder ao outro mais alguns dias, meses ou anos para que ele compreenda o que
fez. Afinal, que tempo é esse sobre o qual acreditamos ter tanto controle?
Será que não existe certa arrogância
em imaginar que teremos todo o tempo do mundo para perdoar, reconhecer alguém
como nosso semelhante ou reparar uma relação? Quantas vezes adiamos uma conversa
porque estamos magoados, um abraço porque estamos orgulhosos ou um pedido de
desculpas porque acreditamos que o outro é quem deveria dar o primeiro passo?
Enquanto isso, seguimos acumulando
tarefas, conquistas e necessidades. Precisamos construir mais alguma coisa,
comprar mais alguma coisa, juntar dinheiro, alcançar outra posição, conquistar
mais um objetivo. E, nessa corrida, vamos adiando justamente aquilo que dá
sentido à existência.
Não há nada de errado em desejar
prosperidade, construir patrimônio ou buscar crescimento profissional. A
questão é outra: em que momento a busca por ter mais passou a ocupar o espaço
que deveria ser destinado ao próprio viver?
Será que estamos construindo uma vida
ou apenas acumulando condições para começar a vivê-la algum dia?
E quando o estresse, a ansiedade e a
frustração se tornam parte da rotina? Quando o trabalho se transforma em um
fardo, o chefe passa a representar um problema permanente e cada obrigação
parece uma ameaça à nossa tranquilidade, será que tudo está realmente do lado
de fora?
As condições de trabalho importam.
Ambientes abusivos, cobranças excessivas e relações desrespeitosas precisam ser
reconhecidos e enfrentados. Entretanto, olhar para as circunstâncias externas
não nos dispensa de olhar para dentro. Precisamos compreender como
interpretamos as situações, quais expectativas alimentamos, que limites
deixamos de estabelecer e quais escolhas estão ao nosso alcance.
O autoconhecimento não elimina todos
os problemas externos, mas pode nos ajudar a distinguir aquilo que precisamos
transformar no mundo daquilo que precisamos rever em nós mesmos.
Talvez parte da confusão que vivemos
comece quando deixamos de reconhecer o outro como alguém que compartilha
conosco a mesma condição humana. Quando enxergamos apenas nossas próprias
necessidades, nossas próprias dores e nossas próprias razões, perdemos a
capacidade de perceber que também existimos na experiência do outro — não
porque sejamos iguais em tudo, mas porque compartilhamos vulnerabilidades,
limites, desejos e a necessidade de sermos reconhecidos.
E se começássemos a olhar para o
outro com a mesma humanidade com que desejamos ser olhados? Quantos conflitos
poderiam encontrar novos caminhos? Quantas relações poderiam ser reconstruídas?
Quantos sofrimentos poderiam deixar de ser alimentados pelo orgulho, pela
necessidade de vencer uma discussão ou pela dificuldade de reconhecer nossos
próprios erros?
Talvez muita coisa começasse a mudar.
Somos seres humanos e, segundo a
tradição bíblica, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas o que
significa, de fato, honrar essa condição? Se a imagem nos remete à forma, não
seria a semelhança também um convite à reflexão sobre nossos atos? De que
adianta professar valores elevados se nossas atitudes cotidianas não os
expressam?
É possível que a transformação comece
justamente aí: nos pequenos gestos, nas escolhas que fazemos quando ninguém
está olhando, na maneira como tratamos aqueles que não podem nos oferecer nada
em troca.
Nossos atos podem influenciar nossos
pensamentos, e a maneira como pensamos pode, progressivamente, transformar
nossos sentimentos e nossas respostas emocionais. Não se trata de uma fórmula
mágica, mas de um exercício contínuo de consciência, prática e amadurecimento.
Então, vamos experimentar?
Se você ainda não fez isso hoje,
abrace alguém. Ligue para uma pessoa de quem sente saudade. Diga que ama. Peça
perdão se reconhece que errou. Perdoe a si mesmo pelas escolhas que hoje
compreende de outra maneira. Quando for possível e saudável, dê ao outro a
oportunidade de recomeçar. E, acima de tudo, aprenda a soltar aquilo que já não
está sob seu controle.
Não controlamos todas as
circunstâncias, não controlamos as escolhas dos outros e tampouco temos domínio
absoluto sobre a nossa existência. Não escolhemos todas as condições do nosso
nascimento e não podemos determinar indefinidamente o tempo que permaneceremos
aqui.
Isso não significa que nada esteja ao
nosso alcance. Significa que precisamos reconhecer a diferença entre o que
podemos conduzir e aquilo que precisamos aceitar.
A vida não espera que tenhamos todas
as respostas para começar a ser vivida.
Talvez você não precise chegar a
outro lugar para começar a viver melhor. Talvez precise aprender a estar
inteiro no lugar em que está, enquanto constrói, com consciência, o caminho
para onde deseja ir.
O futuro merece planejamento. O
passado merece compreensão. Mas o presente é o único tempo em que podemos agir.
Então, enquanto há vida, há escolhas
a fazer, palavras a dizer, relações a cuidar e oportunidades de transformação.
Vamos parar de adiar a vida à espera
de condições perfeitas.
Vamos viver?
Renata Gaia
Youtube: Renata Gaia
| Renata Gaia - Responsável pelo espaço Gaia de Luz em Nova Friburgo - Psicanalista - Especialista em comportamento humano - Estudiosa da Neurociência do dia-a-dia Acesse nossa loja de Livros e colabore adquirindo um dos livros dos nossos autores! Vamos apoiar a leitura !!! - Compre livros! - Assine a revista! 👉 CLIQUE AQUI E CONHEÇA MAIS: EDITORA ALECRIM |





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